(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Manaus (AM) – O Amazonas vive um paradoxo perigoso: enquanto o governo estadual posa como defensor da floresta nos palcos internacionais, dentro de casa aprova medidas que alimentam queimadas, estimulam grilagem e desmontam políticas ambientais.
Essa é a avaliação do professor de biologia e ecólogo Welton Oda, em entrevista ao Portal AM1, ao afirmar que a crise climática local tem causa conhecida: decisões políticas que ignoram pareceres técnicos e favorecem interesses privados.
Segundo Oda, a expansão da fronteira agrícola — que antes avançava pelo Pará — já chegou ao sul do Amazonas com apoio direto de prefeitos e do próprio governo estadual. “A gente viu servidores públicos envolvidos em grilagem de terras protegidas. Bilhões foram apreendidos. É o Estado participando da destruição que deveria impedir”, disse.
As queimadas, que já atingem a capital mesmo em períodos chuvosos, são reflexos desse descontrole. “O problema não é só omissão. São políticas equivocadas que estimulam monoculturas que destroem floresta para plantar aquilo que poderia ser cultivado em sistemas agroflorestais”, explicou.
Para o ecólogo, o colapso ambiental do Amazonas não é acidente: é projeto político. “Se o desenvolvimento continuar sendo incompatível com a conservação, nós vamos ficar cada vez mais sob fumaça, rinite, crise respiratória e rios agonizando”, afirma.
Assista à entrevista na íntegra:
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