Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Obra da BR-319 precisa atender necessidade da população, aponta ambientalista

“A estrada não foi criada para gerar polêmicas, nem para enfeitar a floresta. É possível desenvolver atividades produtivas ao longo deste trecho”, diz ambientalista.

BR-319(Foto: Divulgação)

Manaus (AM) – O geólogo especialista em engenharia ambiental, zoneamento ecológico, gestão ambiental e sustentabilidade na Amazônia, Jorge Luis Garcez Teixeira, aponta que a obra de recuperação da BR-319 precisa atender a necessidade da população local. “A estrada não foi criada para gerar polêmicas, nem para enfeitar a floresta. Então, a gente tem que ser sensato nessas discussões”.

Conforme o cientista ambiental, a engenharia está aí para dar soluções para áreas mesmo com a condições adversas da BR-319. “Eu acredito que existem recursos para isso. É uma questão de querer realizar um trabalho bem feito, uma obra para que tenha pelo menos 20 anos de garantia sem necessidade de uma manutenção mais rigorosa. Que ela suporte as alternativas de construção”, pontuou.

Jorge Garcez ainda destacou ser muito positiva a disposição do governo federal de querer recuperar e revitalizar a BR-319, assim como o empenho do governador do Amazonas, que busca viabilizar o processo, buscando as forma de destravar essa obra, que vai contribuir para tirar o cidadão amazonense do isolamento.

Ao Portal AM1, o especialista disse que é necessário estabelecer limites, e que esses limites precisam ser obedecidos e respeitados para se manter a integridade da floresta amazônica no âmbito do estado do Amazonas, o que não aconteceu no Pará.

O ambientalista explica que, no Pará, atualmente, há muito menos cobertura vegetal porque não houve esse controle. E aí ocorreu abertura de ramais e vicinais, que foi o que prejudicou a manutenção da floresta por conta das atividades que foram se desenvolvendo ao longo desses ramais.

Mas, essas atividades acabaram se esgotando, deixando somente o rastro de degradação, pois o Pará foi abandonado. E é esse modelo que não pode ser repetido no estado do Amazonas, alerta o ambientalista, que ainda diz que “seria injusto com o Amazonas, se estabelecer uma proposta de recuperação da BR-319, sem tomar os devidos cuidados, e abrindo brecha para que num futuro muito próximo o estado tivesse o mesmo destino do Pará, em termo de degradação da floresta amazônica”.

Garcez reconhece que, na questão da engenharia de estradas, houve um certo exagero.

A viabilidade ou inviabilidade da BR-319 não constitue impedimento para sua recomposição, recuperação, revitalização, pavimentação, seja lá o termo que a engenharia de estradas queira utilizar. Para cada caso, há um critério específico. Quanto ao termo sustentabilidade da obra é muito relativo, porque só o termo sustentabilidade não dá nenhuma garantia para qualquer empreendimento ou atitude, seja individual ou coletivo.

Com base nisto, o termo sustentabilidade da BR-319 e a sua utilização no seu todo, no seu trecho, porque este é o objetivo, para poder escoar toda a produção do estado, seja indo ou vindo, quanto a recepção de cargas chegando ao estado, principalmente para abastecer a capital, precisa ser levada em conta certas limitações.

Para o especialista em gestão ambiental, é necessária uma política de estrada com zoneamento sociológico e econômico. Bem como uma obra que tenha garantia de ao menos 20 anos, sem a necessidade de uma manutenção rigorosa, considerando que o fluxo será sazonal.

“É possível desenvolver atividades produtivas ao longo deste trecho; contudo, tem que ser dentro de critérios racionais. Não pode ser de maneira desordenada. Tem que ter controles rigorosos. E esses projetos deveriam ser submetidos a colegiados, para não ficar na responsabilidade única e exclusiva do analista do Ipaam, do ICMBIO, ou do próprio Ibama, ou mesmo de outro órgão de controle”.

Pautas ambientalistas

“Agora, se estabelece um projeto de recuperação, mesmo que se constate que há viabilidade técnica e ambiental, mas só nas palavras isso não dá nenhuma garantia da integridade da floresta, até porque esse trecho especificamente, que é um trecho que tem um grande potencial de produção sempre foi controlado essas décadas todas pelo governo federal exatamente com essa preocupação, se houve excessos políticos por vertentes ideológicas não é a questão que a gente tem que tratar nesse momento, pois não vai resolver nada, não vai ajudar nem ao governo, nem a população que vive ali.”

