(Foto: Del Lima/Arquivo/AM1)
Manaus (AM) – Enquanto Manaus prepara a instalação de 20 novos radares de velocidade a partir de 1° de junho de 2025, Cuiabá segue o caminho inverso ao desativar 43 dos seus 78 equipamentos. Essa divergência de políticas expõe o acalorado debate sobre a eficácia e os reais objetivos da fiscalização eletrônica nas cidades brasileiras.
Na capital amazonense, os novos radares serão instalados em pontos estratégicos como avenidas Torres, Max Teixeira e Pedro Teixeira, áreas que concentram 37% dos acidentes graves registrados no último ano.
A Prefeitura de Manaus defende a medida como essencial para a segurança viária, citando redução de 22% nas mortes no trânsito em áreas já fiscalizadas.
Segundo o diretor-presidente do IMMU, Arnaldo Flores, a medida é uma ação preventiva e educativa. “A ativação desses radares é uma resposta direta à necessidade de reduzir comportamentos de risco nas vias. Nosso foco é preservar vidas, trazendo mais responsabilidade aos motoristas e mais segurança para todos”, afirmou.
Já o diretor de engenharia do IMMU, Uarodi Guedes, destaca o critério técnico adotado na definição dos pontos de instalação. “Os locais foram escolhidos com base em dados de tráfego e sinistralidade. São vias onde o controle de velocidade é essencial para evitar sinistros graves e atropelamentos”, explicou.
Opinião de quem dirige
Na opinião de quem costuma dirigir pelas ruas e avenidas de Manaus, a instalação de novos radares ajudará a reduzir acidentes de trânsito. Na visão do técnico contábil Alex Oliveira Abensur, de 56 anos, a instalação dos equipamentos pode ajudar a reduzir acidentes, pois muitos motoristas, segundo ele, não respeitam os limites de velocidade. Apesar de agir como medida educativa, o efeito dos radares, para Alex, costuma ser pontual, com condutores reduzindo a velocidade apenas nos trechos monitorados.
“Eu acho que a instalação de novos radares vem, sim, para reduzir os acidentes na cidade, tendo em vista que as pessoas não respeitam os limites de velocidade. Os condutores cometem muitas infrações no trânsito. Além disso, tem muito motorista irregular também na cidade. Então, todo instrumento, ferramenta e equipamento – que a prefeitura instale – vem para agregar a respeito da velocidade”, pontua Abensur.
Formado em gestão pública, Alex é habilitado há 15 anos e revela ao Portal AM1 que respeita as sinalizações das vias e avenidas para evitar ser multado por excesso de velocidade.
“Eu nunca fui multado por excesso de velocidade, mas isso aí porque eu respeito os limites das pistas, das vias. Mas isso [os radares] com certeza irá mudar a minha forma de dirigir e de ser mais prudente, para evitar a multa. O radar irá educar a pessoa”, avalia o técnico contábil.
Cuiabá encerra contratos
O cenário em Cuiabá, no entanto, pinta um quadro bem diferente. Após relatório do Tribunal de Contas que apontou distorções no sistema, a prefeitura decidiu encerrar o contrato com a empresa operadora dos radares.
O documento revelou que 57% das multas estavam concentradas em apenas três avenidas sem histórico relevante de acidentes, levantando suspeitas de priorização da arrecadação sobre a segurança.
Radar Doppler
Uma nova tecnologia começa a ser testada em algumas capitais: o radar Doppler, capaz de detectar variações mínimas de velocidade. A inovação promete maior precisão, mas também reacende o debate sobre o equilíbrio entre segurança e respeito aos direitos dos motoristas.
O contraste entre Manaus e Cuiabá ilustra o desafio das cidades brasileiras em encontrar o ponto ideal na fiscalização eletrônica – onde a segurança viária prevaleça sem descambar para a simples geração de receita.
LEIA MAIS:







