Manaus, 4 de novembro de 2026
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Manaus, 4 de novembro de 2026

Cidades

Estudantes protestam em Manaus contra suspensão do Passe Livre

Manifestação na zona Oeste cobra retomada dos créditos estudantis e denuncia dificuldades de acesso às escolas; impasse envolve dívida de R$ 279 milhões entre o Governo do Amazonas e empresas de transporte.

Estudantes protestaram em Manaus contra a suspensão de novos créditos do Passe Livre Estudantil. (Foto: Tunico Santos)

Manaus (AM) – Estudantes da rede pública realizaram uma manifestação na manhã desta quarta-feira (4), em frente à Escola Estadual de Tempo Integral Áurea Pinheiro Braga, localizada na avenida Brasil, bairro Compensa, zona Oeste de Manaus. O ato foi motivado pela suspensão da emissão de novos créditos do Passe Livre Estudantil para alunos da rede estadual de ensino.

A interrupção foi anunciada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), que atribui a medida a uma dívida de R$ 279 milhões do Governo do Amazonas com o sistema de transporte coletivo.

O sindicato aponta a falta de repasses estaduais como justificativa para a suspensão. Já o Governo do Amazonas afirma estar em dia com os pagamentos referentes a 2026 e informou que pretende contestar a decisão na Justiça.

Estudantes relatam dificuldades para organizar protesto

Durante a manifestação, o presidente da União dos Estudantes Secundaristas do Estado do Amazonas (UESA), Gabriel Tavares, afirmou que houve dificuldades para mobilizar os alunos. Segundo ele, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) teria orientado coordenadorias e diretores a fecharem escolas e impedirem a saída dos estudantes.

“Mesmo com tantos impasses para os estudantes virem se manifestar, com a Secretaria de Educação mandando suas coordenadorias e seus diretores fecharem as escolas, isso mesmo que você está ouvindo, e prenderem os estudantes dentro das escolas. Nós estamos aqui, vamos realizar nosso ato pela permanência do Passe Livre. O governador quer cortar o Passe Livre, quer cortar tudo dos estudantes”, declarou.

Gabriel também destacou a importância do benefício para os alunos que dependem do transporte coletivo para chegar às unidades de ensino.

Ato na zona Oeste de Manaus reuniu estudantes em defesa do Passe Livre e de melhorias na educação. (Foto: Tunico Santos)

Movimento cobra Passe Livre Universitário e merenda escolar

Além da retomada dos créditos para estudantes da rede estadual, a manifestação também reivindicou a volta do Passe Livre Universitário e a regularização da merenda escolar nas unidades de ensino da capital e do interior.

O universitário Ricardo Silva, representante do movimento estudantil, afirmou que a suspensão do benefício compromete o acesso e a permanência dos alunos nas escolas e universidades. Ele criticou o fato de os estudantes serem prejudicados pelo impasse entre o Governo do Estado e as empresas de transporte.

“Mas o que existe hoje é um crime contra os estudantes, contra os filhos e filhas dos trabalhadores e trabalhadoras do nosso estado. Isso impede que os estudantes entrem e permaneçam na escola. Estão colocando os estudantes no meio de uma disputa entre os empresários e o governo do estado, e a gente não é moeda de troca. Os empresários precisam respeitar os estudantes e não podem mais cortar nada”, afirmou.

Ricardo também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas por estudantes do interior do Amazonas, onde, segundo ele, os problemas de transporte e a falta de assistência tornam o acesso à educação ainda mais difícil.

Manifestantes cobraram do Governo do Amazonas a retomada do Passe Livre para alunos da rede estadual. (Foto: Tunico Santos)

Impasse afeta estudantes

A suspensão da emissão de novos créditos do Passe Livre colocou estudantes, empresas de transporte e Governo do Amazonas em lados opostos. Enquanto o Sinetram aponta uma dívida de R$ 279 milhões, o Executivo estadual sustenta que está em dia com os pagamentos de 2026 e pretende recorrer à Justiça.

Os estudantes cobram uma solução para o impasse e defendem que o benefício seja mantido, para evitar prejuízos à frequência escolar e à continuidade dos estudos.

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