Foto: Divulgação/ Arquivo/ MPAM)
Brasília (DF) – Decreto de emergência, bairros alagados e famílias abrigadas em quadras esportivas. Esse é o cenário atual de Humaitá, município localizado a 675 quilômetros de Manaus. A cidade enfrenta alagamentos provocados pelas fortes chuvas e pela cheia do Rio Madeira.
Segundo a prefeitura, os bairros Santo Antônio, Matinha, São Francisco, São Cristóvão, Olaria, São Sebastião e Nova Esperança foram diretamente atingidos pela cheia.
O governo federal já reconheceu a situação de emergência, mas os “recursos” ainda dependem da aprovação de um plano de trabalho. O documento foi enviado à União, porém o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional solicitou ajustes.
À reportagem, o prefeito José Cidenei Lobo (União Brasil) afirmou que o plano inclui pedidos de combustível, água potável, cestas básicas e outros itens essenciais para ajuda humanitária. A previsão é que o apoio federal dure apenas dois meses.
Profissionais de saúde, como enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais também estão atuando nas regiões afetadas. Além disso, o Exército Brasileiro cedeu barracas para abrigar as famílias.
“Estamos com algumas famílias nas quadras cobertas de Humaitá, por exemplo, no bairro da Matinha, com barracas para aloja-los, banheiro, e também entramos com a alimentação, café da manhã, almoço e janta,” disse o mandatário.
Humaitá está debaixo d’água

Foto: (Arquivo pessoal)
Raimunda Peixoto, que mora em Manaus, viajou até Humaitá para visitar a mãe, de 94 anos, mas foi surpreendida pelos temporais.
Há uma semana na cidade, a vice-presidente da Associação Amigos da BR-319 afirmou ao Portal AM1 que “Humaitá está debaixo d’água”. Apesar da situação crítica, ela reconheceu os esforços da prefeitura para manter os serviços funcionando, mesmo diante dos alagamentos.
“Muitas ruas alagadas, interditadas, as que estão na beira do rio estão praticamente todas interditadas, chuva todos os dias,” disse Peixoto.
A visitante relatou que a prefeitura está colocando pedra ‘rachão’ nas ruas alagadas para facilitar a passagem dos veículos. No entanto, moradores que não estão acostumados com esse tipo de material têm reclamado.
“Se não fosse esse rachão que ele está colocando… O povo reclamou logo que ele colocou os rachões, pelo fato de estarem soltos, sem compactação. Inclusive, passei por um ontem, perto da feira, e ele já estava compactado. Comentei, na época das reclamações, que era preciso esperar, pois tudo iria melhorar”, pontuou Peixoto.
Localizada na orla de Humaitá, a Catedral Nossa Senhora Imaculada Conceição, um dos principais pontos turísticos da região, teve a pista inferior completamente submersa pela água do Rio Madeira. Um vídeo enviado à reportagem mostra o local há uma semana, já com parte da rua alagada. Confira:
Escolas paradas e perda das plantações
A cidade suspendeu a rotina escolar após o alagamento de unidades de ensino localizadas próximas à Várzea do Rio Madeira.
“São mais de 20 colégios ao longo da várzea. Estamos com as aulas totalmente paradas porque todos foram alagados. Além disso, quando a água baixar, teremos o prejuízo de precisar revitalizar toda essa estrutura”, explicou o prefeito Dedei Lobo.
Conforme o chefe do executivo municipal, a cheia também afetou a produção agrícola da região. Toda a plantação de mandioca, banana e outros cultivos realizados por agricultores ao longo do rio foi perdida.
“O grande prejuízo é do agricultor familiar que mora ao longo do rio, pois perdeu toda a sua produção e não vai ter semente nem para plantar depois,” disse Lobo.
Ao ser questionado sobre o apoio dos deputados federais ao município, o prefeito citou apenas o deputado Silas Câmara (Republicanos). Segundo o parlamentar, o governo estadual tem feito um esforço para auxiliar a região, mas Lobo afirmou que ainda não recebeu nenhum apoio oficial.
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