Mesmo após reduzir suas funções partidárias desde que Bolsonaro deixou a prisão domiciliar, em novembro do ano passado, para cumprir pena por tentativa de golpe de Estado em unidade da Polícia Federal e, posteriormente, na Papudinha, Michelle segue sendo peça-chave nas decisões do partido.
Na prática, sua atuação tem garantido espaço para candidatas de sua preferência, o que tem gerado atritos internos. Um dos casos mais evidentes foi o da deputada federal Caroline de Toni. Inicialmente descartada pelo PL na disputa ao Senado, ela acabou confirmada após intervenção direta de Bolsonaro, movimento reforçado por manifestações públicas de apoio de Michelle.
O episódio expôs o peso político da ex-primeira-dama. Na mesma semana em que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, comunicou a exclusão de De Toni da chapa, Michelle publicou uma foto ao lado da deputada, gesto interpretado como sinal de pressão sobre a direção do partido.
À época, a composição ao Senado incluía Carlos Bolsonaro e o senador Esperidião Amin (PP). No entanto, relatos de políticos que visitaram Bolsonaro indicam que o ex-presidente interveio para alterar a decisão, priorizando De Toni, o que acabou sendo acatado pela cúpula do partido.
Quando a chapa foi oficializada por Flávio Bolsonaro, Michelle fez questão de resgatar publicamente seu apoio à deputada. Em resposta, De Toni afirmou que a ex-primeira-dama foi “peça fundamental” para sua permanência na disputa.
No Distrito Federal, a influência de Michelle também se reflete na reorganização do PL após o rompimento com o governador Ibaneis Rocha (MDB), implicado no caso Master. A legenda passou a apostar em nomes alinhados à ex-primeira-dama, como Bia Kicis e Celina Leão, além de discutir uma possível candidatura da própria Michelle ao Senado.
Esse cenário, no entanto, amplia a pressão para que ela também atue em favor dos interesses eleitorais de Flávio Bolsonaro, evidenciando tensões entre projetos pessoais e a estratégia mais ampla do grupo político.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que Jair Bolsonaro defende a candidatura da esposa, mas a decisão ainda depende de sua condição de saúde. Enquanto isso, Michelle segue exercendo influência decisiva, em um contexto que levanta questionamentos sobre o grau de centralização das decisões no núcleo familiar do ex-presidente e os impactos disso para a condução do PL.