Manaus, 14 de setembro de 2026
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Manaus, 14 de setembro de 2026

Política

Ex-dirigente da OAB questiona ‘recuo’ de Simonetti sobre decisão envolvendo Gonet

Fábio Timbó critica tentativa de rever pedido apresentado ao STF após decisão dos presidentes das seccionais.

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(Foto: Leobark Rodrigues/SECOM/MPF)

Manaus (AM) – O ex-diretor do Departamento Judiciário Cível do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE), ex-presidente da Agência Reguladora do Estado do Ceará (ARCE) e ex-diretor e corregedor da OAB-CE, Fábio Timbó, criticou a condução do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, após a entidade apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido relacionado ao afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do caso que envolve mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

A manifestação de Timbó ocorre após reportagem publicada na sexta-feira (12), na coluna de Bela Megale, em O Globo, revelar mensagens trocadas no grupo de WhatsApp que reúne os presidentes das 27 seccionais estaduais da OAB. Segundo a publicação, Simonetti afirmou que Gonet era “inocente” e defendeu o respeito à “ampla defesa e contraditório”. Ele também declarou ter um “sentimento de injustiça” e classificou o procurador-geral como “um homem de bem”.

De acordo com a coluna, parte dos presidentes estaduais da OAB havia defendido que não existiam condições para Gonet continuar atuando na apuração do caso Master após ter sido citado em relatório policial. Os dirigentes, porém, ressaltaram que o eventual afastamento não significaria reconhecer culpa ou comprometer a inocência do procurador-geral.

Após quatro horas de discussão em reunião com os presidentes das seccionais, a OAB havia decidido apresentar ao STF o pedido relacionado ao afastamento. Na manhã seguinte, Simonetti tentou rever a decisão e propôs que o trecho fosse desconsiderado. Parte dos presidentes autorizou a solicitação, enquanto outra parcela cobrou explicações. Depois do racha, Simonetti desistiu de apresentar a nova petição ao STF e declarou apoio pessoal a Gonet.

Foi nesse contexto que Timbó afirmou que uma decisão coletiva havia sido colocada em xeque por uma mensagem enviada pelo presidente nacional. “Uma decisão tomada por vinte e sete presidentes foi desfeita por uma mensagem de celular.”

O ex-dirigente também questionou a forma como a decisão foi conduzida internamente.

“O presidente nacional reuniu os 27 presidentes. Não ouviu o Conselho Pleno. Não ouviu a advocacia brasileira, que é quem o Conselho Federal representa. Ainda assim, levou ao Supremo o pedido ali deliberado”, declarou.

Para Timbó, o pedido de suspeição não equivale a uma acusação contra Gonet.

“Registro com toda a clareza: pedir suspeição não é condenar ninguém. O art. 258 do Código de Processo Penal estende ao Ministério Público as regras de suspeição aplicáveis aos juízes exatamente porque o processo penal protege a aparência de imparcialidade como bem jurídico em si. A suspeição preserva a apuração, e preserva também aquele de quem se pede o afastamento”, escreveu na publicação.

Ao questionar a mudança de posição atribuída a Simonetti, Timbó concluiu: “Por isso a pergunta é legítima: o que mudou entre a noite de quarta e a manhã de quinta?”

“A OAB não pode exigir luz do Supremo e governar-se na penumbra”, afirmou.

 

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