(Foto: Reprodução/Rede Social)
Manaus (AM) – O episódio nos bastidores do debate da TV Norte Amazonas, em 13 de outubro, ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (15). O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu à Justiça Eleitoral do Amazonas que encaminhe à Polícia Federal (PF) a denúncia apresentada pela deputada estadual e candidata a vice-governadora Alessandra Campêlo (PSD) contra o vereador de Manaus e deputado federal eleito Sargento Salazar (PL) e o suplente de deputado estadual Kidson Maia (PL). A parlamentar relatou ter se sentido ameaçada por gestos de Kidson e também citou Salazar no episódio.
O pedido coloca o caso sob a perspectiva de uma investigação policial, mas ainda não representa uma conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos. O MPE afirma que os elementos apresentados até agora não permitem confirmar se houve crime e defende o aprofundamento da apuração.
A manifestação foi protocolada pelo promotor eleitoral Jorge Alberto Veloso Pereira, da 1ª Zona Eleitoral de Manaus, no processo nº 0600028-85.2026.6.04.0001. O objetivo é permitir que a PF reúna provas, esclareça as circunstâncias do episódio e verifique eventual responsabilidade criminal.
“Da análise dos elementos apresentados, verifica-se a necessidade de aprofundamento da apuração”, afirma o promotor.
O ponto central é que o caso já produziu consequências judiciais, mas ainda precisa de respostas sobre o que efetivamente aconteceu nos bastidores do debate.
Medidas protetivas antecedem pedido de investigação
Antes da manifestação do MPE, a Justiça Eleitoral concedeu medidas protetivas de urgência a Alessandra Campêlo. A decisão estabeleceu restrições de aproximação e contato, além de medidas relacionadas ao porte de armas.
A Justiça também determinou a preservação e a apresentação da íntegra da gravação do debate e das imagens do circuito interno de segurança do local. Registros de credenciamento e informações sobre a autenticidade e a integridade dos arquivos também foram solicitados.
As providências colocam as imagens e os registros do evento entre os elementos relevantes para esclarecer a versão apresentada pela parlamentar e as circunstâncias do episódio.
A concessão das medidas protetivas, porém, não equivale a uma condenação nem comprova, por si só, a ocorrência dos crimes citados na representação.
PF poderá aprofundar apuração
O Ministério Público Eleitoral pediu que a Justiça encaminhe o procedimento à Polícia Federal, com base na Resolução nº 23.640/2021 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disciplina a apuração de crimes eleitorais.
A solicitação ainda depende de decisão judicial. Se autorizada, a investigação poderá incluir diligências para esclarecer os fatos e reunir elementos sobre as condutas atribuídas aos representados.
A denúncia menciona possíveis infrações relacionadas a ameaça, violência psicológica contra a mulher, coação no curso do processo e violência política contra a mulher, além de outros dispositivos legais. A inclusão desses artigos indica as hipóteses que deverão ser examinadas, e não crimes já comprovados.
O procedimento começou na 1ª Zona Eleitoral de Manaus e foi posteriormente encaminhado à 70ª Zona Eleitoral, responsável pelas atribuições de Juízo das Garantias durante a fase investigatória.
Discurso público e conduta nos bastidores sob análise
O episódio ocorreu durante a campanha eleitoral, em um ambiente que deveria ser dedicado ao confronto de propostas e ideias. Agora, a apuração busca esclarecer uma denúncia de intimidação apresentada por uma das candidatas.
A repercussão política do caso, no entanto, não substitui a necessidade de provas. O próprio Ministério Público reconhece que ainda não há elementos suficientes para concluir se houve crime, e a eventual responsabilidade de Salazar e Kidson dependerá do que for apurado.
Se a Justiça autorizar o pedido, caberá à PF aprofundar a investigação. Depois, o material retornará ao Ministério Público Eleitoral, que avaliará as providências cabíveis.
LEIA MAIS:





