Manaus, 24 de setembro de 2026
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Manaus, 24 de setembro de 2026

Cenário

MPE aponta abordagem de funcionários da AADESAM por suposta equipe de Cidade

Mensagens citadas na investigação mostram pedidos de PIX, título de eleitor e área de atuação a trabalhadores recém-contratados

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(Foto: Divulgação/Aadesam)

Manaus (AM) — Funcionários recém-contratados pela Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM) teriam sido procurados por pessoas que se apresentaram como integrantes da campanha de reeleição do governador Roberto Cidade (União Brasil), segundo informações reunidas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

As abordagens teriam ocorrido por meio de aplicativos de mensagens e passaram a integrar a investigação que apura possível uso da estrutura da AADESAM para fins eleitorais. O caso envolve contratações realizadas após uma série de desligamentos na agência e está sob análise da Justiça Eleitoral.

Segundo o material obtido pelo MPE, em uma das conversas um homem identificado como Yano Neves afirma fazer parte da equipe de Roberto Cidade e entra em contato com uma funcionária recém-contratada pela AADESAM.

Na conversa, ele teria solicitado o número do PIX da trabalhadora e o preenchimento de um cadastro. Entre os dados pedidos estavam o título de eleitor e a região onde a funcionária poderia atuar.

Em outro diálogo, um homem identificado como Lucas Freire, que também teria se apresentado como integrante da equipe do governador, aborda outra funcionária da AADESAM e faz pedidos semelhantes.

O MPE investiga a hipótese de que trabalhadores contratados pela agência pública estariam sendo direcionados para atividades relacionadas à campanha eleitoral, enquanto a remuneração teria origem em recursos ligados à estrutura pública.

As contratações começaram em julho, depois do desligamento de centenas de trabalhadores da AADESAM. De acordo com os elementos da investigação, os novos funcionários recebiam R$ 2 mil e os pagamentos passaram a ser feitos pela empresa KCC, apontada pelos investigadores como ligada a uma pessoa da cúpula da AADESAM.

Caso envolve centenas de desligamentos

A investigação eleitoral começou após a identificação de 461 desligamentos realizados entre 1º e 3 de julho, além de outras oito rescisões registradas posteriormente. No mesmo período, a AADESAM informou ter realizado mais de 140 admissões.

A movimentação chamou a atenção do MPE porque ocorreu próximo ao período em que a legislação eleitoral restringe contratações e desligamentos no serviço público. A Justiça Eleitoral determinou a preservação dos registros e posteriormente ordenou a reintegração de trabalhadores que haviam sido dispensados dentro dos critérios estabelecidos pela decisão.

O caso também resultou em operações da Polícia Federal determinadas pela Justiça Eleitoral. Em setembro, agentes fizeram buscas na sede da AADESAM e, posteriormente, na empresa KCC e em uma agência de turismo investigada no caso. Celulares, computadores e documentos foram apreendidos para perícia.

Justiça já proibiu pressão eleitoral sobre trabalhadores

Paralelamente à investigação eleitoral, a Justiça do Trabalho determinou que a AADESAM adote medidas para impedir assédio eleitoral contra seus trabalhadores.

A decisão, obtida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), proibiu a agência de ameaçar, constranger ou pressionar funcionários para participar de eventos políticos, apoiar candidatos ou realizar atividades de campanha. Também foi proibido utilizar o ambiente de trabalho, recursos institucionais ou poder hierárquico para promover campanhas político-partidárias.

A decisão prevê multa de R$ 50 mil por obrigação descumprida e determina que os trabalhadores sejam informados sobre o direito à liberdade de escolha política e à proteção contra retaliações. A medida é provisória e ainda poderá ser alterada por recurso.

MPE também pede afastamento de chefe da AADESAM

O caso ganhou novo capítulo com o pedido do MPE para o afastamento cautelar de William Alexandre Silva de Abreu, presidente da AADESAM.

O órgão sustenta que houve possível descumprimento de determinações da Justiça Eleitoral relacionadas à reintegração de trabalhadores, suspensão de novas contratações e preservação de dados. O pedido inclui ainda multa de R$ 100 mil por ato de descumprimento.

O pedido ainda depende de decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM).

Governo do Amazonas, a campanha de Roberto Cidade, a AADESAM, a KCC e as defesas dos citados foram procurados pelo Portal AM1, por meio de e-mail. Mas, até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.

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