Marcel Alexandre quer trocar CMM por Brasília, alinhado a Bolsonaro: ‘a gente sonhou com isso’

Vereador do Avante diz ao Portal AM1 que priorizar família deve ser uma das pautas na Câmara Federal
DA REDAÇÃO – PORTAL AM1
Publicado em 04/07/2022 14:20
Foto: reprodução/ rede social

Marcel Alexandre é vereador de Manaus desde o ano de 2008 e atualmente é pré-candidato ao cargo de deputado federal pelo Avante. O parlamentar é casado, formado em Teologia, possui especialização em Educação e Filosofia e é apóstolo do Ministério Internacional da Restauração (MIR).

Em conversa exclusiva com o Portal AM1, o vereador e pré-candidato a deputado federal falou o motivo de entrar na disputa por uma vaga na Câmara Federal, enfatizando que lutará pela sua fé, ideologias e por um país melhor, que tenha um povo que não seja proibido de expressar sua fé e tenha garantida a sua liberdade de expressão.

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Durante a entrevista, o parlamentar falou também sobre sua relação com o prefeito de Manaus, David Almeida. Marcel afirmou que vê no prefeito uma pessoa que persegue o ideal de prestar um serviço de gestão pública com qualidade e frisou que o espírito cristão e a fé são pontos que unem ele e o chefe do Executivo Municipal.

AM1: O senhor é pré-candidato ao cargo de deputado federal pelo Avante. Fale um pouco como foi essa decisão em concorrer a uma vaga na Câmara Federal:

Marcel: Na verdade, nós entramos na política ‘casado’ com a nossa liderança cristã, ligado à igreja e a gente sempre procurava alguém para nos representar [..] durante esse processo, a gente via que a pessoa não correspondia ao que nós gostaríamos que nos representasse. E depois de muitas tentativas, então a direção da nossa liderança cristã entendeu que deveria enviar alguém de ‘dentro’ e eu fui escolhido para isso.

Quando eu entrei na Câmara (Municipal de Manaus), eu percebi que as leis e o poder da lei estão no Congresso. Então, nós deveríamos e poderíamos contribuir com leis que estivessem mais próximo daquilo que todo brasileiro é, porque o brasileiro é cristão, ele é religioso, por essência, por natureza.

E a maior parte das nossas leis – combinando com o estado laico – tem sido gerado um certo dano em muitos aspectos, na fé do nosso povo e na representatividade das suas instituições. Ademais, a questão do interesse legítimo vota-se no discurso do palanque e tem-se um ”estranho no ninho” exercendo o mandato. Então, nós queremos aproximar mais a essência do que nós queremos como representatividade, com o discurso do palanque e a práxis na vida.

AM1: O vereador tem forte atuação no desenvolvimento de trabalhos sociais, voltados para a valorização da família, da infância, entre outros. Fale um pouco sobre isso:

Marcel: Tudo isso porque eu não acredito em uma nação, em um estado, em uma cidade, em uma geografia onde existam pessoas sem a família e uma família estruturada e organizada. Famílias organizadas, e já se tem isso até como modelo, estudo e percepção de sociedade, geram uma sociedade mais organizada e próspera. Famílias desorganizadas, embora tenha a tal da falsa liberdade que pensam que é a liberdade, gera muito estrago, muito dano e empobrece a sociedade sem o essencial da responsabilidade.

AM1: Hoje, o senhor faz parte da base aliada do prefeito David Almeida, inclusive é do mesmo partido dele. Fale um pouco sobre a sua relação com o chefe do Executivo Municipal:

Marcel: Na verdade, o David foi alguém que, ao longo dos mandatos de deputado estadual, como governador e outras tentativas que ele teve (para cargos eletivos), percebi a ‘agonia’ dele em prestar um serviço de gestão pública com qualidade e também com aquilo que muito me une a ele, que é o espírito cristão, a fé.

Então, quando eu sempre tive (oportunidade) de escolhas e também o nosso segmento na liderança cristã, sempre olhávamos e falávamos: “Vamos com tal governante” e não era por pessoa ou simpatia à pessoa, nós acreditávamos na fé pública daquela pessoa.

E eu acredito piamente se alguém tem espírito cristão legítimo, elevado, ele não vai usar a política para si mesmo, porque você não faz boa política quando você pensa em autobenefício, você faz boa política quando você pensa no próximo e você dá o melhor de si para o próximo com aquele princípio maravilhoso cristão do retorno: dar e lhe será dado. Eu vi isso no David, eu tive conversas com ele antes de efetivamente apoiá-lo e continuo apoiando, acreditando no projeto dele.

Passamos a ter a saúde básica número um do Brasil, eu participei e participo de várias reuniões dele. O sonho dele é ter a educação número um no Brasil, ele está conseguindo e vai dar muito mais destaque na saúde também quando ele transformar essas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) em pequenos hospitais, porque ele vai dar mais espaço, ele vai dar mais possibilidade de atividades para o bem do cidadão. Então, isso é espetacular para mim.

