(Foto: Guilherme Fragas/Assessoria/AGIR)
Manaus (AM) – Funcionários terceirizados que atuam no Instituto Dona Lindu, unidade que integra o Complexo Hospitalar Sul, denunciam um cenário de colapso assistencial, precariedade no atendimento e sobrecarga de profissionais de saúde na rede pública do Amazonas. Os relatos, feitos com exclusividade ao Portal AM1, apontam falta de médicos, longas esperas por cirurgias e riscos diretos à vida de gestantes e bebês.
Segundo os denunciantes, há dias em que apenas quatro obstetras atendem todo o hospital, número considerado insuficiente para a demanda da unidade, referência em saúde da mulher. A situação se agrava, especialmente, durante os plantões noturnos.
“Eles trabalham sobrecarregados durante o dia e, à noite, querem dormir. Ou seja, de noite fica um colapso de médico aqui, não acha ninguém. Não querem fazer nada à noite para poderem ter o mínimo de descanso”, afirmou um dos terceirizados.
Ainda conforme o relato, a escassez de profissionais resulta em demora no atendimento, inclusive em situações de emergência. “Por isso está dando tanta repercussão na mídia sobre os casos que estão acontecendo”, completou.
Espera por cirurgias e desvio de função
Outro funcionário afirma ao Portal AM1 que pacientes chegam a permanecer mais de duas horas em sala operatória aguardando a presença de um médico para iniciar cirurgias. Em alguns casos, segundo ele, a equipe de enfermagem assume funções que não lhe cabem, devido à ausência de médicos.
“Quem está dando conta de tudo é a enfermagem. A equipe fica procurando médico dentro da unidade”, relatou.
O homem também denuncia que cirurgiões gerais estariam realizando procedimentos obstétricos, como cesarianas e curetagens, prática que, segundo o denunciante, é proibida e já foi alvo de notificações internas.
“Às vezes eles nem sabem o que estão fazendo, não sabem que fio usar, e a equipe de enfermagem e os instrumentadores precisam orientar. Se acontece alguma intercorrência obstétrica, eles não sabem como agir”, disse.
Falta de obstetras e impacto direto na assistência
De acordo com os funcionários, antes da mudança na gestão dos serviços médicos, quando a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) era responsável diretamente pelo serviço, atuava no local uma cooperativa de médicos do Amazonas, com no mínimo 12 obstetras por plantão.
Após a unidade passar a ser gerenciada pela Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir) para gerir o serviço, médicos de outros estados passaram a atuar na unidade, permanecendo períodos prolongados de 15 a 30 dias consecutivos, o que, segundo a denunciante, contribui para o esgotamento das equipes.
Óbitos fetais e repercussão
Questionados sobre o impacto prático desse cenário, os denunciantes foram diretos ao relatarem consequências graves.
“Casos de óbitos fetais pela demora no atendimento. Saíram várias matérias sobre esses casos”, afirmaram eles ao Portal AM1.
O grupo ressalta que a situação não é pontual, mas recorrente, e defende que os órgãos competentes sejam acionados para apurar possíveis irregularidades, incluindo o Conselho Regional de Medicina (CRM) e a própria Secretaria de Estado de Saúde.
Pedido de apuração
O Portal AM1 procurou a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e os órgãos de fiscalização profissional (Conselho Regional de Medicina do Amazonas e Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas), para esclarecimentos sobre as denúncias envolvendo falta de médicos, possível desvio de função, sobrecarga de equipes e impactos na assistência às gestantes atendidas no Instituto Dona Lindu. A reportagem ainda aguarda um retorno.
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