Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Política

Mudança de Sergio Moro para o PL repercute e traz à tona críticas antigas feitas por ele aos novos aliados

O anuncio de filiação ao partido recebeu apoio de Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro, considerados por ele alvos políticos no passado.

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(Foto: Reprodução /Instagram @SergioMoro)

Manaus (AM) –  A iminente filiação do senador Sergio Moro ao Partido Liberal (PL) para disputar o governo do Paraná em 2026 expõe mais um capítulo de rearranjos políticos marcados por reaproximações e revisões públicas de discurso. A articulação, conduzida pelo presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto, ocorre poucos anos após o próprio Moro ter direcionado críticas diretas ao dirigente, relembrando sua condenação no escândalo do Mensalão.

O movimento foi consolidado após reunião em Brasília com lideranças do PL, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, que passou a tratar Moro como “amigo” e declarou apoio à sua pré-candidatura ao governo estadual.

A mudança de partido ocorre após impasses no União Brasil, que, em função da federação com o Progressistas (PP), não assegurou a candidatura de Moro ao Executivo paranaense. O PL, por sua vez, oferece não apenas a legenda, mas também inserção em uma estratégia nacional vinculada ao campo bolsonarista, que busca fortalecer palanques estaduais para 2026.

O reposicionamento político chama atenção pelo contraste com declarações anteriores do ex-juiz. Em 2021, ao deixar o Ministério da Justiça, Moro afirmou que “quem mandava” no governo do então presidente Jair Bolsonaro seria Valdemar Costa Neto, a quem associou diretamente ao histórico do Mensalão. Na época, também criticou a aproximação do governo com figuras que, segundo ele, representavam práticas políticas que havia combatido durante sua atuação na Operação Lava Jato.

O histórico de divergências não se limita à direção partidária. O próprio Flávio Bolsonaro, hoje aliado declarado, foi alvo de críticas de Moro em relação ao caso das chamadas “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Na ocasião, o ex-juiz defendeu a apuração dos fatos e eventual responsabilização criminal, caso comprovadas irregularidades.

Outro ponto de tensão registrado no passado envolve acusações feitas por Moro sobre tentativa de interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal, com o objetivo de proteger familiares de investigações. Apesar disso, pouco mais de um ano após a saída do governo, o senador declarou apoio à reeleição do então presidente.

Procurado pela imprensa, Moro informou, por meio de sua assessoria, que não comentará declarações anteriores nem eventuais contradições relacionadas ao novo alinhamento político. Também não respondeu sobre o papel que Valdemar Costa Neto poderia exercer em um eventual governo apoiado pelo PL.

Nas redes sociais, o anúncio da filiação e o alinhamento repercutiram por meio de montagens de vídeos que resgatam declarações passadas. As publicações destacaram críticas feitas anteriormente por Sergio Moro e Flávio Bolsonaro a Valdemar da Costa Neto, estabelecendo um contraste direto com a atual aproximação. A repercussão contextualizou a mudança de posicionamento e relembra episódios recentes do cenário político nacional.

A filiação ao partido está prevista para ser oficializada em Brasília e marca o início de uma nova etapa de articulações eleitorais. O movimento insere Moro em um cenário de disputas mais amplas, no qual alianças políticas e estratégias regionais passam a ser determinantes na composição das candidaturas para 2026.

 

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