Manaus, 6 de julho de 2026
×
Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Condenações somadas de dois envolvidos no Massacre do Compaj superam 100 anos de prisão no AM

Os réus foram responsabilizados por homicídios, tortura e participação em facção criminosa.

construcao

Massacre do Compaj (Foto: Reprodução/ Polícia Civil/Câmera de segurança)

Manaus (AM) – Uma decisão da Justiça do Amazonas sentenciou Anderson Silva do Nascimento e Geymison Marques de Oliveira a penas que, juntas, ultrapassam 100 anos de prisão, a serem cumpridas em regime fechado. A condenação refere-se aos crimes cometidos durante o episódio conhecido como “Massacre do Compaj”, ocorrido em 2017 no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, que terminou com a morte de 56 detentos.

Os dois são os primeiros réus a receber sentença no processo que apura as responsabilidades pelo caso. As demais ações penais devem ser levadas a julgamento pela 2.ª Vara do Tribunal do Júri ao longo de 2026.

As decisões judiciais foram divulgadas na última quinta-feira (15) e detalham penas distintas para os dois condenados. Anderson Silva foi sentenciado a 109 anos e 10 meses de prisão, enquanto Geymison Marques recebeu pena de 11 anos e nove meses.

Os réus foram responsabilizados por uma série de crimes praticados durante o episódio no Compaj, incluindo dezenas de homicídios qualificados associados à disputa entre facções, com emprego de extrema violência e impossibilidade de defesa das vítimas.

As sentenças também reconhecem tentativas de homicídio, atos de vilipêndio de cadáver ligados a esquartejamentos e decapitações, além de práticas de tortura anteriores às mortes e a participação em organização criminosa, evidenciada pela atuação estruturada em uma facção.

Geymison Marques acompanhou o julgamento por videoconferência, após a defesa alegar que ele vinha sofrendo ameaças de morte, o que teria impedido a presença física no plenário. Já Anderson Silva, que já se encontrava preso, esteve presente durante a sessão do júri realizada no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis. Com a decisão condenatória, a 2.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus determinou a expedição do mandado de prisão.

Iniciado em 9 de dezembro de 2025, o julgamento se prolongou por cinco dias consecutivos, sendo concluído em 13 de dezembro. As sessões foram conduzidas por um colegiado formado por três juízes e tiveram a participação de quatro membros de Justiça do Ministério Público do Amazonas, além das equipes de defesa, dois defensores públicos e um advogado.

A ação inaugura uma série de 22 processos que apuram responsabilidades pelo Massacre do Compaj, ocorrido no sistema prisional amazonense. O episódio é apontado como o segundo mais letal já registrado em presídios no país, em número de mortos, atrás apenas do caso do Massacre do Carandiru.

LEIA MAIS