E outra coisa é como ele tem por natureza honrar e reconhecer o profissional, qualquer que seja o segmento. Então, nesse sentido, eu percebo que em pouco tempo, com muito menos recursos, devido à pandemia no ano passado, esse ano com um pouquinho mais (de recursos) ele tem feito um grande trabalho. Até a questão da infraestrutura, imagine que Deus abençoe que ele consiga concretizar as 10 mil ruas asfaltadas, se ele asfaltar as 10 mil ruas, no ano que vem acabaram-se os problemas de infraestrutura no item asfalto, porque uma das nossas maiores dificuldades é a mobilidade urbana.

Então, todo esse conjunto que ele representa de sonho, a garra dele me deixa à vontade e, por esses motivos, fui com convicção e vontade para o partido.

AM1: Agora queria que falasse um pouco como o senhor vê o cenário político atual, tanto no Amazonas como no Brasil:

Marcel: Olha, eu digo que é difícil e eu diria, talvez, que é o cenário mais difícil de enfrentar. Eu nunca pensei que a gente chegaria (sic). E há um apelo para novas lideranças nesse tempo, porque a gente precisa (sic) e eu percebo que o cidadão, o povo está sentindo isso, de que não dá mais para continuar numa mesma linha que estabeleça um antigo, deixar que o antigo volte. Queremos o novo, mas não experiente, um novo comprometido. Então, para mim é um grande desafio e nós, lideranças, quer seja liderança cristã, liderança empresarial. A sociedade que tem responsabilidade e dirige de alguma forma o cidadão, sentirá a responsabilidade pessoal de nesse momento a gente poder dar uma resposta. Embora, os nomes que se apresentaram aí, na política local, sinceramente, é um desafio.

Então, nós temos poucos nomes que apontam um caminho no sentido de tirar a gente da crise e tirar com a proposta de algo melhor; eu acho um desafio.

Por outro lado, a política está muito chacoalhada, abalada, porque ela está em transição com a chegada do Bolsonaro (Jair). Eu penso que o país não deveria arriscar nenhum outro ato de descontinuidade, porque se a gente chega a um governo federal, onde no terceiro ano o chefe do governo federal põe todos seus ministros e expõe, põe a placa lá: ‘Três anos sem corrupção’, é muita ousadia, tendo todo um megassistema contra ele.

Então, isso é uma oportunidade que a gente não pode perder, quando a gente pensa que a gente sonhou o tempo todo com isso, pode não ser o ideal de que se imagina, mas está no caminho. A gente não pode sair dessa transição, a gente está numa transição e ela está incomodando e abalando muito, chacoalhando, mas imagine alguém que sai, tira a sociedade de um meio que o famigerado, era uma ajuda, mas um Bolsa Família de R$ 100, foi para R$ 400 e agora vai ter um esforço para R$ 600, então com isso você está mexendo com melhor distribuição de renda e tirando as pessoas da pobreza, da miséria e da ruína que o brasileiro vive. Num momento em que o país não está produzindo tanto porque falta a matéria prima por uma questão mundial e internacional. Não é uma falta de privilégio brasileiro, é uma crise que envolve um quadro nacional. E aí, a partir do que está se fazendo nacionalmente, esse eixo desejado que a gente quer é: ‘Um país sem corrupção, que respeite a liberdade de religião, a liberdade de imprensa, a liberdade de comunicação, a liberdade de expressão’ uma vez que 89% da sociedade brasileira é cristã, acredita em Deus. Eu tenho essa fé como bandeira e a vontade de alimentar essa garra no povo brasileiro com políticas públicas que favoreçam a fé, políticas públicas que deem de verdade liberdade para as pessoas e um país sem corrupção.

A gente precisa seguir isso e está sendo um grande desafio, porque eu percebo que parte da sociedade quer uma solução imediata para alguma coisa que o mundo todo está sofrendo. Então, a gente está naquele momento de ”muita calma nessa hora” para saber tomar decisões.

AM1: Sobre o seu mandato, quais ações, projetos o senhor pode destacar?

Marcel: A questão das leis é muito importante, mas para além das minhas leis, eu fui líder do prefeito Artur Virgílio e tem as emendas que temos direito por força de lei, como uma forma de opinar na gestão a isso trouxe significativos resultados.

Então, todo esse contexto eu já fui oposição, mas uma oposição muito consciente e não oposição ao projeto político, nem à cidade, uma oposição à idéia, porque não me representava como proposta inicialmente, mas que eu pude dar muita contribuição.

Fui o relator da CPI das Águas, que foi um grande desafio, um escândalo, uma vez que a cidade de Manaus, à beira do maior rio do mundo, tinha problemas de abastecimento. Então, são coisas que vão para além de mim, no mandato de vereador e eu me estendo nos assuntos por causa da liderança cristã também, porque fico tomando conhecimento. E neste sentido, quero ampliar o mandato para a Câmara Federal, porque você fica do tamanho do país, você não tem restrições, nem ninguém lhe critica porque está se metendo na área ou numa competência que não é sua. Isso é algo extremamente importante para mim.

A minha lei que oferece reforço escolar, eu acredito que ela é uma lei importantíssima e agora, na época da Covid-19, ela se tornou mais importante, porque houve uma baixa no rendimento, no aproveitamento dos alunos.

