Manaus, 6 de julho de 2026
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Economia

Disputa tarifária com EUA reacende debate sobre Zona Franca

Analistas veem riscos controláveis, mas defendem postura firme e coordenada para proteger o modelo e a credibilidade do país.

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(Foto: Divulgação/ Secom)

Manaus (AM) – Em meio ao aumento das tensões diplomáticas e econômicas entre Brasil e Estados Unidos, o Portal AM1 ouviu especialistas das áreas de economia e ciência política para entender mais os reais impactos que uma eventual “guerra tarifária” pode ter sobre a Zona Franca de Manaus (ZFM)  e o que está em jogo na política nacional e internacional.

Segundo o cientista econômico Mourão Jr, a estrutura da ZFM oferece certa blindagem a choques tarifários internacionais, como possíveis sanções ou taxas retaliatórias. Isso porque o modelo opera com incentivos fiscais que reduzem os impostos de importação.

“Não afetará a Zona Franca porque temos poucos segmentos que importam direto dos Estados Unidos. Um deles é o segmento de plástico, que importa polímero como insumo, e o setor eletroeletrônico e de informática. Mas com os incentivos vigentes, o impacto tende a ser muito limitado.”, explica Mourão em entrevista ao AM1.

Ainda assim, o especialista fez um alerta sobre os efeitos indiretos de uma crise prolongada:

“Se houver uma guerra tarifária, isso pode abalar a economia brasileira como um todo, com reflexos no consumo e na produção, mesmo que o modelo da ZFM não sofra impacto direto.”

Um novo mundo multipolar e o papel do Brasil

Para o cientista político Luiz Marques, o contexto global é mais amplo do que uma simples disputa bilateral. Ele apontou que estamos vivendo uma reorganização da ordem mundial, onde a hegemonia dos Estados Unidos vem sendo desafiada por potências regionais e blocos como o BRICS.

“O mundo é multipolar. O Brasil, com sua força agrícola, reservas cambiais e posição estratégica, pode se tornar influente globalmente. Mas para isso precisa sair da lógica de submissão e fortalecer sua soberania.”

Luiz Marques também criticou a postura de parte dos parlamentares amazonenses diante do atual cenário, para ele os posicionamentos diante da taxação, não tem dimensão do que está acontecendo no mundo.

“Nossos parlamentares não têm a exata dimensão do que está acontecendo no mundo. Como o Brasil entrou de cabeça na globalização, sem assegurar incentivos ao desenvolvimento de sua integralidade, vivemos sempre sob a ameaça das sucessões de mudanças do mercado internacional”.

Marques destacou que o discurso de polarização adotado pelo deputado Amom Mandel tem como objetivo atingir setores da população que não percebem a profunda desigualdade social no país.

O cientista analisou a postura do deputados Capitão Alberto Neto, e afirmou que alguns parlamentares vivem em mundos paralelos, negociando os seus interesses.

“O discurso mais ridículo é o do deputados Capitão Alberto Neto. Se ele se proclama patriota e cala diante do ataque covarde de uma potência em decadência contra o povo que os deputados dizem defender’.

Luiz Marques alertou que para esse cenário, é crucial saber onde o deputado se posiciona, que não é apenas uma escolha política, mas um compromisso com a responsabilidade pública e com o fortalecimento da democracia.

Zona Franca em risco indireto: exportações e empregos na mira

Em relação a Zona Franca de Manaus, o cientista político Carlos Santiago destacou que há, sim, vulnerabilidades no modelo, especialmente para empresas que exportam produtos industrializados aos EUA, como a Moto Honda, instalada em Manaus.

“A Zona Franca de Manaus pode sofrer, sim, até porque há indústrias como a Moto Honda que exporta motocicletas para os Estados Unidos. Isso pode comprometer investimentos da empresa, pode comprometer empregos, pode influenciar, inclusive, na arrecadação do Estado”.

Santiago afirmou ainda, que as medidas norte-americanas vão na contramão da lógica do livre-comércio e da cooperação internacional, o que pode ser prejudicial até mesmo à economia dos EUA.

Polarização política e discurso vazio

Tanto Marques quanto Santiago apontaram que a situação econômica tem sido usada politicamente de forma irresponsável. A retórica de alguns deputados, segundo eles, prioriza o embate ideológico em vez da busca por soluções concretas para o país.

“existem políticos que querem usar esse tema para continuar essa polarização política que existe no Brasil de hoje e que não tem contribuído em nada para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros e nem melhorar a política e os políticos. É o momento de se pensar no povo brasileiro, de se pensar no país, mais do que nas suas agremiações políticas e nos seus políticos prediletos”, pontua Santiago.

Por fim, Luiz Marques afirmou que os parlamentares mais atrapalham que ajudam o desenvolvimento do país.

“A polarização política no país vai além da disputa entre Lula e Bolsonaro, que trata-se, na verdade, de um embate entre democratas e autoritários, o que tem implicações profundas para o futuro da nossa sociedade”, destaca Luiz Marques.

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