(Foto: Diego Peres/Secom)
Manaus (AM) – O governador Wilson Lima abriu mais uma frente para se aproximar do funcionalismo às vésperas do ano eleitoral. Desta vez, a cartada veio em forma do Edital de Credenciamento nº 001/2025, publicado pela Secretaria de Administração e Gestão (Sead), que busca atrair operadoras e administradoras de planos de saúde para oferecer assistência médica e odontológica diretamente a 82,5 mil servidores estaduais.
A iniciativa, embora apresentada como uma “facilitação” de acesso, tem clara conotação política: é um afago calculado para manter a base de servidores ao lado do governador num momento em que ele prepara sua corrida por votos para 2026.
O documento deixa claro que o Estado não arcará com nenhum custo — os planos serão pagos integralmente pelos servidores —, mas o governo entra com algo valioso: o acesso irrestrito à máquina pública, permitindo que empresas credenciadas circulem por secretarias, façam campanhas internas e usem os espaços institucionais para divulgar produtos privados. Essa disposição está expressa no próprio edital, que autoriza a entrada das empresas nas secretarias e a ampla divulgação dos planos. Ou seja, o governo não paga, mas oferece a vitrine.
Na justificativa do chamamento, o edital reconhece que o Estado conta com um grande contingente de servidores e que a oferta coletiva poderia baratear os planos. O texto, porém, ignora um ponto essencial: o governo não está oferecendo benefício real ou subsídio — apenas criando um ambiente oficial para empresas privadas comercializarem diretamente dentro da administração pública, em pleno período pré-eleitoral, reforçando a narrativa de “atenção ao servidor”.
O credenciamento ficará aberto por 30 dias e permitirá a entrada de qualquer operadora ou administradora que cumpra as exigências formais. A contratação, no entanto, é individual: servidor por servidor, sem responsabilidade financeira do Estado. Na prática, o governo cria uma política que parece benefício, mas transfere todo o custo ao bolso do trabalhador e ainda utiliza o próprio servidor como alvo de uma ação com forte subtexto político.
Tentativa de redução de desgaste
A publicação do edital ocorre no momento em que Wilson Lima tenta reduzir desgastes acumulados nas áreas de saúde, educação e segurança, além de buscar fortalecer laços com categorias que vêm reclamando de perdas salariais, escalas, falta de estrutura e ausência de políticas permanentes. Ao permitir que empresas entrem diretamente no ambiente público para vender serviços, o governo tenta suavizar o clima, oferecendo uma medida de impacto simbólico — mas sem impacto financeiro para o Estado.
No fim, o credenciamento revela menos uma política pública consistente e mais uma estratégia eleitoral camuflada. Wilson Lima tenta se mostrar “próximo” do servidor, mas o que oferece não é benefício: é apenas um balcão de vendas instalado dentro do governo, travestido de cuidado com a saúde do funcionalismo. Um gesto político claro, planejado para agradar um dos maiores colégios eleitorais do Amazonas.
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