Outra lei que posso destacar é que atualizou e modificou a nossa proposta pública de informática, que era antiga. Também tivemos propostas de inclusão de disciplinas curriculares. Você imagina que tiraram a História do Amazonas do currículo? Como é que a pessoa vai estudar e não vai ter conhecimento da história do seu povo? Isso fará a pessoa perder o marco, perder a referência.

A questão de lidarmos com o sagrado direito de ir e vir do cidadão, encontrar espaços como estacionamento, que virou uma indústria. Como é que pode alguém querer oferecer comércio e o cliente ter que pagar o estacionamento para alguém que deveria ter a obrigação de dar a ele condições de estar naquele estabelecimento, uma vez que o cidadão já paga seus impostos. A questão de pagar estacionamento é algo que precisa ser revisto, porque tirar dia a dia do seu recurso para pagar um estacionamento vai afetar na renda mensal do cidadão.

Para mim, a maior lei é a Lei do Orçamento, que a gente participa e agora a gente tem as emendas que podem ajudar aquelas entidades do terceiro setor – que é o braço mais profundo do Poder Público. As emendas atingem as pessoas de imediato, naquilo que o Poder Público não consegue porque é limitado.

 A minha grande luta, e me orgulho dessa luta, é a questão da ideologia de gênero. Eu não posso admitir que crianças sejam ideologizadas, principalmente na questão que mexe no seu eixo existencial e relativizar valores absolutos, naturais e biológicos na vida do ser humano. Então, essa luta contra cartilha apelidada de ”cartilha gay”, que pensam que é uma contribuição para um melhor relacionamento, não tem contribuição de relacionamento senão o ensino de respeito, que começa dentro de casa e se os pais não ensinam a respeitar e relacionar-se, não acredito que o professor na escola seja a origem disso, até porque nos meus experimentos que fiz e acompanhamento, o que estava havendo era militância. Então é isso aí, eu sou radicalmente contra e digo mesmo radicalmente, com letras garrafais contra a ideologização das crianças.  

A criança tem que ter educação básica, sendo conduzida ao médio e ao superior e então nas academias, eles podem freqüentar os laboratórios de ciência e as experiências que são diferentes nos seus conceitos mais profundos

Eu tenho uma forte vocação para o social. De verdade, eu acho que eu sou uma pessoa difícil de se moldar a um princípio puramente político, porque eu sou daqueles que gastam o meu dinheiro todo no serviço público. O que tem que pode fazer? Eu vejo tanta gente com fome. Então, por exemplo, agora está vedada as cestas básicas e pelo amor de Deus, esquece que eu estou querendo voto porque estou dando uma cesta básica, não é isso não, o povo está passando fome mesmo.

Na época que faltou oxigênio, eu fui para a rua atrás de oxigênio, consegui onde tinha. Paguei R$ 5 mil em uma carga de oxigênio, eu não sei quem utilizou, mas sei que a pessoa se recuperou e eu fui um instrumento para isso. Então, esse espírito de serviço que eu herdei dos meus ensinamentos cristãos me acompanha nos meus projetos e nas minhas ações como político.

Foto: Divulgação

AM1: Se obter êxito na disputa por uma cadeira no Congresso, quais serão suas prioridades?

Marcel: Número um de verdade é a família, olhar, a visão de família é muito ampla. Em seguida, quando olho para essa família, eu quero olhar também essa questão de ideologização que o país está passando, esse esquerdismo doentio que é imposto por altos poderes da nossa nação, além dessa cassação do direito de pensar e da liberdade das pessoas. Isso precisa ser revisto, eu quero me unir a quem está pensando em dar ao brasileiro a liberdade que o brasileiro sempre teve. Tínhamos liberdade e hoje o brasileiro não pode brincar, está proibido brincar. A gente está indo para uma vida muito sem graça, não é?

A questão do emprego e renda também é fundamental nesse tempo. A gente precisa manter esse modelo exitoso da Zona Franca de Manaus, do Distrito Industrial, mas investir também nas novas matrizes de desenvolvimento econômico.

Eu quero poder, de alguma forma, contribuir positivamente na Lei de Diretrizes, observar a questão dos desafios regionais – que é o grande desafio da mentalidade do público, dos representantes da política federal, porque é um tal de puxar brasa, puxar a sardinha, esquecendo que a nossa grande ‘sardinha’ é o Brasil.

Eu quero dar condições de governabilidade para o governo federal – que eu vou apoiar, porque é horrível você ter um governo que você apoia, sonha, a pessoa quer desenvolver um projeto, mas a oposição, o contrário extrapola o interesse público. Há um fanatismo, uma loucura, uma vaidade pessoal de mandato pessoal, como se adquirisse um poder próprio e a gente é apenas representante.

Embora eu tenha sonhos gerais da minha percepção, na minha leitura política, o representante é aquele que fala, luta e projeta em nome do povo que ele representa, se importa com as necessidades do povo. Acho que esse deveria ser o grande sonho de todo político, ser, de verdade, um representante.

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