Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Política

Feminicídio cresce no país e reforça alerta no Dia Internacional da Mulher

Dados nacionais indicam aumento de mortes e processos judiciais ligados à violência de gênero.

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(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Manaus (AM) – Em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, uma data marcada pela reivindicação de direitos. Mais do que uma celebração, o dia simboliza a luta histórica das mulheres por equidade e respeito dentro da sociedade.

A origem da data remonta às mobilizações de trabalhadoras no início do século XX, que reivindicavam melhores condições de trabalho, igualdade de direitos e participação política. Décadas depois, a Organização das Nações Unidas oficializou o 8 de março como um marco internacional da luta das mulheres.

Porém, mesmo após 51 anos da oficialização, o mundo ainda enfrenta consequências da manutenção de estruturas marcadas pela desigualdade de gênero.

Essa realidade também aparece nos números da violência. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no relatório Retrato dos Feminicídios no Brasil, apontam que 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no país em 2025. O número representa um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior.

Desde que o feminicídio passou a ser tipificado na legislação brasileira, em março de 2015, ao menos 13.703 mulheres foram assassinadas no país em crimes motivados pela condição de gênero.

A série histórica reforça o avanço desses casos. Em 2015, o Brasil registrou 449 feminicídios. Dez anos depois, em 2025, o número chegou a 1.568 vítimas.

Nos últimos cinco anos, o país acumulou aumento de 14,5% nos registros.

Mesmo após décadas de avanços legais e institucionais, os números mostram que a violência de gênero ainda representa um dos principais desafios para a garantia de direitos das mulheres no país.

Diferenças regionais e subnotificação

Alguns estados apresentam índices proporcionais menores de feminicídio. Amazonas (0,9), Ceará (1,0) e São Paulo (1,1) aparecem entre os menores registros do país.

Os pesquisadores alertam, no entanto, que esses dados não podem ser analisados de forma absoluta, já que a subnotificação ainda impacta os registros de feminicídio no Brasil.

Crescimento de processos no Judiciário

O avanço da violência também aparece nos dados do Judiciário. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), janeiro de 2026 registrou 947 novos casos de feminicídio na Justiça brasileira. O número é 3,49% maior do que no mesmo período do ano passado, quando foram registrados 915 casos.

Os processos cresceram de forma expressiva nos últimos anos. Em 2020, o Judiciário contabilizou 4.210 casos. Em 2025, esse total chegou a 12.012.

Os registros de violência doméstica também permanecem elevados. Apenas em janeiro deste ano, a Justiça recebeu 99.416 novos processos. Ao longo de 2025, o total alcançou cerca de 1,2 milhão de ações.

Casos recentes

Casos registrados recentemente ilustram como a violência continua presente em diferentes regiões do país. Em 21 de fevereiro, em Botucatu (SP), a jovem Júlia Gabriela Bravin Trovão e o namorado foram mortos a tiros pelo ex-companheiro dela. Registros apontam que Júlia havia feito dez boletins de ocorrência e solicitado três medidas protetivas contra o suspeito.

Outro crime ocorreu em São Bernardo do Campo. Cibelle Monteiro Alves foi morta a facadas pelo ex-namorado enquanto trabalhava em uma joalheria de shopping. Ela também possuía registros anteriores e uma medida protetiva vigente.

No Amazonas, em janeiro deste ano, a Polícia Civil prendeu um homem de 41 anos por tentativa de feminicídio contra a companheira, de 31 anos. A Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM) Norte/Leste cumpriu o mandado de prisão preventiva na Avenida Nossa Senhora da Conceição, no bairro Cidade de Deus, zona norte de Manaus.

Onde buscar ajuda

Mulheres vítimas de violência podem procurar atendimento em delegacias especializadas ou acionar o telefone 180, canal nacional de denúncia e orientação que funciona 24 horas e oferece suporte gratuito em todo o país.

No Dia Internacional da Mulher, os dados e os casos recentes reforçam que a luta por segurança, igualdade e respeito ainda permanece como uma pauta central no Brasil.

 

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