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Cidades

Lei Áurea: movimento negro continua na luta contra o racismo, afirmam lideranças do AM

Para representantes do movimento negro, no Amazonas, data deve ser dedicada a reflexão sobre a busca por igualdade de direitos e respeito

Lei Áurea: movimento negro continua na luta contra o racismo, afirmam lideranças do AM

Christian Rocha e Arlete Anchieta (Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal)

Manaus (AM) – Há exatos 135 anos, 13 de maio entrou para a história do Brasil como o dia em que a Lei Áurea foi assinada, decretando a abolição da escravatura. De lá para cá, a população negra avança na conquista por seus direitos, mas o legado dos anos de escravidão, como o racismo, ainda está presente na sociedade.

Para representantes do movimento negro, no Amazonas, a data deve ser dedicada à reflexão sobre a necessidade de criação de políticas públicas que garantam igualdade de direitos entre brancos e negros, e de mais respeito para a população e cultura afrodescendentes.

“Nossas crianças sofrem bullying, nossas mulheres violência doméstica, estupro e diferença salarial, nossos jovens continuam os suspeitos em potencial, e nossos idosos são a maioria em decorrência das injúrias. Após a abolição, os negros foram compor os guetos e até hoje são a maioria dos pobres. […] Então o racismo continua e, infelizmente, tende a continuar”, disse o Christin Rocha, presidente do Instituto Nacional Afro Origem (Inaô) no Amazonas.

De acordo com Arlete Anchieta, professora e coordenadora do Fórum Permanente de Afrodescendentes do Amazonas (Fopaam), houve avanços na legislação em importantes áreas; o aparato legal dá forças ao movimento negro para que a resistência continue sua luta, mas ainda há muitos desafios.

“O movimento negro tem, no dia 13 de maio, um dia de luta contra o preconceito e racismo, assim como um dia de luta e resistência para as religiões de matriz africana. As datas que lembram a abolição da escravatura devem ser um momento de reflexão para negros e brancos sobre a necessidade de termos uma sociedade com maior equilíbrio de oportunidades para todos.”, afirmou.

Invisibilidade

A professora destaca que os negros africanos tinham uma cultura, valores e história, eram “donos” de si “até serem retirados de seu povo e escravizados por colonizadores na imensa diáspora negra que os levou às diversas áreas do mundo”.

Segundo ela, ainda hoje, há formas de se desqualificar ou invisibilizar a contribuição deste povo para a formação do país, como quando pouco se fala sobre as inúmeras revoltas e rebeliões que precederam a libertação ou se apaga pontos importantes da história.

“No Amazonas, por exemplo, não há referências aos negros no Museu do Homem do Norte e mesmo em outros dos nossos museus. Poucos são os amazonenses que sabem que 24 de maio é data que lembra a abolição aqui em Manaus [..] 10 de julho destaca a abolição no Amazonas – tudo isso e anos antes da assinatura da chamada Lei Aurea”, afirmou.

Para Anchieta, a invisibilidade, o desconhecimento, o menosprezo com o tema “são formas de racismo estrutural presente nos dias de hoje”. No estado, dos 3,82 milhões de habitantes estimados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 151 mil (3,95%) se identificaram como negros.

Desafios

Arlete Anchieta considera como desafios para as causas da população negra, a falta de engajamento dos representantes políticos para estudar, conhecer e assumir a problemática racial como indispensável ao equilíbrio social.

“O combate ao preconceito e racismo é pedra fundamental para o estabelecimento de políticas públicas que privilegiem os mais vulneráveis. A Assembleia Legislativa do Estado precisa estar aberta para a temática da negritude na medida em que ela atinge grande parcela da população”, disse.

No objetivo de articular a formulação de políticas públicas, Christian Rocha esteve recentemente em Brasília, onde visitou três ministérios e se encontrou com o presidente Fundação Cultural Palmares (FCP), João Jorge.

No encontro, ele apresentou Manaus como potencial sede do encontro norte-nordeste dos movimentos negros do Brasil e de alguns movimentos de negritude de países vizinhos.

“O Movimento Negro continua na trincheira, sobre a conscientização, sobre o racismo, apresentando as leis e suas penalidades, porém não temos o poder de polícia, nossas ações continuarão buscando as parcerias com os poderes públicos”, afirmou.

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