(Fotos: Alex Pazuello/ Secom/Assessoria e Secom)
Manaus (AM) – Faltando praticamente um ano para as eleições de 2026, o tabuleiro político no Amazonas segue em movimento e diversos nomes são ventilados para a disputa. Entre os pré-candidatos em potencial, aparecem tanto veteranos já conhecidos do eleitorado quanto novatos que buscam espaço na cena política.
Os novatos em ascensão
Entre os novos nomes, um dos mais comentados é o do secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano e da Unidade Gestora de Projetos Especiais do Amazonas, além de 2º vice-presidente do União Brasil-AM, Marcellus Campêlo. Considerado um dos homens de confiança do governador Wilson Lima, ele é apontado como um gestor técnico, discreto e eficiente. Nos bastidores, circula a informação de que Campêlo estaria sendo preparado para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Outro integrante da cúpula do governo que pode entrar na corrida eleitoral é o secretário de Segurança Pública, coronel Vinícius Almeida. Em entrevistas recentes, Almeida afirmou que seguirá as orientações do governador Wilson Lima, sem confirmar ou descartar a possibilidade de disputar em 2026. Já o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Muniz, também aparece nos bastidores como um possível pré-candidato.
No campo dos destaques, um nome que chama atenção é o do vereador Sargento Salazar (PL), que pode repetir em 2026 o feito de 2024, quando foi o mais votado para a Câmara Municipal de Manaus (CMM). Em pesquisa realizada pela Perspectiva Mercado e Opinião, divulgada na semana passada, Salazar aparece em primeiro lugar com 14% das intenções de voto para a Câmara dos Deputados. Esse resultado o coloca entre os grandes protagonistas do próximo pleito. Embora também seja citado como possível candidato ao Senado, sua decisão final ainda não foi anunciada.
O papel de Wilson Lima
A decisão do governador Wilson Lima é um dos grandes mistérios deste período pré-eleitoral. Ele ainda não anunciou se pretende disputar uma vaga ao Senado, concluir o mandato até o fim ou até mesmo se candidatar à Câmara Federal.
Na pesquisas da Perspectiva Mercado e Opinião, o nome de Wilson aparece bem posicionado em ambos os cenários: para a Câmara Federal, ele figura em segundo lugar, atrás de Sargento Salazar, com 11% das intenções de voto; já para o Senado, aparece em terceiro, com 32% das intenções.
O retorno dos veteranos
Nomes tradicionais da política amazonense também devem movimentar a disputa. Os ex-prefeitos de Manaus Arthur Virgílio Neto, Alfredo Nascimento e Serafim Corrêa estudam voltar ao cenário político, de olho tanto no Congresso quanto na Aleam.
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Arthur Virgílio Neto, que concluiu seu último mandato como prefeito em janeiro de 2021, está sem cargo eletivo ou público desde então. Já foi deputado federal e senador, e recentemente se filiou ao Republicanos, partido pelo qual pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
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Alfredo Nascimento, atual presidente estadual do PL, comandou Manaus por dois mandatos, foi ministro dos Transportes, senador e deputado federal. Desde 2019, quando encerrou o mandato na Câmara, está fora da política institucional. Embora ainda não tenha oficializado, nos bastidores é dado como certo que lançará sua candidatura em 2026.
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Serafim Corrêa, o único dos três que nunca exerceu mandato na Câmara Federal, está sem cargo parlamentar desde fevereiro de 2023. Atualmente, ocupa a Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti). Após anunciar aposentadoria política em 2022, voltou atrás e, em entrevista em agosto deste ano, confirmou que será candidato em 2026, provavelmente a deputado federal.
Outro nome de destaque é o do deputado estadual Roberto Cidade (União Brasil), presidente da Aleam. Ele aparece na pesquisa da Perspectiva com 5% das intenções de voto. No segundo mandato como deputado estadual, Cidade já manifestou publicamente o desejo de disputar uma vaga no Congresso. Sua votação em 2022 o credencia como um dos nomes fortes da disputa: foi reeleito com 105.510 votos, a maior votação para deputado estadual da história do Amazonas.
A disputa pelo governo
Na corrida pelo governo estadual, a novidade é a empresária Maria do Carmo Seffair, pré-candidata pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Pela primeira vez disputando uma eleição majoritária, Maria aparece como o principal contraponto a Omar Aziz, um dos maiores caciques da política amazonense, que já governou o estado e lidera a disputa.
Apesar disso, Maria vem crescendo nas pesquisas e, conforme o último levantamento divulgado, está próxima de alcançar Aziz, o que aumenta a expectativa em torno dessa disputa.
Disputa aberta
De acordo com o cientista político Helso Ribeiro, o cenário político do Amazonas para 2026 traz consigo um fenômeno recorrente em todas as eleições: a busca da população por renovação, ao mesmo tempo em que antigos caciques podem perder espaço.
“Toda eleição, não importa qual, há uma renovação. A população clama por novos nomes e, às vezes, aposenta antigos caciques”. Essa dinâmica, segundo ele, será determinante para compreender os rumos da disputa no estado no próximo ano.
Um dos nomes destacados pelo analista é o do vereador Sargento Salazar (PL), que já aparece entre os mais lembrados para 2026, após sua expressiva votação em 2024.
“O Sargento Salazar foi o mais votado na eleição para vereador, uma eleição mastodôntica. Ele tem sido que tem aquela lembrança forte da última eleição. É um nome que tem sido aventado e que deve ser considerado no próximo pleito”, destacou Ribeiro.
Outro nome citado pelo cientista político é o de Maria do Carmo Seffair, que também ganhou notoriedade após compor a chapa de Capitão Alberto Neto na eleição municipal de Manaus de 2024. “A professora Maria do Carmo e o Capitão Alberto Neto, na eleição passada, eu diria que eles perderam ganhando, porque ganharam muita visibilidade”. Para ele, essa exposição pode impulsionar Maria do Carmo em sua pré-candidatura ao governo do Amazonas.
Tendência de reeleição
Na avaliação do cientista político, existe ainda uma forte tendência de reeleição, especialmente entre os parlamentares que já exercem mandato. “Tal qual o que ocorreu na câmara de vereadores, em que a maioria foi reeleita, essa é uma tendência, porque agora nós temos inclusive pelas questões de emendas parlamentares. Isso acaba gerando um vínculo do parlamentar com determinados nichos da população. É uma vantagem imensa”, explicou.
Outro ponto relevante apontado por Ribeiro é a possível ampliação no número de vagas para deputado federal e estadual no Amazonas, o que deve favorecer, principalmente, os parlamentares que já ocupam cargos eletivos.
“Ao que tudo indica, nós teremos dez vagas para deputado federal e não mais oito. E, em relação à Assembleia, caso se confirme, em vez de 24 deputados estaduais passaríamos a ter 30. Esse aumento de cadeiras tende a fortalecer ainda mais quem já exerce mandato”, analisou.
As convenções serão decisivas
Apesar das movimentações de bastidores, o cientista político lembra que o tabuleiro eleitoral só ganha contornos definitivos a partir das convenções partidárias, etapa crucial em que cada sigla confirma oficialmente seus candidatos e define alianças estratégicas. Até lá, afirma Ribeiro, o que se vê é um jogo de especulações e articulações de interesse.
“Tudo isso vai depender muito das convenções partidárias. Vamos ver quem vai apoiar quem, quem vai ser o vice de quem. Essa especulação vai perdurar até o momento das convenções, que serão entre 20 de julho e 4 de agosto do ano que vem. Até lá, muita conversa de bastidor e muita especulação”, destacou o analista.
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