Motoboy confessa na CPI da Covid ter sacado mais de R$ 4 mi na boca do caixa

Segundo as investigações da CPI, Ivanildo Gonçalves fez saques
Publicado em 01/09/2021 20:35
CPI
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

BRASÍLIA, DF – A CPI da Pandemia no Senado ouviu, nesta quinta-feira (1°) o motoboy Ivanildo Gonçalves, da VTCLog. Ele é apontado como o responsável por ter, a mando da empresa, sacado R$ 4,74 milhões, além de ter pago boletos direcionados ao ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias.

Ivanildo disse desconhecer a destinação dos valores e documentos que transportou para o Ministério da Saúde, confirmando idas à sede da pasta. No depoimento, o motoboy admitiu ter feito diversos saques e pagamentos em espécie na “boca do caixa”. A VTCLog é responsável pelo transporte de vacinas contra a covid-19, e é suspeita de ser beneficiada em um contrato com sobrepreço assinado pelo MS, avalizado por Roberto Dias.

Inicialmente, Ivanildo Gonçalves deveria depor na terça-feira (31). No entanto, na segunda-feira (30), o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o motoboy a não comparecer à Comissão. Ainda assim, Ivanildo foi à CPI nesta quarta, alegando que “poderia ser o final disso tudo”.

Leia mais: CPI mira na VTCLog, reconvoca motoboy e aprova quebra de sigilo da empresa

“Jornalistas e muitas pessoas estão na minha cola, então senti que hoje poderia ser o final disso tudo, porque não está fácil”, afirmou. “Estou aqui com a consciência limpa e dentro do meu conhecimento do que estava fazendo”.

Em um dos saques, Ivanildo diz ter retirado cerca de R$ 400 mil, na agência da Caixa Econômica do Aeroporto Internacional de Brasília, e diz não ter conhecimento da origem e destinatário dos valores. Quando não conseguia sacar na Caixa do Aeroporto, Ivanildo fazia o procedimento em uma agência do banco Bradesco no Setor Comercial de Brasília.

Ligação com Roberto Dias

Mesmo tendo feito transportes para o Departamento de Logística, Ivanildo disse não conhecer o ex-diretor de Logística do MS. Mesmo quando passou a fazer pagamentos para a empresa, o motoboy afirmou que nunca chegou a entregar dinheiro para ninguém. Durante seu depoimento no dia Roberto Dias chegou a ser preso pela Polícia do Senado no dia 7 de julho, durante seu depoimento.

O motoboy também confirmou ter ido ao Ministério da Saúde para “entregar um pen-drive” no 4° andar da sede da pasta, onde está localizado o Departamento de Logística. Lá, Ivanildo disse ter entregue o pen-drive para uma mulher, e confirmou que retornava à pasta para entregar faturas e protocolos de pagamentos realizados.

Durante a sessão, os senadores chegaram a aprovar requerimento para quebrar o sigilo de Ivanildo. O pedido também previa a busca e apreensão do celular do motoboy. No entanto, ele se negou a oferecer o aparelho à perícia do Senado.

Outros depoentes

Nesta quarta-feira, a CPI deveria ouvir o empresário Marcos Tolentino. Entretanto, Tolentino informou que passou por um mal-estar na terça-feira (31), e que estava internado no Hospital Sírio Libanês, para tratar sequelas da covid-19. Mesmo assim, o site O Antagonista publicou uma entrevista com Tolentino, gravada na noite de terça-feira.

Na quinta-feira (2), a Comissão também ouviria Marconny Faria. Ele é apontado como uma espécie de lobista, que privilegiaria a Precisa Medicamentos junto ao Ministério da Saúde. No entanto, Faria também enviou um atestado médico para não comparecer à CPI.

(*) Com informações da CNN Brasil e da Agência Senado.

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