Manaus, 23 de julho de 2026
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Manaus, 23 de julho de 2026

Brasil

Cidades têm novos médicos, mas já notam desistências

A desistência de brasileiros preocupa secretários municipais de Saúde

(Foto: Divulgação)

Profissionais brasileiros inscritos no novo edital do programa Mais Médicos começam a ocupar as vagas deixadas pelos cubanos, mas desistências já preocupam os municípios. Na segunda-feira, 26, 224 brasileiros se apresentaram às cidades onde irão trabalhar, segundo o Ministério da Saúde.

A médica brasileira Carolina Serafim da Silva, de 27 anos, foi uma delas. Nesta terça, começou a trabalhar no Jardim Tatiana, em Votorantim, interior de São Paulo. Carolina substitui uma médica cubana chamada de volta à ilha. Pelo menos 1.307 cubanos que atuavam em 733 municípios já deixaram o País, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). No total, o programa tem 8,3 mil médicos do país caribenho.

“Encaro como uma oportunidade, pois penso em me especializar em Medicina da Família. É também um desafio porque sei que há uma expectativa grande em relação ao nosso trabalho”, disse Carolina Quatro mil moradores estarão sob os cuidados da profissional. Ontem, a professora Claudia Ferreira, de 47 anos, foi conhecer a nova médica e aproveitou para medir a pressão. “Espero que ela tenha o mesmo pique da doutora Liliana, a cubana que nos deixou. Com ela, o atendimento melhorou muito.” Saiu animada. “Ela é simples como a gente, muito simpática. Acho que vai ser uma continuidade.”

Segundo o secretário municipal de Saúde, Joel Anunciato, há ainda uma vaga aberta em Votorantim por uma brasileira que se desligou do programa antes do fim do contrato.

Desistências

Já em Cosmópolis, também no interior paulista, dos sete médicos aprovados para preencher as vagas deixadas pelos cubanos, só três estão disponíveis para iniciar o trabalho. Segundo a prefeitura, três desistiram antes de “tomar posse” e um não se apresentou. “Estamos tentando contato com o profissional designado ao município que ainda não se apresentou e já pedimos a reposição dos que desistiram”, disse a administração de Cosmópolis.

A cidade tinha oito médicos de Cuba – sete deles voltaram. Um dos cubanos fez o Revalida, exame de validação do diploma obtido no exterior, e foi aprovado. O Estado tentou contato com os desistentes, mas eles não quiseram dar entrevista.

A desistência de brasileiros preocupa secretários municipais de Saúde. Para cobrir as vagas de cubanos, principalmente em áreas afastadas, o Ministério da Saúde estuda deslocar profissionais que já atuam no programa para essas regiões.

Em Contagem, na Grande Belo Horizonte, a expectativa era de receber cinco inscritos na nova etapa do programa, mas dois desistiram. Outros três devem começar na semana que vem, segundo a prefeitura. Um posto em Nova Contagem, um dos bairros mais carentes da cidade, só contava com um médico, cubano, e agora está sem profissionais. Vinte e duas pessoas deixam de ser atendidas diariamente, conforme a prefeitura.

A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo informou que já tem os nomes dos 78 profissionais que se inscreveram para trabalhar na rede local. Eles vão se apresentar no dia 3.

O Ministério da Saúde informou que adota medidas “para garantir a assistência”. Um balanço sobre o novo edital do programa deverá sair no dia 18. “Em caso de desistência, a vaga será disponibilizada numa possível segunda etapa de edital.

*Informações retiradas do Estadão