Limitações

Além do que, as pautas ambientalistas de muitas Ongs, que pouco fazem para apresentar uma solução substituta da recomposição da BR-319.

“Falta bom senso. Nós vamos recuperar a BR-319, mas nós vamos exigir da população que vai fazer uso da estrada tais limitações, dentro de racionalidade, sem extremismos, nada que crie impedimento do desenvolvimento local.”

BR-319, secas e enchentes

“As secas hídricas e estiagens severas que vão se repetir cada vez mais, assim como as cheias também, vão exigir que a BR-319 seja uma alternativa que suporte as demandas da população do Amazonas, quer seja do interior do estado ou mesmo da capital, que dependem deste trecho, inclusive para situações de socorro como aconteceu no período da pandemia da Covid-19, que houve problemas de trânsito para se conseguir o socorro, e isso precisa ser visto com um olhar mais carinhoso, maior no que diz respeito a população, que nem sempre pode enxergar o transporte aéreo como a solução, pois como se vai posar uma aeronave no meio da floresta se não tiver uma pista de pouso? Onde vai atracar uma embarcação se não houver portos para isso? É preciso pensar nisso”, destacou o cientista, que também observou outras necessidades.

Então, o modelo bem feito irá se pagar com o tempo. Mas é preciso preparar as pessoas, as comunidades, valorizar os moradores com infraestrutura, internet, água potável. Assim, criando um modelo de comunidade sustentável, que não agrida a floresta, ocupando desordenadamente o espaço que cabe à floresta.

Custos

O estudioso da BR-319 e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rogério Fonseca, diz “tanto o governador quanto o ministro estão corretos a respeito das questões ambientais. Este processo vem de longa data se consolidando, tendo os estudos e delimitações de áreas protegidas estabelecidas na zona de influência direta e indireta da rodovia”.

Para ele, “o que inviabiliza a pavimentação é o custo de manutenção da estrada”. Ele tem a mesma opinião que o engenheiro Jorge Luis Garcez, e acredita que a obra de pavimentação precisa ser muito bem feita, para durar bastante tempo.

Pois caso o asfalto que irá pavimentar a via não tenha qualidade, vai dar problema no período de chuva e mais ainda no pós-chuva.

Rogério Fonseca já encontra solução se a rodovia fosse entregue à iniciativa privada por meio de concessão e com um pedágio para sustentar financeiramente todas as vertentes (social, econômica e ambiental).

“Não são fatores ambientais, são fatores de interferência na estrutura do Estado Brasileiro! Infelizmente, vejo tanto o governo federal quanto estadual reféns de compromissos assumidos publicamente que antes de assinar deveriam ter lido e pensado naqueles que aqui vivem”, frisa.

O professor acredita que os deputados federais e senadores até têm o desejo de conseguir pavimentar a BR-319, “mas precisam sentar e, independentemente de ideologias e partidos, brigar para fazer com que este projeto saia da imaginação para a ação”, precisa de mais pulso.

Fonseca acredita que se houver alguém da iniciativa privada com a responsabilidade de cobrar o pedágio e a inserção dos quadros de comando e controle no local da rodovia permanentemente e sob a égide da restrição/ordenamento de uso e ocupação de solo dada por uma unidade de conservação preferencialmente a estrada-parque, que vai solucionar a questão dos atropelamentos de animais na via, a rodovia será uma realidade.

Tecnicamente viável

O governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), nessa terça-feira (11), comemorou e anunciou que um relatório produzido pela equipe do ministro dos Transportes, Renan Filho, admitiu que a pavimentação da BR-319 é tecnicamente viável e ambientalmente sustentável.

O que faz, mais uma vez, encher os olhos dos manauaras e dos moradores que vivem isolados na única estrada que liga Manaus ao resto do país.

 

 

O fato também foi destacado pelo deputado estadual Ednailson Rozenha (PMB). O parlamentar é natural de Rondônia, e também sonha com o dia que poderá ir ao seu local de nascimento cruzando a estrada, por via terrestre.

 

 

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