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Comércio usa delivery para driblar lockdown

Comerciantes usaram o serviço de delivery como estratégia para driblar o lockdown que entrou em vigor em Santo André (ABC)

Comércio usa delivery para driblar lockdown
Foto: Reprodução

Comerciantes usaram o serviço de delivery como estratégia para driblar o lockdown que entrou em vigor em Santo André (ABC) às 21h deste sábado (27). Em cerca de duas horas, a reportagem flagrou dezenas de motoboys circulando pelas principais vias da cidade da região metropolitana.

Leia mais: Combate rigoroso à pandemia pode melhorar economia, sugerem dados

Segundo a Prefeitura de Santo André, gestão Paulo Serra (PSDB), somente farmácias e unidades de saúde podem funcionar no município entre as 21h e as 4h. A medida vale deste sábado até o próximo dia 7. Além de Santo André, outras quatro cidades do ABC adotaram lockdown noturno, mas com regras diferentes. As cidades decidiram adotar medidas mais duras após o aumento nas internações por Covid-19.

Na primeira hora do lockdown, circulando pela avenida Portugal, uma das principais da cidade, a reportagem flagrou, em cerca de dois quilômetros, cinco comércios ainda abertos, sendo um restaurante de esfihas, duas pizzarias e duas hamburguerias.

Todos os estabelecimentos estavam em pleno funcionamento, entregando produtos a motoqueiros, que os levariam aos clientes.

“A gente está entregando somente por pedidos de aplicativos, vamos fazer isso até umas 22h30”, afirmou uma funcionária de hamburgueria, sem saber que falava com a reportagem.

Outros também descumpriram as medidas, garantindo a entrega irregular de produtos até perto da meia-noite deste sábado (27), quando a reportagem ainda permanecia na cidade.

Conhecido ponto boêmio de Santo André, a rua das Figueiras estava praticamente deserta, por volta das 22h40, não fossem três pizzarias que mantinham seus fornos em pleno funcionamento, abastecendo caixotes de motoqueiros, para entregas à domicílio.

Ainda na rua das Figueiras, um motoqueiro abastecia seu veículo, por volta das 22h50, em um posto de combustíveis, também proibidos de abrir após as 21h.

Outro posto de combustíveis, já na avenida Pereira Barreto, também descumpria as restrições impostas pela prefeitura, ao abastecer três carros, por volta das 23h.

Sem transporte A circulação de ônibus municipais também está proibida em Santo André a partir das 22h durante o lockdown.

Sem saber disso, a atendente de farmácia Camila Lima da Silva, 27 anos, aguardava impaciente um ônibus, por volta das 22h20, para voltar para casa, em Diadema, cidade do ABC que também decretou lockdown neste sábado.
“Estou sabendo por vocês [reportagem] de que não estão passando ônibus depois das 22h. Vou ter agora que pedir, se tiver, algum carro de aplicativo e ir para casa”, afirmou.

A atendente disse discordar do lockdown, alegando que a medida não impede de as pessoas se aglomerarem na casa de amigos, por exemplo. “Como dá para ver, não para de circular carros”, disse, se referindo à avenida Ramiro Colleoni, onde se localiza o ponto de ônibus onde conversou com a reportagem.

Paulo Serra (PSDB), prefeito de Santo André e presidente do Consórcio Intermunicipal Grande ABC afirmou que na quinta-feira (4) haverá uma reunião para avaliar o andamento dessas novas regras e os indicadores de saúde dos municípios do ABC que aderiram ao lockdown (Diadema, São Bernardo do Campo, Mauá e Rio Grande da Serra).
Se as medidas não estiverem surtindo o efeito desejado, segundo ele, a possibilidade de restringir ainda mais a quarentena no ABC não está descartada.

Blitz com triagem em São Bernardo Em São Bernardo do Campo, a GCM (Guarda Civil Municipal) montou barreiras sanitárias em pontos estratégicos de acesso ao município. A previsão é que os bloqueios ocorram das 22h às 4h.
Em um deles, na avenida Piraporinha, de 300 veículos que tentaram entrar na cidade, das 22h até por volta da meia-noite, somente nove foram liberados. “Quem quer entrar na cidade precisa justificar os motivos. Os nove carros que liberamos, até o momento, foram casos de emergência médica”, disse o GCM João Filho.

O guarda afirmou que, entre as emergências, havia uma mulher em trabalho de parto, além de um idoso retornando para casa após alta médica.

Entre os argumentos usados por pessoas que tentaram entrar na cidade, mas tiveram o acesso impedido, estava a necessidade de ir à rodovia Anchieta, que dá acesso a Santo André e São Caetano. “Para essas pessoas, indicamos outros caminhos, que não passam por São Bernardo”, disse o GCM.

A reportagem esteve na avenida Sete de Setembro, no centro de Diadema, e não havia praticamente ninguém na rua. A avenida Robert Kennedy, em São Bernardo, guardas faziam uma barreira sanitária, mas também não havia movimento. Na avenida Prestes Maia, na mesma cidade, todos os comércios estavam fechados.

“Toque de restrição” Nesta sexta-feira (26), começou no estado de São Paulo o chamado “toque de restrição” pela gestão João Doria. Segundo o governo, das 23h às 5h, a fiscalização para evitar aglomerações será ampliada. Porém, na primeira noite, ambulantes atraíram aglomerações e restaurantes e bares da capital paulista descumpriram o horário de funcionamento.

(*) Com informações da Folhapress

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