Manaus, 15 de setembro de 2026
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Manaus, 15 de setembro de 2026

Política

Jornada Ativa começa nesta quarta na Ufam e debate impactos da inteligência artificial nos direitos humanos

Evento gratuito reúne pesquisadores, estudantes, comunicadores e sociedade civil para discutir IA, Big Techs, desinformação, regulação e direitos a partir da Amazônia.

(Foto: Divulgação/Grupo de Pesquisa Ativa)

Manaus (AM) – A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) recebe, a partir desta quarta-feira (16), a 1a edição da Jornada Ativa de Comunicação, Inteligência Artificial e Sociedade, que vai reunir estudantes, pesquisadores, profissionais da comunicação e representantes da sociedade civil para discutir os impactos das tecnologias de inteligência artificial sobre os direitos humanos.

Com o tema “Tecno-retomada: (re)inventando direitos na era das plataformas”, a Jornada acontece nos dias 16 e 17 de setembro, no Campus Universitário da Ufam, no Coroado, zona leste de Manaus. As atividades são gratuitas.

Realizado pelo GP Ativa (Grupo de Pesquisa em Comunicação, Inovação Social e Tecnologias Digitais) e pelo coletivo Abaré, o evento conta com apoio da Faculdade de Comunicação e Informação (FIC/Ufam) e do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

A programação começa nesta quarta-feira (16), às 9h, com o painel “(Re)criando tecnologias por direitos humanos”, no Auditório Rio Negro, na setor norte do campus universitário. O debate contará com a participação da advogada e pesquisadora Gabrielle Farias, mestranda em Direito da Regulação pela FGV-RJ e fellow da Information Society Law Center, da Universidade de Milão, na Itália.

Também integram o painel a pesquisadora Jéssica Botelho, doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com atuação em comunicação e território na Amazônia. Jéssica coordena atualmente o Atlas da Notícia na região Norte e o Centro Popular de Comunicação e Audiovisual (CPA), coletivo de Manaus que articula justiça climática, direitos humanos, cultura e tecnologia.

A composição do painel conta ainda com a comunicadora popular Madalena Vieira, da Abaré Escola de Jornalismo. Formada em Letras pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e mestre em Estudos Literários pela Ufam, Madalena atua há seis anos com comunicação no terceiro setor, com foco em cultura, causas socioambientais e direitos humanos. Ela também já integrou a comunicação da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e atualmente coordena a comunicação da Abaré.

 

Comunicação, IA e direitos

A Jornada parte da necessidade de ampliar o debate público sobre as transformações provocadas pelo avanço acelerado das tecnologias de inteligência artificial e pelas plataformas digitais.
Segundo Gave Cabral, diretor-presidente da Abaré, o encontro pretende discutir, a partir da comunicação, os cenários de desinformação e violação de direitos humanos amplificados pelo modelo de negócio das Big Techs e pelo uso de ferramentas de IA generativa e de tecnologias de vigilância.

“Vende-se muito a ideia de que essas tecnologias facilitam a vida das trabalhadoras e dos trabalhadores, mas esse discurso pode ser enganoso. O que queremos é discutir os impactos reais das IAs enquanto modelo de negócio, como isso afeta nossa vida cotidiana e, principalmente, traçarmos respostas coletivas para esse contexto”, destacou.

Para a professora da FIC/Ufam e líder do Grupo de Pesquisa Ativa, Cristiane Barbosa, discutir inteligência artificial também significa discutir território, democracia e direitos.

“A Jornada busca aproximar universidade, sociedade civil e profissionais da comunicação para pensar criticamente essas transformações e, a partir da Amazônia, construir coletivamente alternativas que coloquem as pessoas e os direitos humanos no centro do debate”, ressaltou.

A realização da Jornada ocorre em um contexto de crescente discussão sobre a expansão da infraestrutura tecnológica na Amazônia. O lançamento do evento acontece após a divulgação de um acordo entre o Governo do Amazonas e a iniciativa privada para estudar a instalação de um parque de data centers de alta intensidade no Estado, ampliando o debate sobre os impactos sociais, ambientais e territoriais associados à expansão da infraestrutura digital.

Workshop para jornalistas e estudantes

Na quinta-feira (17), a programação segue com o Workshop “Cobertura Jornalística sobre Big Tech e Regulação de Plataformas”, voltado a estudantes de jornalismo e jornalistas profissionais.

A atividade terá início às 14h, no Laboratório de Informática da Faculdade de Estudos Sociais (FES/Ufam), e será conduzida por Gave Cabral, jornalista, educador popular e um dos fundadores da Abaré, e por Gabrielle Farias, advogada e pesquisadora nas áreas de regulação de mercados digitais e direitos humanos.

A oficina terá caráter prático e abordará estratégias para a cobertura jornalística de temas relacionados à inteligência artificial, Big Techs e regulação de plataformas.

 

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