Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Política

Lula quer acelerar exploração de terras raras e mira disputa entre EUA e China

Presidente afirma que Brasil não abrirá mão da soberania mineral, mas país ainda depende do exterior para transformar reservas em riqueza tecnológica.

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Manaus (AM) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (18) que o Brasil precisa acelerar o mapeamento e a exploração de terras raras e minerais críticos, em meio à crescente disputa global por recursos estratégicos usados na indústria de tecnologia, energia e defesa.

A declaração foi feita durante evento no complexo científico Sirius, em Campinas (SP), onde Lula reconheceu que o país conhece apenas cerca de 30% do potencial mineral existente em seu território. O problema, porém, vai além do mapeamento: mesmo possuindo a segunda maior reserva de terras raras do planeta, o Brasil continua distante da liderança tecnológica e industrial do setor.

Enquanto a China domina cerca de 90% do processamento mundial desses minerais, o Brasil ainda atua principalmente como fornecedor de matéria-prima, repetindo um modelo histórico de exportação de riquezas naturais sem agregação de valor interno.

“Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro”, afirmou Lula, ao defender que o processamento aconteça em território nacional.

O discurso reforça uma preocupação crescente do governo com a soberania mineral brasileira, especialmente diante da disputa econômica entre Estados Unidos e China. Lula chegou a dizer que espera que o presidente norte-americano, Donald Trump, deixe de “brigar” com o líder chinês Xi Jinping para se associar ao Brasil em projetos ligados ao setor.

Apesar da fala nacionalista, especialistas apontam que o país ainda carece de planejamento industrial, infraestrutura e investimentos tecnológicos para transformar reservas minerais em produtos de alto valor agregado. Sem isso, o risco é repetir a lógica histórica de exportar recursos brutos enquanto outros países concentram tecnologia, lucro e poder econômico.

Lula também criticou modelos internacionais de cooperação que poderiam reduzir o controle brasileiro sobre suas riquezas minerais. Recentemente, o governo rejeitou propostas dos Estados Unidos para exploração conjunta de minerais críticos por entender que elas poderiam ferir a soberania nacional.

A defesa da industrialização interna ocorre em um momento em que minerais estratégicos se tornaram peça-chave da transição energética e da corrida tecnológica mundial. Terras raras são usadas na fabricação de baterias, celulares, turbinas eólicas, carros elétricos e equipamentos militares.

Durante o evento, Lula também voltou a defender maior intervenção do Estado na formação profissional e criticou jovens que escolhem cursos apenas pensando em retorno financeiro. Ao citar a medicina, afirmou que muitos estudantes não querem atuar no Sistema Único de Saúde (SUS), mas “abrir clínica e ganhar muito dinheiro”.

“Não podemos continuar deixando que o mercado determine o curso que o jovem faz. Muita gente que estuda medicina não é pra trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS), mas pra abrir uma clínica e ganhar muito dinheiro”, afirmou o presidente.

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