(Fotos: Divulgação/Instagram)
Manaus (AM) – A direita amazonense vive um momento de forte tensão, com trocas públicas de acusações entre o ex-superintendente Coronel Menezes e membros do mesmo campo político, como o delegado Costa e Silva (PL-AM) e o deputado estadual Delegado Péricles (PL-AM). O embate revela disputas por protagonismo, reconhecimento e alinhamento com o bolsonarismo, enquanto outras lideranças, como o presidente estadual do PL, Alfredo Nascimento, mantêm silêncio sobre o conflito.
Tudo começou após Coronel Menezes participar da “Caminhada pela Liberdade”, ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), em ato em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Menezes destacou sua presença como demonstração de alinhamento com pautas bolsonaristas e lideranças nacionais da direita.
Conflito com Delegado Péricles
Em reação, Delegado Péricles questionou a representatividade política de Menezes, ressaltando que ele não possui mandato eletivo e o acusando de agir por interesses oportunistas. O deputado afirmou ainda que Bolsonaro teria rompido qualquer diálogo com Menezes, alegando que o ex-presidente não desejaria mais contato com ele.
Menezes rebateu as críticas cobrando explicações sobre a atuação de Péricles nas eleições municipais de 2024, especialmente sobre o apoio ao então candidato Capitão Alberto Neto (PL) à Prefeitura de Manaus. Segundo Menezes, o deputado teria se omitido durante a campanha e não se dedicado à eleição do aliado bolsonarista.
Péricles respondeu que, no primeiro turno, estava concentrado na campanha de seu irmão, Coronel Rosses (PL), e que no segundo turno Menezes teria atuado em outro campo político, motivado por interesses próprios. O parlamentar sustentou que segue alinhado com lideranças da direita local, enquanto Menezes estaria politicamente isolado.
A troca de acusações se intensificou quando Menezes ironizou a ausência de Péricles na manifestação em Brasília. O deputado explicou que se recuperava de uma cirurgia no joelho e acusou Menezes de tentar se promover politicamente em um ato no qual, segundo ele, não teria histórico de participação. As declarações evoluíram para ataques pessoais, com acusações de falta de compromisso político, deslealdade e perda de apoio dentro da direita amazonense.
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Histórico de rompimento e mudança de alianças
O conflito ocorre em meio a um histórico de rompimento entre Menezes e o bolsonarismo local. Em 2024, ainda filiado ao Partido Liberal (PL), Menezes foi rejeitado por Bolsonaro, que optou por apoiar Alberto Neto (PL) na disputa pela Prefeitura de Manaus. Menezes alegou que sua pré-candidatura foi ignorada pela direção estadual do partido, presidida por Alfredo Nascimento, motivando sua saída da sigla.
Após deixar o PL, Menezes se filiou ao Progressistas (PP) e passou a integrar a base do governador Wilson Lima (União Brasil), tornando-se candidato a vice na chapa encabeçada pelo deputado estadual Roberto Cidade (União). A mudança de alianças foi interpretada por aliados de Bolsonaro como traíção política, já que Menezes passou a apoiar candidatos contrários ao projeto bolsonarista na capital.
O distanciamento se aprofundou em agosto de 2024, quando Menezes criticou publicamente Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente dependeria de seu grupo para mobilizar grandes públicos em futuras visitas ao Amazonas, citando eventos do bolsonarismo que não atingiram a capacidade máxima da Arena da Amazônia.
Embate com Costa e Silva
Outro ponto que gerou repercussão foi a publicação de um vídeo de Menezes com Alberto Neto durante a caminhada. O delegado Costa e Silva classificou Menezes como traidor e afirmou que Alberto Neto estaria evitando aproximação, alegando que o vídeo tinha teor político.
“Menezes teve a oportunidade de apoiar o Capitão Alberto Neto na disputa pela Prefeitura de Manaus, mas decidiu caminhar com Roberto Cidade. Para Bolsonaro, Menezes acabou e ele sabe disso”, disse Costa e Silva.
O delegado relatou ainda ter se surpreendido com a gravação de Menezes junto a Alberto Neto.
“Alberto é um político de direita e representa a direita amazonense. Mandei uma mensagem para ele dizendo: ‘Não fique do lado desse cara, ele já está no fim do poço e quer te puxar também’”.
Resposta de Menezes
Após as críticas, Menezes publicou outro vídeo afirmando ter recebido ataques de “pessoas que se dizem de direita, mas não fazem nada”. Sem citar nomes, afirmou que alguns delegados que o criticam não são bem-sucedidos nem têm reconhecimento profissional.
“Eu tenho recebido várias críticas de pessoas que se dizem de direita, falam muito, mas não fazem. Alguns delegados que me criticam não têm reconhecimento profissional, alguns blogueiros e uma blogueirinha, que é bonitinha, mas ordinária. Eu faço o que vocês não fazem e se dizem de direita”, declarou Menezes durante a caminhada, comparando sua situação à fábula do vagalume e da cobra.
Costa e Silva rebate Menezes
O delegado Costa e Silva respondeu publicamente, questionando o legado político de Menezes e criticando sua postura:
“Peço que o senhor lave a sua boca para falar da gente, porque sei do meu trabalho, não só social, mas da minha dedicação profissional. Qual legado você deixou para o Amazonas? Se perguntarem por você pelo estado afora, qual foi o legado?”
Costa e Silva criticou ainda a forma como Menezes se referiu a uma colega:
“E ainda se refere à colega como ‘bonitinha’ e ‘ordinária’? O que é isso? Você não tem condições. Espero que esse vídeo mostre às pessoas a verdade, os fatos, a essência.”
Ao final, o delegado desafiou Menezes para um debate público:
“Se quiser continuar se enganando com o coronel Menezes, é quase como eleitor do Lula, se deixa levar por qualquer coisa. Mas se quiser, vamos fazer um podcast, olho no olho, que eu quero te desmascarar.”
Críticas têm origem em embate político
Costa e Silva já havia chamado Menezes de “traidor” e “coronel melancia” — verde por fora e vermelho por dentro — após o coronel divulgar um vídeo com Alberto Neto durante a “Caminhada da Liberdade”.
“O que me indignou foi ver ele agora tentando se promover. Menos de três anos atrás, chamava o Capitão Alberto Neto de Judas e sofreu processo disciplinar no partido por isso”, afirmou Costa e Silva.
Ruptura com o bolsonarismo local
O delegado reforçou que Menezes queria ser candidato a prefeito, mas não obteve apoio do bolsonarismo.
“O Bolsonaro pediu para o coronel Menezes vir a vereador para ajudar o grupo. Ele não quis. Colocou os pés pelas mãos e decidiu apoiar o Roberto Cidade, que era de outro grupo político, não da direita genuína”, disse Costa e Silva, lembrando que Alberto Neto deu uma segunda chance a Menezes, que a rejeitou.
Declarações públicas e acusações de traição
O delegado ainda citou declarações de Menezes que agravaram a ruptura, incluindo um discurso em ginásio lotado, no qual o coronel afirmou que enviaria um vídeo a Bolsonaro para condicionar futuras visitas do ex-presidente a Manaus.
“Ele teve a oportunidade de apoiar o candidato do Bolsonaro em Manaus, que era o Alberto Neto, e decidiu caminhar com o Roberto Cidade. Para Bolsonaro, Menezes acabou, e ele sabe disso”, concluiu Costa e Silva.
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