Ecobarreiras instaladas em Manaus (Foto: Dhyeizo Lemos/Semcom)
Manaus (AM) – De janeiro a junho deste ano, foram retiradas 6.897 toneladas de resíduos sólidos dos igarapés da cidade com a ajuda das ecobarreiras instaladas pela Prefeitura de Manaus desde o início do ano, segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp).
Conforme a secretaria, as estruturas flutuantes não são as principais responsáveis pelo balaço. Isso porque a Semulsp não tem um dado oficial que englobe apenas os resíduos retirados dos igarapés por meio das 8 ecobarreiras distribuídas em diferentes pontos da cidade.
Segundo o ativista Mazinho da Carbrás, criador das ecobarreiras em Manaus, o primeiro equipamento programado para impedir que lixos cheguem ao leito do rio Negro foi instalado em janeiro no igarapé Beira-Rio, bairro do Coroado, zona Sul da capital amazonense.
Além da ecobarreira no bairro Coroado, existem equipamentos instalados, segundo a secretaria de limpeza urbana, no igarapé dos Franceses, zona Centro-Oeste; no igarapé da Sapolândia, bairro Alvorada 1; no Passeio do Mindu; igarapé da Cachoeirinha; igarapé do Passarinho; no Parque Gigantes da Floresta e igarapé do Franco, no bairro Compensa.
O objetivo do projeto sustentável é que as estruturas funcionam como peneiras gigantes para reter resíduos. E a meta, conforme a Prefeitura de Manaus, é recuperar os igarapés da cidade em 15 anos. A iniciativa é vista como um passo promissor para revitalizar alguns cursos d’água tão importantes para a cidade.
Em entrevista ao Portal AM1, o engenheiro ambientalista Jorge Garcez comenta a eficiência ambiental das ecobarreiras.
“Do ponto de vista da eficiência, elas são eficientes, não resta dúvida. Embora existam vários modelos de ecobarreira para retenção de resíduos sólidos em leitos de rios, isso depende muito da seção [divisão] da calha do recurso hídrico onde você quer fazer essa retenção. Então, na verdade, ela não é usada para se fazer uma coleta específica, mas sim para reter um determinado volume de resíduos sólidos que se direcionam geralmente para um curso de água maior ou principal curso de água de uma determinada região, localidade ou coisa parecida”, disse.
Entretanto, o especialista explica que o correto é não colocar os equipamentos em cursos de água onde não há trânsito de ictiofauna, ou seja, peixes ou qualquer tipo de animal que transite em curso de água.
“Essas ecobarreiras alteram a corrente daquele curso de água e, geralmente, a ictiofauna que habita aquele curso de água se desenvolveu ali em função do padrão de correnteza que existe naquele curso de água, especificamente, em termos de profundidade e largura. Então, as correntes de fundo mudam em função da lâmina da água e da largura do curso de água”, destaca.
Poluição
Atualmente, em Manaus, apenas o igarapé “Água Branca” se mantém limpo, enquanto outros sofrem com poluição por lixo, esgoto e metais pesados. Embora os esforços para que o igarapé se mantenha preservado, o Água Branca, localizado no bairro Tarumã, na zona Oeste da capital, enfrenta a ameaça constante por conta do avanço da urbanização, desmatamento e poluição.
Os cursos d’água de Manaus, em sua maioria poluídos ou aterrados, tornam o Água Branca um símbolo frágil da luta pela preservação ambiental. Jorge esclarece como a poluição dos igarapés de Manaus afetou a vida de espécies de peixes que antes eram comuns na região.
“Como a gente sabe, em Manaus, quase todos os igarapés estão poluídos; praticamente, a ictiofauna é remanescente. Nós não temos, hoje, nenhuma espécie que se reproduza nos igarapés da cidade. Antigamente, o igarapé da Compensa, que era conhecido como igarapé do Marinho, era o berço das branquinhas, a branquinha se reproduzia nesse igarapé, que era muito frequentado para pesca da sardinha-amazônica; mas esse berço se esgotou exatamente com o avanço da cidade e esse tipo de peixe abandonou esse trajeto para se reproduzir. Então, essas ecobarreiras nos igarapés em Manaus, em função do volume de resíduos que a população lança nesses cursos de água, são interessantes, pois vão reduzir significativamente a chegada desses resíduos sólidos na desembocadura dos grandes igarapés de Manaus”, conta o engenheiro.
Manutenção
“O desafio da prefeitura é fazer essa retirada nos represamentos, porque isso gera um custo de manutenção e de operação dessas barreiras; então se a prefeitura instala as ecobarreiras e simplesmente larga elas por lá, não vai adiantar nada. Vai se criar um volume de resíduos sólidos lançados nesses cursos de água e pode ser até que se torne um problema para prefeitura, mas se a prefeitura consegue operacionalizar a retirada dessas barreiras para fazer a limpeza delas e fazer uma destinação correta desses resíduos e repô-las novamente, ótimo. Aí, nós vamos ter menos volume de resíduos sólidos expostos na margem do rio Negro”, declarou.
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