Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Em audiência, Marina Silva tem embate com senadores do Norte

"A senhora está atrapalhando o desenvolvimento do país," disse o senador Omar Aziz.  

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(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Brasília (DF) – A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, esteve na Comissão de Infraestrutura do Senado, nesta terça-feira (27), para explicar sobre a possibilidade de criação de uma unidade de Conservação da Marinha do Brasil na margem equatorial, mas a audiência pública foi marcada por brigas e discussões entre a ministra e os senadores da Região Norte.

Dessa vez, a representante do Executivo foi convidada para falar sobre a questão da margem equatorial, mas, durante a reunião, ela destacou seu posicionamento contra a pavimentação da BR-319, reforçando a necessidade do licenciamento.

Em um embate com o senador Omar Aziz (PSD), a ministra pontuou a falta de competência dos outros governos que estiveram no poder enquanto ela esteve fora do governo: “por que não fizeram?”, indagou a ministra.

“Quando eu saí, tinha um pequeno trecho, que era o trecho das cabeceiras, que nós deixamos a licença pronta, (…) foi feito esse trecho?”, questionou a ministra.

Mas o senador reforçou que a ministra estava chamando o próprio Presidente Lula, de incompetente, visto que os 200 primeiros quilômetros foram feitos durante o mandato da presidente Dilma Rousseff.

“A senhora está chamando o presidente Lula de incompetente. Eu estou aqui literalmente lhe dizendo que o presidente Lula prometeu fazer a 319, (…) eu não posso prometer porque eu não tenho dinheiro para colocar lá, e nem tenho o poder de fazer o licenciamento ambiental,” disse Aziz.

Antes da discussão, o senador do Amazonas destacou o marco ambiental aprovado na última semana por 54 votos favoráveis e 13 contrários. E afirmou que, se for preciso mudar a Constituição, a Casa Alta vai fazer este trabalho.

Em sua fala, Aziz pontuou que o embate não era pessoal, mas a ministra não gostou do comentário e disse que os “seres humanos são atravessados por suas subjetividades e elas se revelam”.

“O debate da 319 é um debate que virou em cima de um bode expiatório, esse bode expiatório se chama Marina Silva,” disse a ministra.

Em outro ponto da explanação do senador, destacou a exploração de petróleo na região de Urucu, no Amazonas, operada pela Petrobras há 40 anos. Também pontuou o Potássio, Fósforo, que compõe o fertilizante, 95% importado pelo Brasil de outros países.

“Tenho todo o respeito pela ministra Marina, a discordar é uma democracia, (…). O isolamento que Manaus vive, que Roraima vive, já deu, 400 quilômetros hoje com drone, com satélite, com qualquer policiamento é impossível, se tira madeira hoje sem estrada asfaltada,” pontuou o senador.

A ministra destacou durante a audiência que, apenas o anúncio da estrada, aumentou o desmatamento em 119%, mas o senador afirmou que ela estava dando uma informação falsa sobre a BR-319. Segundo Marina, os dados são do IBAMA e do INPE.

“Eu moro lá, não diga isso, lhe respeito, mas, a senhora está dando um dado falso,” pontuou o senador.

“A senhora está atrapalhando o desenvolvimento do país, tem mais de cinco mil obras paradas por causa dessa conversinha de governança,” disse o senador.

Em outro momento da audiência, a ministra também discutiu com o presidente da Comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO) que solicitou respeito.

“A senhora está como convidada, mas não está presidindo a sessão, faz pouco tempo que a senhora saiu desse senado federal e parece que perdeu a memória,” disse o senador.

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Após todo o “conflito” com o senador Omar, a ministra foi inquirida pelo senador Chico Rodrigues (PSB-RR), mas ao passar a palavra para o senador Plínio Valério (PSDB) questionar Marina, ele pontuou que iria falar com a “ministra não  com a mulher” e a ministra não gostou do comentário e solicitou um pedido de desculpas para continuar no debate.

Plínio Valério destacou ao Portal AM1, que a saída de Marina foi “lamentável”, pois a fala do senador Omar foi incisiva “como tinha que ser”, mas em sua oportunidade de apresentar dados sobre a BR, a ministra deixou a audiência.

“Só falei para ela que eu queria separar. Queria falar com ela como ministra, não como mulher, porque tinham me lacrado da outra vez. Ali eu não estava vendo uma mulher, estava vendo uma ministra. Aí ela se levantou, se sentiu desacatada e foi embora”, disse o senador.

Para ele, a ministra vai continuar fugindo do tema que trava o lincenciamento da BR-319. O convite à Marina Silva, segundo o presidente da Comissão, será rediscutido e existe a possibilidade de convocação.

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