(Foto: Divulgação/CMM)
Manaus (AM) – A corrida eleitoral para a Câmara Municipal de Manaus (CMM) em 2024 conta com 833 candidatos disputando 41 cadeiras, segundo o DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Isso significa que, em média, há cerca de 20 candidatos para cada vaga. Em comparação com as eleições de 2020, houve uma queda de aproximadamente 41%, quando 1.411 candidaturas foram registradas para o cargo de vereador.
No entanto, o número ainda segue alto. Com isso, os candidatos precisam adotar estratégias eficazes para chamar a atenção dos eleitores. O sociólogo Luiz Carlos Marques explica que a corrida por uma cadeira na CMM exige planejamento e uma construção de imagem sólida. “Em um cenário tão competitivo, destacar-se é crucial”, afirma.
O sociólogo destaca que a construção de uma imagem forte envolve criar uma identidade que repercuta com o eleitorado, baseada em valores e propostas que atendam às necessidades locais. Um candidato precisa ser reconhecível e lembrado pelo público, o que exige clareza nas ideias, posicionamentos e ações.
“Uma maneira de fortalecer essa imagem é através do uso eficaz das redes sociais e mídias tradicionais. A comunicação precisa ser constante, coerente e adaptada ao público-alvo. Além disso, o contato direto com a população, seja em visitas aos bairros ou por meio de reuniões comunitárias, reforça a autenticidade do candidato, criando uma conexão mais próxima com o eleitor. Visibilidade é chave: quanto mais um candidato é visto e ouvido, maiores são suas chances de ser lembrado na hora do voto”, afirma Luiz Carlos.

Em 2020, a taxa de renovação foi de 56%, quando 23 dos 41 vereadores não foram reeleitos – (Foto: Celso Maia/ Portal AM1)
Outro ponto importante que ele ressalta é a mobilização de uma rede de apoio. Ter aliados locais, lideranças comunitárias e uma base fiel de eleitores ajuda a amplificar a campanha de forma orgânica, por meio do “boca a boca”. Esse suporte pode ser decisivo, especialmente em uma eleição com tantos candidatos, na qual muitos podem se perder na multidão.
O poder econômico
Luiz Carlos, que também é vereador de Manaus e já coordenou campanhas, pontua que não se pode ignorar o impacto do poder econômico. Em muitas campanhas, especialmente em regiões mais vulneráveis, o dinheiro desempenha um papel fundamental.
“A compra de votos, embora ilegal, é uma realidade que ainda permeia o processo eleitoral em diversos níveis. O uso de recursos financeiros para oferecer benefícios imediatos a eleitores, como cestas básicas, dinheiro ou favores, pode influenciar diretamente o resultado das urnas. Um candidato com uma estrutura financeira robusta pode pagar por propagandas, eventos e, infelizmente, até pela compra de votos, o que coloca em desvantagem aqueles que tentam fazer uma campanha mais ética e com menos recursos.”
Ainda que o poder econômico tenha esse impacto distorcido, Luiz Carlos defende que os candidatos deveriam investir em uma campanha limpa e consciente, buscando o apoio sincero dos eleitores por meio de propostas sólidas e uma imagem de confiança. No entanto, ele ressalta que o sistema eleitoral favorece aqueles com mais poder econômico e político.
Poucas propostas e mais “lacração”
O cientista político Helso Ribeiro observa que não só em Manaus, mas em todo o Brasil, os candidatos acabam sendo lembrados mais pelas “lacrações” do que por propostas concretas. “Infelizmente, você vê poucas propostas factíveis. Quase todos têm uma musiquinha, uma dancinha, ou um gracejo para chamar a atenção dos eleitores”.
Ele explica que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram que o mandato de vereadores pertence ao partido, o que tem diluído o foco em propostas partidárias. “O que a gente vê é que, durante a propaganda eleitoral, fala-se muito pouco sobre as propostas dos partidos políticos. Muitos candidatos em um mesmo partido apresentam propostas antagônicas, e o coeficiente eleitoral acaba beneficiando alguns sem que haja um alinhamento claro”, pontua.
“É lastimável que a visibilidade não venha por meio de propostas, mas sim através da lacração, frases de efeito e gracejos durante a campanha eleitoral”, conclui Helso.
Expectativa de renovação
A expectativa de renovação para este ano é alta. Um levantamento divulgado pelo Direto ao Ponto Pesquisas, em julho, indicou que pelo menos 50% das cadeiras da CMM poderiam ser ocupadas por novos vereadores. Em 2020, a taxa de renovação foi de 56%, quando 23 dos 41 vereadores não foram reeleitos.
Entretanto, Helso Ribeiro acredita que este ano a renovação deve ficar em torno de 30%, apontando o papel central dos recursos financeiros nas campanhas.
“O custo das campanhas é um fator decisivo. Quem investe mais tem mais chances de ser eleito, o que acaba afastando candidatos com menos recursos”, analisa Ribeiro. Ele também destaca que o limite legal de gastos para cada candidato é de cerca de R$ 800 mil, mas práticas como o “caixa dois” ainda são comuns, dificultando o controle e fiscalização.
Queda no número de candidaturas
A queda no número de candidatos, de 1.411 em 2020 para 833 neste ano, pode ser explicada por mudanças na legislação eleitoral. A Lei n.º 14.211/2021 impôs limites ao número de candidatos que cada partido pode lançar, o que reduziu a quantidade de postulantes às vagas. Além disso, novas regras para a distribuição de sobras eleitorais e a exigência de cotas de gênero contribuíram para essa diminuição.
O papel do vereador
O vereador é um representante eleito para atuar no âmbito municipal e suas principais funções são:
- Legislar: Criar, alterar e revogar leis municipais, sempre visando ao bem-estar da comunidade local. Isso pode incluir áreas como transporte, educação, saúde, saneamento e urbanização.
- Fiscalizar: Monitorar as ações do prefeito e dos órgãos da prefeitura, garantindo que o orçamento público seja executado de forma correta e eficiente, além de verificar o cumprimento das leis.
- Intermediar demandas: O vereador serve como porta-voz da população, levando suas necessidades e preocupações ao Poder Executivo, e buscando soluções para questões locais.
- Aprovar o orçamento: Ele participa da aprovação e fiscalização do plano orçamentário do município, assegurando que os recursos sejam distribuídos conforme as necessidades da população.
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