Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Investimento em novos modais ganha destaque, enquanto a mobilidade ativa é deixada de lado

Durante o período das Eleições Municipais de 2024, a mobilidade urbana em Manaus volta a ser pauta entre os candidatos à prefeitura.

(Foto: Divulgação/Seinfra)

Manaus (AM) – Durante o período das Eleições Municipais de 2024, a mobilidade urbana em Manaus volta a ser pauta entre os candidatos à Prefeitura. Investimento em novos modais ganha destaque, enquanto a mobilidade ativa parece ser deixada de lado nos planos de governo dos prefeituráveis.

Na definição do eCycle, a mobilidade ativa é o ato de se deslocar usando a própria energia corporal.

“Mobilidade ativa é o ato de se mover usando a energia do próprio corpo. Essa ação está na sociedade desde os princípios da humanidade, exercendo seu papel antes mesmo dos carros serem o centro das atenções. Desde o ciclismo até mesmo a caminhada diária, toda a atividade de locomoção que acontece por meio de energia humana faz parte da mobilidade ativa”, define a plataforma.

Embora faça algumas ressalvas, o professor e doutor em Engenharia de Transportes Geraldo Alves explica, em entrevista ao Portal AM1, que a mobilidade ativa pode ser considerada ainda mais precarizada do que a mobilidade urbana com os transportes coletivos.

“O transporte coletivo ainda recebe algum tipo de investimento. Há recursos públicos bancando parte do custo operacional do sistema todos os meses, mas a gente não vê a mesma investidura, o mesmo desempenho do governo municipal quando o assunto é a caminhada. Temos até um governo municipal preocupado com o transporte coletivo e adotando algumas medidas necessárias para não deixá-lo piorar mais do que já está; agora, não vemos o mesmo esforço do governo municipal em assegurar condições adequadas de circulação a pé. É como se a gente não precisasse caminhar em Manaus, ou como se a caminhada também não dissesse respeito à gestão do município”, entende Alves.

Nesse sentido, o especialista não apenas destaca as questões críticas da mobilidade urbana em Manaus, mas também menciona alguns investimentos que poderiam promover uma mudança nesse cenário.

“No mínimo, seria necessário ter agentes, assim como há agentes para o trânsito dos automóveis, para fiscalizar as condições de circulação sobre as calçadas. Esses agentes, então, estariam responsáveis por identificar obstruções nas vias, nas calçadas, como veículos que param sobre elas e as obstruem, ou caçambas que estão colocadas em cima delas, impedindo a circulação dos pedestres”, destaca o engenheiro.

Estudos

Um estudo realizado pela Mobilize Brasil em 2022 levantou questionamentos sobre os modelos de transporte e a falta de incentivos à mobilidade ativa na capital amazonense. O levantamento trouxe dados inéditos sobre a situação dos transportes públicos e as condições para a circulação de pedestres e ciclistas nas 27 capitais brasileiras.

“De costas para seus rios e com pouco estímulo à mobilidade ativa, a capital do Amazonas tem priorizado investimentos na infraestrutura viária para o transporte por ônibus”, apontou Mobilize sobre Manaus.

Entre as cidades brasileiras, Manaus está entre as com os menores índices de faixas e corredores de ônibus, com apenas 6,90 km. A situação é semelhante no que se refere à extensão de ciclovias, que alcança apenas 31 km, também próximo aos menores índices do país. Além disso, a cidade não conta com sistemas de trilhos ou serviços de bicicletas públicas em operação, segundo levantamento realizado pela instituição.

(Foto: Reprodução/Mobilize Brasil)

‘Priorizar os não-motorizados’

Segundo dados disponibilizados pela Prefeitura de Manaus e organizados pela Mobilize Brasil, 53% das viagens no trânsito, na cidade, são feitas pelos transportes coletivos e os outros 30% são realizados a pé. Apenas 2,40% é realizado por veículos individuais motorizados. Embora majoritário, com a expansão populacional da capital amazonense, o transporte coletivo é considerado precarizado por muitos manauaras.

O especialista em transportes explica que a Lei da Mobilidade Urbana, promulgada em 2012, instituiu um plano nacional que orienta as cidades a priorizarem formas de mobilidade sustentáveis, como a caminhada, a bicicleta e o transporte coletivo, em relação aos modais motorizados. Assim, a lei estabelece que os meios de transporte mais ecológicos e coletivos devem receber mais atenção e investimento, enquanto os veículos motorizados devem ser considerados em segundo plano.

“A Política Nacional de Mobilidade Urbana é orientada pelas seguintes diretrizes: integração com a política de desenvolvimento urbano e respectivas políticas setoriais de habitação, saneamento básico, planejamento e gestão do uso do solo no âmbito dos entes federativos; prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado”, determina o texto.

Nesse contexto, a pesquisa realizada pelo Mobilize durante a campanha ‘Calçada do Brasil 2019‘ avaliou esses espaços com base na percepção dos pedestres. A capital amazonense obteve a nota de 5,7 em uma escala de 0 a 10. Isso reforça a percepção negativa em relação à mobilidade ativa, que, segundo a Lei nº 12.587, deveria ser um princípio básico. Na análise do Mobilize, Manaus possui ‘alguns poucos locais exemplares’, entretanto, o cenário é de ‘total abandono’ no que diz respeito às calçadas, sinalização e demais equipamentos de apoio ao pedestre.

 

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