(Foto: Secom/Divulgação)
Manaus (AM) – Em um aceno tímido, o governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), admitiu nessa segunda-feira (17) que a preservação da Amazônia avançou sob o governo de Lula (PT). Em entrevista à mídia nacional, Lima foi indagado se a atuação do governo petista seria melhor que a gestão de Jair Bolsonaro (PL) no combate ao desmatamento, por exemplo.
“Sim, mas é um esforço conjunto. Na ponta, quem lida são as prefeituras e os estados. O governo federal tem um trabalho, principalmente, de controle de fronteiras”, disse Wilson Lima.
O governador justificou que o “maior problema” do governo bolsonarista, quando houve aumento de áreas desmatadas na região, foi a comunicação. “Na gestão passada, tínhamos um problema gravíssimo de comunicação. O presidente Bolsonaro não conseguia comunicar de forma correta, mas estava certo no pensamento: não tem como preservar se não gerar oportunidade para as pessoas”, defendeu Wilson.
Segundo Lima, o “programa mais eficiente de combate ao desmatamento e queimadas é o envolvimento da população com atividades produtivas”.
O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontou, em janeiro deste ano, 60% de redução no desmatamento da Amazônia. Pelo monitoramento, até aquele mês, o órgão registrava o décimo mês consecutivo em contenção. Além disso, o Amazonas está entre os estados que mais desmataram em 2023.
No entanto, para Wilson Lima, o trabalho de fiscalização dos órgãos ambientais não foi o mais significativo para a diminuição dos números de desmate da região.
“Criou-se uma narrativa de que o mais importante nesse processo é a fiscalização; mas não pode ser a regra. Tem que ser a exceção, porque são ações paliativas. Eu preciso gerar oportunidades para as pessoas do Amazonas”, argumentou o representante do União.
BR-319
Sobre os entraves para as obras de recuperação da BR-319, o governador acredita que o contratempo é causado pelo governo federal, que tenta se mostrar “preservador”. “O grande problema é a narrativa que o governo federal quer criar de preservador. É mais interessante proibir a pavimentação de uma estrada como a BR-319 e ganhar o título de preservador do que enfrentar o desafio de dar acessibilidade para quem mora aqui, com proteção ambiental”, alegou o político.
De acordo com Wilson, o Amazonas está disposto a dar as condicionantes ambientais para a rodovia.
O chefe do Executivo estadual também aproveitou a ocasião para criticar o comando de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente. Segundo Lima, a ministra é contra os projetos econômicos do estado. Ele se referia ao licenciamento para exploração de potássio no município de Autazes, pela empresa Potássio Brasil, que tem aval do governo estadual, o qual a ministra se opõe.
“Minha relação com a Marina é boa. Mas sabemos a posição do Ministério do Meio Ambiente, que é totalmente contra qualquer atividade econômica no estado, e não interessa se ela é sustentável e ambientalmente correta”, concluiu Lima.
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