Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Coronel Rosses deixa CMM para ir aos EUA entregar gravata a Flávio Bolsonaro

Vereador chamou atenção ao se autodeclarar “anfitrião” da comitiva bolsonarista em Washington, mesmo sem possuir cargo diplomático ou qualquer função oficial no EUA.

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(Foto: Reprodução /Redes Sociais)

Manaus (AM) – O vereador Coronel Rosses (PL) decidiu trocar a tribuna da Câmara Municipal de Manaus por uma agenda internacional nos Estados Unidos. O parlamentar faltou à sessão plenária desta semana para participar de encontros políticos ligados ao bolsonarismo em Washington.

Nas redes sociais, Rosses afirmou ter sido o “anfitrião” do senador Flávio Bolsonaro, do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e da comitiva brasileira na capital norte-americana.

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A autodescrição, porém, levantou questionamentos e virou alvo de ironias nos bastidores políticos. Afinal, segundo o próprio significado da palavra, anfitrião é quem recebe convidados em sua casa, instituição ou evento oficialmente organizado por ele.

No caso de Rosses, o vereador não mora nos Estados Unidos, não possui qualquer função diplomática e tampouco exerce cargo ligado à Casa Branca ou ao governo americano que o credencie como responsável por recepcionar autoridades internacionais.

Ainda assim, o parlamentar declarou:

“Foi uma honra abrir as portas e acolher o senador Flávio, o Eduardo e toda a nossa comitiva aqui em Washington.”

A frase gerou estranhamento justamente pela ausência de qualquer papel institucional do vereador em território americano. Nos corredores da política amazonense, a fala foi interpretada mais como tentativa de autopromoção do que como descrição factual da agenda.

Durante o encontro, Rosses presenteou Flávio Bolsonaro com a tradicional gravata da chamada “bancada da bala”, afirmando representar parlamentares amazonenses alinhados à pauta armamentista e de segurança pública.

O vereador também exaltou um suposto “alinhamento estratégico internacional” após agendas dos irmãos Bolsonaro com o presidente Donald Trump. Segundo Rosses, os encontros colocariam Manaus “no radar das grandes decisões do partido”.

A declaração também provocou críticas por soar distante da realidade enfrentada pela população manauara, que cobra soluções mais imediatas para saúde, transporte, segurança e infraestrutura urbana, temas que deveriam ocupar a prioridade de um mandato municipal.

Outro momento que chamou atenção foi quando Rosses exibiu uma “challenge coin”, moeda comemorativa recebida por Flávio Bolsonaro, e disparou nas redes a provocação: “chupa petezada”.

O episódio reforça o tom cada vez mais ideológico e performático adotado por parte da ala bolsonarista, que transforma agendas internacionais em vitrines políticas enquanto atividades legislativas locais acabam ficando em segundo plano.

Mais uma vez o vereador deixa a cadeira vazia na Câmara Municipal de Manaus, dessa vez para posar como “anfitrião” em Washington, mesmo sem casa, cargo ou função que justificassem o título.

Desde sábado nos Estados Unidos, o vereador Coronel Rosses vem acumulando ausências nas sessões plenárias da Casa Legislativa de Manaus. Antes de aparecer em Washington ao lado de Flávio Bolsonaro, Rosses esteve no Texas, onde entregou uma placa de honra ao mérito ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Confira a matéria completa.

A assessoria do parlamentar informou ao Portal AM1 que a viagem é de caráter pessoal, custeada com recursos próprios e sem agenda oficial da Câmara Municipal.

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