Manaus, 7 de julho de 2026
×
Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Fundo Amazônia só tem o nome: dinheiro vai para ONGs do Sul

O presidente da AAM, Anderson Sousa, afirma que recursos são desviados da realidade amazônica e defende que prefeituras, e não ONGs, tenham acesso direto aos investimentos ambientais.

fundo-amazonia-so-tem-o-nome-d

Anderson Sousa durante entrevista ao Portal AM1 (Foto: Celso Maia/Portal AM1)

Manaus (AM) – O presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa, criticou duramente a forma como os recursos do Fundo Amazônia estão sendo aplicados no Brasil. Segundo ele, o dinheiro do fundo raramente chega aos municípios amazônicos, enquanto ONGs de outros estados administram milhões sem sequer dialogar com as prefeituras locais. A declaração ocorreu durante entrevista ao “Programa Cenário Político”, do Portal Am1, nesta quarta-feira (9).

“Você vê um fundo chamado ‘amazônico’ sendo usado no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Rio Grande do Sul… por ONGs que não têm nenhum comprometimento com o Amazonas”, afirmou Sousa. A declaração foi feita durante entrevista sobre o papel das prefeituras no enfrentamento das crises ambientais que atingem o estado.

O presidente da AAM relatou ter participado de fóruns com representantes de diversos países da América Latina, onde o uso indevido dos recursos do fundo também foi debatido. “O nome é Fundo Amazônia, mas o dinheiro pouco se usa aqui dentro, essa é a realidade”, afirmou.

Sousa também criticou a forma como projetos são executados por organizações não governamentais sem qualquer articulação com os prefeitos. Segundo ele, obras são realizadas em locais onde não há demanda, gerando desperdício de recursos e falta de manutenção.

“Uma ONG recebe R$ 30 milhões para atuar em três ou quatro municípios. Constrói uma escola onde o prefeito não precisa, ou uma UBS sem consultar a gestão municipal. Depois, quem mantém essa unidade?”, questiona.

Para o presidente da AAM, os recursos do fundo devem ser geridos diretamente pelas prefeituras. “Tem que ser aberto às prefeituras. É o que estamos pedindo oficialmente. Estamos em articulação com os presidentes de associações municipais de Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Tocantins e Amazonas para isso”, explicou.

Sousa também destacou que o Amazonas enfrenta duas catástrofes anuais: a seca e a enchente. E, segundo ele, o apoio financeiro federal e internacional deveria ser focado em soluções práticas, construídas com quem vive a realidade local. “Não é só o Amazonas. O Acre também passa por isso. Roraima tem seca. Mas aqui enfrentamos os dois: seca e cheia. E seguimos com pouca estrutura e pouco apoio”, finalizou.

LEIA MAIS: