Maria do Carmo enfrentou divergências partidárias e decisões judiciais - (Foto: Thiago Poncio/Assessoria)
A campanha de Maria do Carmo Seffair (PL) ao Governo do Amazonas foi marcada por divergências dentro do próprio campo político, dificuldades para consolidar o apoio de lideranças da direita e decisões judiciais que atingiram sua propaganda eleitoral na reta final do segundo turno. Os episódios evidenciaram os desafios da candidata para unificar o partido em torno de seu projeto e sustentar a estratégia de confronto com o adversário Omar Aziz (PSD).
As tensões dentro do PL ficaram evidentes ainda na pré-campanha, quando integrantes da legenda demonstraram proximidade com Roberto Cidade (União Brasil), que também disputou o Governo do Amazonas. Entre os nomes que manifestaram apoio ao governador estavam os deputados estaduais Delegado Péricles, Cabo Maciel e Débora Menezes, além do vereador de Parintins Cabo Linhares. No segundo turno, Debora participou dos atos da candidata, os outros não demostraram apoio público.
O presidente municipal do PL em Coari, Zé Henrique, também anunciou apoio a Cidade. As movimentações contrariaram a tentativa de Maria do Carmo de concentrar o partido em torno de sua candidatura e evidenciaram a dificuldade de manter a unidade interna.
A situação refletiu uma disputa por espaço e influência dentro da direita amazonense. Embora Maria do Carmo tenha sido escolhida para representar o PL na corrida pelo governo, parte dos integrantes da legenda manteve relações políticas com Cidade, que construiu sua trajetória na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). As divergências demonstraram que a definição de uma candidatura não significava, necessariamente, adesão integral das lideranças partidárias ao mesmo projeto eleitoral.
Direitos de resposta reduziram espaço na TV
Na reta final do segundo turno, os problemas da campanha também chegaram ao horário eleitoral gratuito. Decisões da Justiça Eleitoral determinaram que Maria do Carmo cedesse 620 inserções de propaganda a Omar Aziz, sendo 230 em emissoras de televisão e 390 no rádio. As medidas foram motivadas por peças publicitárias que apresentavam acusações e informações sobre a trajetória política do adversário.
Entre os questionamentos analisados pela Justiça estava uma propaganda que classificava Omar como o pior senador do Amazonas e atribuía a ele uma pontuação de 5,06 no Ranking dos Políticos. Conforme a decisão noticiada, a avaliação anual consolidada do parlamentar era de 8,81 pontos, diferença considerada relevante para a análise da fidelidade das informações apresentadas ao eleitor.
Além da perda das inserções, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) concedeu direito de resposta ao senador em programas de televisão da candidata. Em uma das decisões, o tribunal determinou a exibição de 1 minuto e 43 segundos de resposta em cada um dos dois blocos relacionados à propaganda questionada. O conteúdo envolvia referências à operação Maus Caminhos, à CPI da exploração sexual, à Cidade Universitária e a uma suposta posição de Omar sobre o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
O impacto ficou visível no último dia de propaganda eleitoral na televisão, quando parte do tempo destinado a Maria do Carmo foi ocupada pela resposta concedida a Omar. Em vez de utilizar integralmente o espaço para apresentar propostas e reforçar sua mensagem, a candidata teve de dividir a exposição com manifestações determinadas pela Justiça Eleitoral.
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