Foto: Danilo Mello/Aleam
MANAUS, AM – Mais um gasto curioso deve ser realizado pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), desta vez, o Parlamento estadual deverá desembolsar mais de R$ 9.389.228 para comprar móveis diversos. A ata de registro de preço reúne mais de 100 itens, alguns, inclusive, com valores curiosos, como por exemplo, uma lixeira de R$ 3.700. Enquanto a Aleam se empenha em destinar o orçamento para gastos sem justificativa, servidores da Casa cobram reajuste de salários congelados.
Na edição 1790, do Diário Oficial da Assembleia divulgada nesta terça-feira (23), a Assembleia homologou as empresas RICARDO TAKASHI YAMASHITA – EPP (TECHLINI) e MOBILE COMÉRCIO DE MÓVEIS EIRELI como as vencedoras do pregão eletrônico 09/2021 para a eventual aquisição e instalação de material permanente como mobiliário convencional, mobiliário modulado, divisórias, assentos, persianas e cortinas.
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Os valores registrados no documento, no entanto, chamam atenção logo no primeiro item: uma lixeira do tipo cesto cilíndrico, com diâmetro 395 mm e altura 789 mm vai custar à Aleam em torno de R$ 3.700,00, sendo que, quatro lixeiras deste mesmo tipo constam no registro, ou seja, somente nesse item será gasto o valor de R$ 14.800,00.
Outro item com valor curioso é uma floreira – vaso usado para armazenar plantas. O item aparece pelo menos quatro vezes no documento com descrições diferentes e deve ser adquirido por valores que variam entre: R$ 4.140,00 até R$ 7.300,00.
Se considerada a quantidade de 18 floreiras prevista no documento, a Assembleia legislativa vai desembolsar, pelo menos, R$ 110.100 para adquirir apenas o item de jardinagem.
O edital reúne outros itens como mesas, cadeiras de escritório, armário para armazenamento de comidas, armários de escritório e estações.
Questionado pela equipe de reportagem sobre o gasto, o deputado Serafim Correa afirmou que desconhece a licitação e considerou que não tem propriedade para comentar o assunto.
“Eu não sei dessas compras, garanto que não comprei vaso de plantas algum, as melhores pessoas para comentar isso são os representantes da Mesa Diretora. Acredito que eu sou a pessoa errada para comentar esse assunto”, disse.
Semanas atrás, Serafim usou a tribuna, por dois dias seguidos, para repudiar e apresentar barreiras na construção de um muro no Tribunal de Contas do Amazonas (TCE). Segundo o parlamentar, o custo do muro seria R$ 7 milhões, ‘gasto desnecessário para tal construção’.
Também questionado pela equipe, o deputado Dermilson Chagas defendeu que existe a necessidade de trocar os móveis dos gabinetes parlamentares; porém, considerou que os preços de alguns itens poderiam ser menores.
“Eu confesso que não tive acesso a essa licitação, então, não sei sobre os preços; acredito que ela precisa ser estudada, porque com certeza tem lixeiras mais baratas. Agora, os gabinetes precisam de móveis novos; isso é indiscutível. Os móveis da minha sala, por exemplo, estão acabados, precisa existir uma troca”, comentou Chagas.
Procurados pela equipe de reportagem, o presidente da Casa, Roberto Cidade (PV) e seu vice-presidente, Carlinhos Bessa (PV), não deram explicações a respeito dos gastos. O Portal Amazonas1 reafirma o interesse de esclarecer a necessidade de adquirir os itens mencionados na matéria.
Salários e servidores
Enquanto Roberto Cidade autoriza a compra milionária, os servidores da Assembleia questionam, de forma interna, a necessidade de adquirir os itens por valores exorbitantes. Uma servidora, que não quis se identificar, ressaltou que o valor poderia ser convertido para reajustar os salários dos profissionais estatutários da Casa.
“Todo ano os salários dos servidores devem ser reajustados, mas entra presidente e sai presidente e eles só ajustam o valor do ticket de alimentação. Por que não usar esse valor para reajustar salários? Tem dinheiro para comprar móveis, mas para os servidores não tem? A verdade é que os deputados não gostam de servidores estatutários, porque nós fazemos apenas o que é da nossa competência!”, revelou.
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