(Foto: Kayo Magalhães /Câmara dos Deputados)
Manaus (AM) – Em meio ao debate sobre propostas que impactam diretamente o serviço público brasileiro, uma publicação do deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) nas redes sociais gerou repercussão além do tema original.
Ao comemorar a aprovação do Projeto de Lei da Dosimetria, o parlamentar teve sua postagem ocupada por comentários que cobravam um posicionamento sobre a PEC 38/2025, proposta de reforma administrativa em tramitação na Câmara dos Deputados.

Internautas ignoraram o entusiasmo do parlamentar e puxaram o debate para questionar o envolvimento do deputado com a PEC, da qual é um dos subscritores.
Um dos comentários mais longos e incisivos questionou diretamente a coerência do parlamentar.
“Nobre deputado. Vi que você assinou a PEC da reforma administrativa. Não continue nesse erro. Não destrua os serviços públicos e não favoreça a corrupção, perseguições e a rachadinha. Pensa um professor, um profissional do SUS e um policial, profissionais que ganham muito pouco, tendo 50% do seu salário cortado? (…) Educação forma as pessoas, profissionais da saúde salvam vidas e policiais defendem a sociedade e querem penalizar justo esses enquanto os supersalários e privilégios de 0,03% não serão modificados? (…) É não a essa reforma administrativa. Retire sua assinatura”.
A crítica sintetiza o temor de diversas categorias do funcionalismo público, que veem na PEC 38/2025 não um avanço em governança, mas um risco concreto de precarização dos serviços públicos essenciais. Outros comentários foram menos elaborados, porém igualmente duros no tom.
“Ele não se preocupa com isso não, nem perde tempo, a única preocupação dele é anistia, ele dorme e acorda pensando nisso, não faz nada da vida”.
Houve também quem ampliasse a crítica para além do deputado, questionando o próprio processo eleitoral e o perfil dos representantes eleitos.
“Esse tipo de gente só pensa neles… nós precisamos observar melhor quem escolhemos pra nos representar… esse tipo de gente vende a mãe pra se beneficiar e não pensa nos outros nunca, até porque eles dizem que pensar nos outros é coisa de comunista”.
Além das críticas gerais, profissionais do serviço público também utilizaram os comentários como forma de cobrar um posicionamento do deputado. Assistentes sociais relataram a defasagem salarial da categoria e defenderam maior valorização do trabalho exercido, destacando a importância da profissão para a execução das políticas públicas.
“Somos profissionais assistentes sociais e merecemos um salário digno das nossas responsabilidades. Muitos recebem apenas um salário mínimo por mês e somos essenciais para que as políticas públicas aconteçam”.
As cobranças ocorrem em um momento de avanço da pauta no Congresso Nacional. O Projeto de Lei nº 1827/2019, que cria o piso salarial nacional para assistentes sociais, foi aprovado na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara nesta quarta-feira (17/12). A medida ainda não conclui a tramitação, mas é considerada um passo relevante para a categoria.
Alberto Neto é um dos que subscreveram a PEC 38/2025, protocolada em outubro de 2025 com o apoio mínimo necessário para iniciar a tramitação.
A proposta prevê mudanças na administração pública, como avaliação de desempenho, restrição de benefícios e alterações nas regras do serviço público, com o objetivo de atualizar o modelo administrativo e enfrentar problemas de governança, gestão e estrutura das carreiras.
Muitos usuários afirmaram que a PEC 38/2025 não representa uma reforma administrativa voltada à melhoria dos serviços públicos, mas uma medida que, na avaliação deles, enfraquece princípios constitucionais e amplia a precarização do atendimento à população.
Os internautas também destacaram que os problemas da Administração Pública estariam ligados principalmente à gestão e à ingerência política em órgãos públicos, e não ao desempenho dos servidores.
Entre as críticas, foram mencionadas a influência política na ocupação de cargos, a condução da administração direta e a distribuição de ministérios, pontos que, segundo os críticos, não são enfrentados pela PEC 38/2025.
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