Manaus, 6 de julho de 2026
×
Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Governo Wilson Lima acumulou paralisações, distratos e abandono em obras bilionárias

Levantamento oficial expõe: o “maior pacote de obras da história” virou o maior cemitério de contratos do Amazonas.

governo-wilson-lima-acumulou-p

(Foto: Diego Peres/Secom)

Manaus (AM) – Um levantamento oficial disponibilizado pela própria Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) revela o que o governo Wilson Lima tentou esconder por sete anos: o Amazonas virou um cemitério de obras paradas, distratadas ou simplesmente abandonadas entre 2019 e 2025.

O relatório — que reúne 86 contratos e um total de R$ 1,33 bilhão — escancara um padrão de fracasso: a maioria dos empreendimentos de infraestrutura não chegou ao fim, foi paralisada ou teve o contrato rompido.

Dos 86 contratos de obras que não foram entregues, o quadro é o seguinte:

  • Obras paralisadas: 14;
  • Obras rescindidas/distratadas: 42;
  • Obras extintas por decurso de prazo (não concluídas): 26;
  • Total de recursos envolvidos: R$ 1.331.185.254,79.

O resultado é devastador: um retrato fiel da incapacidade de gestão do governador Wilson Lima, que encerra o mandato com uma infraestrutura em frangalhos e municípios inteiros aguardando obras que viraram promessa vazia.

As 10 maiores obras paralisadas ou rescindidas

1. Reforma e modernização da AM-010
Valor: R$ 382.876.660,85
Situação: Rescindido/distratado
Contratante: Consórcio AM-010
Uma das promessas mais repetidas por Wilson Lima virou mais uma obra rompida. A rodovia permanece sem conclusão.

2. Construção do Hospital Regional de Manacapuru (Contrato 2022)

Valor: R$ 78.917.752,88
Situação: Rescindido/distratado
Empresa: Austera BR Engenharia
A obra foi rompida sem entrega e reapareceu em 2024 com um novo contrato — que também está paralisado.

3. Pavimentação em Novo Remanso – Itacoatiara
Valor: R$ 55.589.590,86
Situação: Paralisado
Empresa: Compasso Construções
Uma das maiores obras do interior está parada desde 2024, apesar de sua importância logística.

4. Construção do Hospital Regional de Manacapuru (Contrato 2024)

Valor: R$ 75.494.450,39
Situação: Paralisado
Empresa: Construtora Mercure
Segue o mesmo destino da versão anterior: promessa, contrato, assinatura… e paralisação.

5. Pavimentação e recuperação do sistema viário de Envira
Valor: R$ 40.112.687,01
Situação: Paralisado
Empresa: JED Construções
Um dos municípios mais isolados do Estado continua sem o sistema viário prometido.

6. Pavimentação e recuperação do sistema viário de Novo Remanso
Valor: R$ 34.336.180,50
Situação: Paralisado
Empresa: Compasso Construções
Segunda obra milionária da empresa incluída no relatório — e também parada.

7. Obras e serviços de engenharia em Fonte Boa
Valor: R$ 55.589.590,86 (valor repetido pelo sistema, mesma empresa/mesmo padrão de paralisação)
Situação: Paralisado
Empresa: Compasso Construções

8. Recuperação do sistema viário de Lábrea

Valor: R$ 20.810.212,60
Situação: Rescindido/distratado
Contratante: Prefeitura de Lábrea

9. Recuperação do sistema viário de Apuí
Valor: R$ 17.245.079,27
Situação: Paralisado
Empresa: Cotrap Construções

10. Sistema viário urbano de Envira
Valor: R$ 15.591.595,69
Situação: Rescindido/distratado
Empresa: S&A Construtora

O relatório disponibilizado no “Mapa de Obras” no Portal da Transparência do Governo do Amazonas desmonta o discurso oficial. Wilson Lima afirmou diversas vezes que faria o maior pacote de obras da história, mas os números mostram o contrário: rodovias abandonadas, hospitais regionais que nunca saíram do papel, recuperações viárias interrompidas em todo o interior, pontes, orlas e sistemas de abastecimento cancelados.

A soma é um Estado com infraestrutura estagnada e milhões de reais desperdiçados em contratos rompidos, aditivos sem fim e empresas reincidentes em paralisações — muitas delas citadas várias vezes no mesmo documento.

De 2019 a 2025, o governo Wilson Lima acumulou obras interrompidas, contratos descontinuados e empreendimentos que sequer iniciaram, apesar de terem consumido recursos públicos significativos.

O levantamento deixa evidente uma gestão marcada por promessas não cumpridas e incapacidade de concluir projetos essenciais para a população — especialmente no interior, onde a dependência das obras públicas é absoluta.

LEIA MAIS: