(Foto: Cleuton Silva/ Assessoria CMM e Carlos Moura/ Agência Senado e Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados e Assessoria Alfredo Nascimento)
Manaus (AM) – Uma recente pesquisa de intenção de votos no Amazonas revelou um cenário de disputa acirrada entre candidatos de diferentes perfis. Enquanto figuras com longa trajetória política seguem presentes entre os mais lembrados, a ascensão de nomes mais recentes no cenário eleitoral chama atenção.
A pesquisa da Perspectiva Mercado e Opinião, realizada entre 7 e 15 de setembro de 2025, mostra que candidatos tradicionais como Eduardo Braga (MDB) e Alfredo Nascimento (PL) estão sendo desafiados por novos nomes na política amazonense. Capitão Alberto Neto (PL) e Sargento Salazar (PL) aparecem como alternativas de renovação, sinalizando mudança no comportamento do eleitorado.
O levantamento ouviu cinco mil eleitores amazonenses. As entrevistas foram conduzidas por telefone, utilizando metodologia quantitativa e sistemática para assegurar a precisão das informações. Foram consideradas características como sexo, faixa etária e nível de instrução dos entrevistados.
O quadro da disputa
Na briga para o senado, em especifico na capital, Capitão Alberto Neto aparece com 41% das intenções de voto, seguido de perto por Sargento Salazar, que registra 42%. Ambos despontam como alternativas de renovação para parte do eleitorado. Já no interior, o desempenho se equilibra: Eduardo Braga soma 50% das intenções, mas vê concorrentes mais novos conquistarem espaço relevante, especialmente em segmentos urbanos.
No total do estado, Braga lidera com 43%, mas o desempenho expressivo de Capitão Alberto Neto (37%) e de Sargento Salazar (27%) mostra que a disputa pode se tornar ainda mais apertada. Wilson Lima, atual governador, aparece com 32%, enquanto Plínio Valério e Marcelo Ramos registram 27% e 16%, respectivamente.

Para a disputa de deputado federal, Alfredo Nascimento, mesmo com longa trajetória como ex-prefeito, ex-senador e ex-ministro, aparece com apenas 2% no Amazonas (37.800 votos estimados). Os números mostram queda de competitividade e grande distância dos líderes, indicando perda de espaço político mesmo sendo um nome tradicional.

Segundo a empresa da pesquisa, os resultados apresentam uma margem de erro de 1,4%, com um grau de confiabilidade de 95%, garantindo segurança na interpretação das tendências identificadas.
Trajetórias consolidadas x novos atores
Eduardo Braga (MDB) já foi governador por dois mandatos, ministro de Minas e Energia no governo Dilma Rousseff e atualmente é senador. Ele capitaliza sua experiência, mas enfrenta rejeição de parte do eleitorado urbano.
Alfredo Nascimento (PL), ex-prefeito de Manaus, ex-senador e ex-ministro dos Transportes, busca se manter ativo, embora os índices mostrem queda na competitividade.
Do outro lado, o deputado federal Capitão Alberto Neto e o vereador Sargento Salazar, emergem como representantes de uma suposta renovação política, ancorados em discursos diretos, alta exposição midiática e base popular em Manaus.
A análise dos especialistas
O analista político Helso Ribeiro destacou que pesquisas refletem apenas o momento e podem mudar bastante até as eleições. Ele ressaltou o bom recall de nomes como Alberto Neto, que mesmo derrotado na disputa pela Prefeitura saiu fortalecido, e Sargento Salazar, vereador mais votado. Lembrou também que o eleitor amazonense costuma ser crítico e não necessariamente repete votos, o que pode gerar surpresas.
“O Capitão Alberto Neto perdeu a eleição para prefeito, mas ficou com uma imagem positiva. Já Salazar foi o vereador mais votado de Manaus, e isso gera visibilidade. Mas é preciso lembrar: o eleitor amazonense é crítico e nem sempre repete o voto. O cenário pode mudar em poucos meses”, explicou Helso.
O cientista político Luiz Marques, aponta que as redes sociais mudaram a forma como a política é percebida, influenciando pesquisas e favorecendo candidatos que oferecem respostas fáceis para problemas complexos. Ele ressalta ainda que o poder econômico tem papel decisivo nas disputas, apoiando nomes com maior chance de vitória e limitando a representatividade popular, já que empresários, igrejas e agronegócio dominam mais espaço do que as classes populares.
“Candidatos que simplificam problemas complexos acabam atraindo eleitores alheios à política. Mas o capital continua a ditar as regras do jogo, sustentando quem tem chances reais. A mudança no Amazonas pode acontecer, mas dificilmente ultrapassa 30% das cadeiras”, destacou Luiz Marques.
Segundo ele, os políticos tradicionais continuam controlando o jogo, ainda que mudanças ocorram de eleição para eleição, geralmente sem ultrapassar um terço das cadeiras. Luiz Marques defende que não basta mudar quantidade de representantes, mas sim elevar a qualidade, evitando a eleição de figuras medíocres que se repetem no poder há décadas.
Centro-esquerda ausente
Para o sociólogo Luiz Antônio (UFAM), a pesquisa não apresenta renovação real no cenário político, já que os nomes citados pertencem à mesma elite que vem governando o Estado há quase meio século.
“Não tem nenhum nome novo ali. O que a gente tem é uma grande repetição desses nomes no imaginário político-eleitoral e midiático do Estado e da cidade, que acaba produzindo uma impressão do eleitor que esses são os nomes que estão postos”, declarou Luiz Antônio.
Luiz Antônio observou como ponto curioso o fato de Wilson Lima, mesmo após dois mandatos como governador, aparecer apenas em terceiro lugar, sendo superado por Sargento Salazar.

Para ele, a ausência de candidatos que participaram recentemente das eleições, sobretudo do campo de centro-esquerda, reforça a ideia de que a pesquisa não reflete o conjunto real de opções políticas.
O sociólogo ressaltou a ausência de nomes significativos na pesquisa, especialmente do campo da esquerda, além da pouca participação feminina. Segundo ele, apenas uma candidata aparece de forma pouco expressiva, o que reforça a falta de diversidade e representatividade.
O que está em jogo
O cenário eleitoral amazonense revela uma disputa entre a permanência dos caciques e a ascensão de nomes externos à política tradicional, impulsionados por forte presença digital. Apesar disso, especialistas alertam que ainda é cedo para cravar tendências definitivas. A combinação entre memória política, redes sociais e poder econômico será determinante nos rumos da eleição.
LEIA MAIS:





