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Tentando limpar imagem do filho, Sabá Reis é vaiado por manifestantes

• Publicado em 30 de julho de 2021 – 05:55

MANAUS (AM) – Na tentativa de salvar a imagem de seu filho e vereador David Reis (Avante), o titular da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), Sabá Reis, esteve na manifestação do movimento negro que contestava a mudança no nome do espaço público que atualmente se chama “Praça Oscarino Peteleco” para explicar o “erro” de seu filho. No entanto, a presença de Sabá não foi aceita pelos manifestantes que distribuíram vaias ao secretário.

A manifestação ocorreu na última quarta-feira (28) no espaço público do bairro, Praça 14, os manifestantes de movimentos negros se reuniram no local para pedir que o antigo nome do espaço fosse mantido.

Antes do prefeito David Almeida sancionar a Lei n°2767, que renomeou a praça de Oscarino Peteleco em homenagem ao popular ventríloquo que morreu em 2018, a praça já homenageava uma figura importante do Amazonas: o ativista negro, com destaque internacional, Nestor Nascimento.

Leia mais: Instituto Afro critica David Reis e David Almeida por desrespeito histórico em Manaus

Na ocasião, Sabá foi até o local para conversar com os manifestantes e tentar limpar a imagem de seu filho, David Reis, o autor do projeto de lei que alterou o nome da praça, no entanto, a tentativa foi falha uma vez que o secretário quis culpar os próprios moradores do equívoco.

“A manifestação que vocês fizeram aqui foi importante, pois se não tivesse ocorrido, aqui iria ocorrer um equívoco. Eu estou aqui nessa praça, trabalhando a mais ou menos um mês, como é possível notar, durante esse período, não apareceu nenhuma ‘santa e viva pessoa’ para me dizer ou alertar […]”, disse Sabá, que imediatamente foi interrompido por manifestantes que questionaram a competência das equipes de trabalho da pasta.

Uma das manifestantes que estava no local e membro da Associação das Crioulas do Quilombo Urbano de São Benedito, Rafaela Fonseca, explicou que o movimento negro não aceitou a fala de Sabá por se tratar de um desrespeito às pessoas negras, visto que todos que compõem a cúpula do poder devem estudar a legislação vigente na capital.

“Quem deveria estar lá era o filho dele. Não aceitamos a fala do secretário. Ele tentou justificar o erro do prefeito e de seu filho, dizendo que ninguém avisou que a praça recebia o nome de um líder negro. Porém, esse argumento não é válido, a Prefeitura de Manaus possui uma equipe para isso e todos que fazem as leis precisam estudar se os locais possuem ou não nomenclaturas. Vamos continuar protocolando ofícios para que a praça retorne com o nome do Nestor”, disse.

Confira os vídeos da manifestação:

Rafaela ressaltou, ainda, que os movimentos não estão desmerecendo Oscarino e o consideram uma figura importante, mas a imagem e luta de Nestor Nascimento não podem ser apagadas.

“Não queremos desmerecer o senhor Oscarino, que também morava no bairro. Mas precisamos lembrar e preservar a história de Nestor, que é muito importante para nós pretas e pretos. Nestor lutava pela causa dos menos favorecidos e isso não pode ser apagado”, defendeu.

Foto: Divulgação

Em nota na última quarta, a Prefeitura de Manaus e o presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) afirmaram que devem revogar a legislação e manter o nome do ativista negro no local. David Reis disse ainda que vai apresentar outro PL que oficialize o nome na praça como Nestor Nascimento.

“Ao tempo em que abre caminho para atender à vontade popular, o presidente David Reis esclarece que não houve, da parte dele, a intenção de apagar ou macular a memória e a honra de Nestor Nascimento, reconhecidamente, o maior líder negro da história do Amazonas. Além de idealizador e fundador do Movimento Alma Negra do Amazonas (MOAM), a primeira organização voltada às causas negras no Estado, Nestor Nascimento esteve à frente, desde os primórdios, da luta em defesa do reconhecimento oficial do Quilombo Urbano do Barranco de São Benedito, segundo quilombo urbano certificado do país, no ano de 2014.

David Reis afirma que o suposto conflito de interesse, gerado pela sua proposta de dar ao espaço público o nome do ventrículo Oscarino Farias Varjão, criador do boneco Peteleco, figura pública igualmente marcante na história do bairro Praça 14 e na cultura amazonense, deveu-se, unicamente, em razão da inexistência de registros oficiais sobre a denominação do local. Tal situação será corrigida, em breve, com a aprovação de novo projeto de lei, que ele apresentará no parlamento municipal, tão logo se cumpra o rito de revogação da Lei 2.767/2021.”

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