(Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos/ Deputados)
Manaus (AM) – Não é a primeira vez que o deputado federal Alberto Neto (PL-AM) se envolve em controvérsias relacionadas à divulgação de conteúdo falso nas redes sociais.
Desta vez, o parlamentar voltou a ser alvo de críticas após manter no ar uma publicação questionada publicamente, mesmo diante de alertas sobre sua veracidade.
A postagem, feita em 16 de dezembro no perfil do deputado na rede social X, permanece disponível. Nela, Alberto Neto compartilha uma imagem gerada por inteligência artificial segundo internautas, identificada como produzida pelo Gemini, ferramenta do Google, que associa Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado por supostas fraudes contra aposentados.
Na legenda, o deputado afirma que “documentos da Polícia Federal” mostrariam os dois viajando juntos, em primeira classe, rumo a Portugal.
“Atenção: Documentos da PF mostram: Lulinha e o Careca do INSS, juntos, na 1ª classe rumo a Portugal. E os pobres do INSS? Continuam esperando o dinheiro que foi ROUBADO”.
Usuários da plataforma apontaram que a imagem não corresponde a uma fotografia real e possui características típicas de material gerado por IA, incluindo marca d’água visível.


Após a publicação, internautas passaram a alertar publicamente que o conteúdo era falso. Comentários destacaram a ausência de fontes oficiais, a inexistência da imagem em investigações conhecidas e os riscos legais do uso de material artificial para associar pessoas a supostos crimes.

Apesar disso, o parlamentar não apresentou retratação, esclarecimento ou correção.
A conduta reacende discussões sobre o uso de desinformação por agentes públicos. Em manifestações nas redes, usuários questionaram o papel institucional de um deputado federal na disseminação de conteúdos não verificados e apontaram possíveis enquadramentos legais relacionados a crimes contra a honra.

O episódio também remete a um histórico recente. Em julho de 2022, Alberto Neto foi condenado pela Justiça a pagar indenização após divulgar uma imagem falsa atribuída a uma mulher relacionada à Chacina do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. A decisão reconheceu o dano causado pela circulação de informação inverídica.
Especialistas em direito constitucional e eleitoral avaliam que a divulgação deliberada de conteúdo falso por parlamentares pode gerar desdobramentos tanto no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados quanto na esfera judicial, a depender da caracterização do caso, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF).
Mesmo após os alertas públicos, o deputado manteve a postagem sem alterações. O conteúdo continuava disponível em suas redes sociais.
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