Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Economia

No AM, mulheres ganham em média até 13% menos que homens, aponta Dieese

Os dados são do 3º trimestre de 2022 da Pnad Contínua do IBGE, no Brasil, o rendimento médio real mensal das mulheres ocupadas era 21% menor do que o dos homens

Comércio Varejo

(Foto: Antônio Mendes/Portal AM1)

Levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese) aponta que no Amazonas as mulheres recebem, em média, 13% menos que os homens.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Amazonas, enquanto os homens recebem, em média, R$ 2.117, as mulheres têm como remuneração, em média, R$ 1.850 por mês.

Os dados são do 3º trimestre de 2022 da Pnad Contínua do IBGE, no Brasil, o rendimento médio real mensal das mulheres ocupadas era 21% menor do que o dos homens – o equivalente a R$ 2.305 para elas e a R$ 2.909 para eles.

Por setor de atividades, mesmo quando as mulheres eram a maioria, elas recebiam menos, em média. Nos serviços domésticos, as trabalhadoras representavam cerca de 91% dos ocupados e o salário foi 20% menor do que o dos homens. No grupamento educação, saúde e serviços sociais, elas totalizaram 75% dos ocupados e tinham rendimentos médios 32% menores do que os recebidos pelos homens.

“As diferenças de inserção, de ocupação e de rendimentos se refletem também na família e acabam determinando o nível de bem-estar familiar, a forma como se dá a inserção de cada membro e a possibilidade de acesso a bens e serviços básicos”, apontou o Dieese. 

Os números apontam, ainda, que o Brasil contava com 89,6 milhões de mulheres com 14 anos ou mais, das quais 47,9 milhões faziam parte da força de trabalho. 

(Des)Valorização

Os 13% pagos a menos às mulheres no Amazonas em comparação com os homens coloca o Estado em 4º na região Norte, atrás de Tocantins, onde as mulheres recebem 19% menos que homens; de Rondônia, onde os salários têm uma diferença de 15%; e de Roraima, onde os salários variam, em média 14%. 

“Os indicadores mostraram o que se vivencia na prática: um contingente de mulheres que ganha menos se insere de forma precária e leva mais tempo em busca de colocação no mercado de trabalho. Esse quadro faz com seja perpetuada a situação de vulnerabilidade não só da mulher chefe de família, mas de todos os familiares, com a transferência de milhares de crianças e jovens da escola para o mercado de trabalho, para que contribuam com a renda da família”, apontou o Dieese.

Segundo o Dieese, com base no Pnad, no Amazonas, há 718 mil mulheres ocupando postos de trabalho. No entanto, 61,6% delas recebem até um salário mínimo e destas 63,1% trabalhavam na informalidade.

Dentre as mulheres que estão ocupando postos de trabalho, 65,8% são negras. Em contraponto, há 745 mil mulheres no Amazonas fora dos postos de trabalho, ou seja, desempregadas. 

“Os últimos anos foram de retrocessos no país, devido à falta de investimentos e políticas capazes de garantir emprego, saúde e até mesmo a vida das mulheres. O caminho para uma sociedade mais justa e com igualdade de gênero parece ter ficado ainda mais longo. É preciso que o país cresça e gere renda e emprego de qualidade, mas é necessário também enfrentar as desigualdades de gênero e raça/cor e que as mulheres tenham mais voz na sociedade, via negociação coletiva e políticas públicas”, afirmou o Dieese no boletim “As dificuldades das mulheres chefes de família no mercado de trabalho”, publicado no dia 8 de março em alusão ao Dia Internacional da Mulher.

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