(Foto: Reprodução/ Redes Sociais e divulgação/ CBMAM)
Manaus (AM) – O avanço das queimadas e a piora da qualidade do ar continuam impondo consequências à população de Parintins, no interior do Amazonas. Enquanto os focos de calor se multiplicam na região, estudantes das redes municipal e estadual permanecem sem aulas desde 29 de outubro, em razão da fumaça que encobre o município. Nesta quinta-feira (5), uma nova força-tarefa foi mobilizada para reforçar o combate aos incêndios florestais na zona rural.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por meio do programa BDQueimadas, apontam que Parintins registrou 15 focos de calor entre 1º e 5 de novembro, contra apenas três no mesmo intervalo de 2025. O número representa um aumento de 400% em um ano.
Com esse resultado, o município aparece na liderança dos registros no Amazonas nesse período. Dos 105 focos identificados em todo o estado nos primeiros cinco dias de novembro, 15 foram registrados em Parintins, o equivalente a 14,3% do total. Maués aparece em seguida, com 11 registros, e Itacoatiara, com nove.
Fumaça mantém escolas fechadas a mais de 4 dias
A situação já ultrapassou os limites da zona rural e interfere diretamente na rotina dos moradores. As aulas em Parintins estão suspensas desde 29 de outubro e continuam interrompidas nesta quinta-feira (5), representando pelo menos sete dias corridos desde o início da suspensão.
A interrupção das atividades escolares nas redes municipal e estadual evidencia o impacto da poluição atmosférica sobre serviços essenciais. Além dos estudantes fora das salas de aula, os Jogos Escolares de Parintins foram adiados e outras atividades esportivas municipais também precisaram ser suspensas.
A situação da qualidade do ar também preocupa. No dia 29 de outubro, sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registraram concentrações de partículas poluentes de 515,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) na área urbana e 662 µg/m³ na comunidade de Vila Amazônia, durante a madrugada.
Em 1º de novembro, Parintins voltou a apresentar a pior classificação de qualidade do ar, considerada péssima, segundo o monitoramento citado pela Defesa Civil estadual.
Já no dia 3 de novembro, dados da plataforma Qualiar, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), apontaram média de 221 µg/m³ de material particulado nas últimas 24 horas. A concentração de 96 µg/m³ registrada naquele dia também foi classificada como muito ruim.
A exposição à fumaça representa riscos especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares. Mesmo com a mobilização de equipes de combate, a população continua convivendo com os efeitos da poluição.
Força Nacional é enviada para reforçar combate
Diante do avanço dos incêndios, 16 militares e cinco viaturas foram enviados no início da tarde desta quinta-feira (5) para reforçar as operações na zona rural de Parintins. O grupo será integrado aos 69 bombeiros, brigadistas e servidores do Prevfogo/Ibama que já atuam no município.
Do novo efetivo, quatro militares são do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e 12 pertencem à Força Nacional. As equipes foram transportadas em um ferry boat custeado pela Prefeitura de Parintins, com previsão de chegada na manhã desta sexta-feira (6).
As cinco viaturas são picapes equipadas com kits de combate a incêndios florestais. Três possuem reservatórios com capacidade para 600 litros de água, enquanto as outras duas comportam 400 litros.
A operação também conta com oito aeronaves: cinco aviões Air Tractor, dois KC-390 e um helicóptero utilizado no transporte de tropas. Até quarta-feira (4), mais de 1,3 milhão de litros de água haviam sido lançados sobre áreas atingidas pelo fogo, em mais de 200 horas de voo.
Amazonas acumula quase 25 mil focos de incêndio
A dimensão da crise também aparece nos números estaduais. Entre 1º de junho e 4 de novembro, as equipes de combate atuaram em 24.558 focos de incêndio no Amazonas, sendo 4.765 em Manaus e 19.793 no interior.
No mesmo período, foram contabilizadas 4.001 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. Aproximadamente 1,5 mil profissionais participam das ações de prevenção e combate às queimadas em 35 municípios.
Em Parintins, entretanto, o cenário evidencia que a mobilização de tropas, viaturas e aeronaves ainda ocorre em meio a uma crise que já compromete a rotina da população. Com as aulas suspensas há uma semana, atividades esportivas interrompidas e a qualidade do ar em níveis preocupantes, os efeitos das queimadas deixaram de ser uma ameaça distante e passaram a fazer parte do cotidiano dos moradores.
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