Cheia destroi plantações em Humaitá - Foto: (Arquivo pessoal)
Brasília (DF) – Mais de 144 mil pessoas já foram afetadas pelas cheias dos rios no Amazonas em 2025. Segundo a Defesa Civil do Estado, 14 dos 62 municípios estão em Situação de Emergência, 30 em Alerta e 17 em Atenção. Os dados foram atualizados nesta quinta-feira (8).
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) aponta que em Manaus, o Rio Negro deve alcançar cerca de 28,91 metros, com probabilidade de ultrapassar a cota de inundação em 98%. A cheia do Rio Madeira intensificou os problemas logísticos e isolou municípios.

Foto: (Reprodução/Defesa Civil do Amazonas)
Humaitá é um dos municípios em Situação de Emergência. Entre as comunidades impactadas está Caiari, onde vive Adelaide Maciel, de 50 anos. Agricultora junto ao esposo, perdeu o único sustento, uma plantação de bananas após a cheia na região.
O casal atuava no garimpo e usava a balsa como abrigo, colocando móveis e itens de valor até que a água baixasse, mas após uma operação da Polícia Federal, a balsa foi queimada e atualmente estão morando na casa que está alagada.
“Os bichos morrem tudo, não tem como a gente suspender. Quando tínhamos a balsa, conseguíamos salvar, mas eles queimaram. (…) A gente fica desabrigado, as casas alagam tudo e temos que viver dentro da água,” disse a moradora.

Adelaide Maciel -Foto: (Arquivo pessoal)
Segundo Maciel, atualmente o casal vive o benefício que recebe do governo federal e o apoio dado pelo município é irrisório se comparado à necessidade das famílias da comunidade.
“O que era para fazerem com ribeirinho, com os pobres que estão na beira do rio, que estão desabrigados? Vir visitar, ao menos visitar e trazer uma ajuda, um auxílio, alguma coisa, né? Porque muita gente não tem como comprar nem 1 kg de açúcar,” disse.
Para receber a cesta básica fornecida pela prefeitura e pelo governo do estado, os moradores de Humaitá afirmaram à reportagem que é preciso apresentar um documento de identificação, “quem não tem CPF fica só olhando”.
“Muitas pessoas aqui não receberam, a viagem passada em que eles vieram deixar a cesta básica, porque não tinha CPF, não estava na hora, se não tiver o CPF, não recebe,” disse a moradora.
Na comunidade de Lavras, que fica há 11 horas de viagem de barco da cidade, residem nove famílias que atuam com agricultura familiar.

Carla Priscila Almeida – Foto: (Arquivo pessoal)
Carla Priscila Almeida reside na região há 20 anos com a família. Em seu terreno, havia plantações de banana, açaí, cacau, cupuaçu, caju e graviola, tudo foi levado pela cheia que começou em fevereiro.
“Plantamos mais de 1.500 pés de banana, veio a natureza e acabou com tudo, não temos do que tirar nosso sustento,” disse a dona de casa.
A ribeirinha destacou ao Portal AM1 que quando a água abaixar o objetivo da família é retomar a plantação de bananas.
“A gente não vai desistir de plantar, é o único meio que temos. E a gente vai plantar, para ela dar, para gente começar a colher é mais de 8 meses,” pontuou.
Carla Priscila recebeu a cesta básica ofertada pela prefeitura de Humaitá, mas para ela, os itens foram insuficientes e acabaram em menos de uma semana, além disso o município não distribuiu água para os moradores isolados. Os galões de água recebidos pela moradora foram doados por uma igreja católica de Porto Velho.
O que veio na cesta?
- 3 kg de arroz;
- 2 kg de açúcar;
- 2 pacotes de café;
- 2 pacotes de macarrão;
- 1 de feijão;
- 1 de farinha;
- 1 lata de óleo;
- 1 pacote de leite; e
- 1 pacote de charque.
Orlandino Maciel reside na mesma comunidade que Adelaide, há quatro meses enfrentando a cheia, o morador destaca o descaso da prefeitura de Humaitá.
“Recebemos a cesta básica do prefeito, a média de 15 kg, e e essa bem maior do governo que veio também para para o município, que era 21 kg. Para quem está a 4 meses em cima de água sem fazer nada, o que que é uma cesta básica?” pontuou o ribeirinho.
População ribeirinha em abandono?
As ribeirinhas afirmaram ao Portal AM1 que as autoridades que deveriam levar apoio às comunidades isoladas, “ninguém veio saber o que estamos precisando”.
“A gente não só come, a gente veste, a gente adoece, precisa ir na cidade, porque meus filhos moram para lá, então precisa de dinheiro para pagar passagem. Eles não vieram aqui nem procurar saber o que a gente tava passando,” lamentou Almeida.
Segundo a moradora de Caiari, a situação dos moradores é difícil pois “o prefeito só aparece em época de eleição”.
“É triste a situação da beira do rio. Nós não temos prefeito, o prefeito não aparece e só aparece quando a época da eleição, que ele quer um voto. Para ver um candidato, um prefeito, só vê na época da eleição, que eles estão fazendo campanha”.
A reportagem questionou o prefeito, José Cidenei sobre a real situação de Humaitá e o que de concreto já aconteceu na região após o decreto de situação de emergência. Até a publicação deste material, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
LEIA MAIS





