(Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
Manaus (AM) – A fala do deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), divulgada em vídeo nas redes sociais nesta sexta-feira (19), gerou forte repercussão e uma onda de críticas nos comentários. Embora o parlamentar tenha classificado as possíveis cassações de Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro como uma forma de “perseguição política” e tenha comparado o cenário atual a práticas autoritárias do passado, parte do público reagiu de maneira contrária, questionando tanto o conteúdo quanto o tom do discurso.
Entre as manifestações, internautas criticaram o que consideram uma tentativa de vitimização de parlamentares que, segundo eles, não estariam cumprindo adequadamente suas funções.
Comentários de usuários compararam a situação dos deputados com a realidade de trabalhadores comuns, argumentando que, em outras profissões, ausências prolongadas ou descumprimento de deveres resultariam em punições severas, como demissão por justa causa. Para esses populares, não haveria justificativa para tratamentos diferenciados a políticos eleitos.
“De novo meu amigo. Esses caras erraram. Se um trabalhador falta o serviço por muitos dias é demitido por justa causa. Então por que político tem que ser diferente”, disse um internauta.
Outro ponto recorrente nas críticas foi o uso de recursos públicos. Comentários destacaram o descontentamento com o pagamento de salários e benefícios a parlamentares que estariam fora do país ou afastados de suas atividades, reforçando a percepção de desigualdade entre representantes e representados. Confira:
- (Foto: Divulgação/Redes Sociais)
- (Foto: Divulgação/Redes Sociais)
Para esses internautas, o debate deveria se concentrar menos em narrativas de perseguição e mais na responsabilidade institucional, no respeito às regras e na transparência do exercício do mandato parlamentar.
O que disse Alberto Neto?
No vídeo, Capitão Alberto Neto afirmou que o Brasil estaria vivendo um momento de grave distorção institucional e comparou as possíveis cassações a práticas autoritárias do passado.
Segundo o parlamentar, “quando o Brasil viu deputados sendo caçados em série não foi em governos eleitos pelo voto popular, foi durante a ditadura militar”, ao citar o período do AI-5 como exemplo de repressão ao Congresso. Para ele, embora hoje não haja “tanques nas ruas”, haveria “canetas muito poderosas nas mãos de poucos”, produzindo, na prática, o mesmo efeito de intimidação e silenciamento.
O deputado também criticou duramente o papel do Judiciário e da Mesa Diretora do Congresso, afirmando que decisões estariam sendo tomadas sem o devido processo legal e legislativo. Na avaliação dele, mandatos conquistados com milhões de votos, como os de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, estariam sendo alvo de ações “políticas travestidas de jurídicas”.
“Quando o STF legisla, quando os juízes investigam, acusam e julgam, quando mandatos populares passam a depender do humor de tribunais, a nossa separação dos poderes vira ficção constitucional”, declarou.
Ao final, Capitão Alberto Neto reforçou o tom de alerta, dizendo que a democracia estaria sendo corroída de forma gradual. Ele afirmou que “não existe democracia onde juízes sem voto decidem o destino de milhões de eleitores” e classificou o cenário como a consolidação de uma “ditadura moderna, elegante e bem vestida”. Para o deputado, o silêncio do Congresso diante desse contexto seria um sinal grave de omissão, concluindo que “o silêncio nunca salvou a democracia”.
A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados deliberou pela cassação dos mandatos dos deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ). As decisões que formalizam a perda dos cargos foram publicadas nesta quinta-feira (18), em edição extraordinária do Diário da Câmara dos Deputados.
Os atos foram assinados pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), juntamente com o primeiro e o segundo vice-presidentes, Altineu Côrtes (PL-RJ) e Elmar Nascimento (União-BA), além dos secretários da Casa: Carlos Veras (PT-PE), Lula da Fonte (PP-PE), Delegada Katarina (PSD-SE) e Sergio Souza (MDB-PR).
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