Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

Sistema de transporte público decente poderia ser alternativa para manauara fugir do preço da gasolina

Longa espera, ônibus lotados e transporte de péssima qualidade são alternativas para o usuário escapar de pagar caro na gasolina, mas dispensam, devido aos problemas nos transportes

Falta de assistência no transporte público durante a pandemia em Manaus causa grave crise no sistema

Foto: Arquivo/ Portal AM1

MANAUS, AM – Um dos pesadelos dos brasileiros nos últimos meses tem sido a alta sucessiva no preço dos combustíveis. A alta do dólar e o cálculo do ICMS são um dos fatores para o preço final, que afeta o bolso dos consumidores. Entre um dos métodos para tentar reverter a situação e conseguir economizar dinheiro, está o uso do transporte público. No entanto, os cidadãos preferem gastar a mais do que se locomover nos veículos esquecidos pela Prefeitura de Manaus.

Longa espera, ônibus lotados e transporte de péssima qualidade: essa é uma das realidades enfrentadas pelos manauaras todos os dias e, até então, distante de ser solucionada. Em 2019, para ganhar visibilidade e ser “gente como a gente”, o prefeito David Almeida optou por ir de ônibus ao Centro de Manaus, na linha 704.

Na ocasião, o prefeito foi do bairro Morro da Liberdade, zona sul, até a região central. De ônibus, o percurso demora cerca de 20 minutos, e a espera nas estações também é longa nesse período. O “passeio” foi como uma máquina do tempo para David, que relembrou os anos em que era estudante e ia para a escola na mesma linha em que usou para se promover.

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Foto: Reprodução

Como um alívio para o bolso, a intenção seria utilizar transportes públicos. Na Europa, por exemplo, a população deixa carros e motos em casa e opta por se locomover nos transportes como metrô e ônibus. Isso porque as autoridades se dedicam a oferecer comodidade e rapidez entre as viagens, ao contrário da situação de mobilidade em Manaus.

A espera pelo ônibus que David Almeida utilizou, por exemplo, pode ser o dobro para quem mora em outras zonas da cidade e chega a esperar até uma hora pela linha. Vale destacar que a linha 704, que faz o transporte dos moradores do Morro da Liberdade ao Centro, é um dos poucos ônibus que fazem esse trajeto no bairro – o que acaba deixando a espera curta, mas a viagem fica desconfortável devido à lotação no transporte.

Outras zonas da cidade são agraciadas com ônibus novos, inclusive, o próprio prefeito entregou recentemente para a cidade os novos e luxuosos transporte não contemplam todos os bairros de Manaus.

Promessas pendentes

Em agosto, David anunciou mudanças no transporte coletivo em Manaus, entre elas, a compra de ônibus elétricos para a cidade. Em coletiva de imprensa, o prefeito disse que “nos próximos dias” os ônibus estariam chegando à capital, mas até o momento, a promessa não saiu do papel.

Tais ônibus seriam um aconchego para os passageiros e uma alternativa para economizar dinheiro, os transportes luxuosos são equipados com novas tecnologias: instalação de ar-condicionado, freio no motor do coletivo e capacidade para transportar 100 pessoas.

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Na época, o prefeito explicou que o período para os ônibus começarem a circular seria de 90 a 120 dias, a partir do momento em que o contrato é fechado. Além dos ônibus modernos, David Almeida também destacou que a administração pretende renovar 80% das frotas de ônibus da cidade.

Moderno e luxuoso: as ruas de Manaus ganharam um ônibus em fase de teste, a linha 300.1. O período de teste tem o objetivo de avaliar a operação e a velocidade do veículo de carga intermediária. O ônibus de modelo BRT tem ar-condicionado e entrada USB para usuários carregarem os aparelhos celulares, mas trafega apenas na faixa azul, fazendo o trajeto do Terminal 1 e 3, passando pelas estações.

Foto: Arnoudo Andrade/IMMU

O desejo de ter todos os ônibus de Manaus no estilo do veículo em teste pode ser um processo lento, levando em consideração que as linhas não atenderiam todas as zonas da cidade, mas circulariam nas ruas com uma ajuda do governo estadual. Em parceria com a Prefeitura de Manaus, as autoridades se uniram para fazer melhorarias na cidade, avaliadas em R$ 580 milhões. O dinheiro será investido em construção de novas feiras, asfaltamento de ruas, aquisição de novos ônibus e construção de viaduto e rodoviária.

Confusão na administração

Uma das controvérsias na gestão de David Almeida é o Terminal 6, no Conjunto Viver Melhor, zona norte de Manaus. O prefeito informou que o local passaria por alterações, mas desistiu da obra inaugurada pelo ex-prefeito Arthur Neto.

A obra de R$ 16 milhões foi bloqueada, sendo necessário passar por ajustes na sinalização vertical e horizontal, além de mudanças no fluxo de veículos. Mas, para Almeida, a obra ficou na gaveta por se tratar de ser um custo altíssimo e não vantajoso.

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Foto: Divulgação

“O custo de manutenção do Terminal 6 é altíssimo. Ele só vai atender usuários do Viver Melhor, aquele é o maior terminal, o mais bonito construído na cidade, palmas para quem construiu. Porém, foi construído no lugar errado, esse terminal era para ser construído na Torquato Tapajós, próximo à barreira, assistiria mais passageiros”, disse.

Agora, além de querer construir um Terminal 7, o prefeito afirmou que o antigo terminal será uma área rodoviária de Manaus, e a antiga rodoviária será a sede do Instituto Municipal de Trânsito.

Alternativas econômicas

A pandemia da covid-19 é um dos fatores levados em consideração para a alta nos combustíveis, assim explicou Michele Lins Aracaty e Silva, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas. Esse impacto pode ser observado na comercialização do produto, que teve queda de 5,97%, segundo a Agência Nacional do Petróleo, durante o auge da pandemia em 2020, o que diferencia de 2021, já que a rotina está sendo retomada com o avanço da vacinação no Brasil.

Desde o início da pandemia, a ANP apontou um aumento de 32,9% no preço dos combustíveis, em análise em agosto de 2021. “Esta variação em tempos normais acarretaria a troca do uso do carro particular pelo transporte público”, explicou a vice-presidente do CORECON-AM.

Um dos métodos para desviar dessa “crise do combustível” seria a locomoção em transportes coletivos públicos, no entanto, segundo a economista, a população acaba deixando de mão esses meios pelos “inúmeros problemas que vão desde assaltos e roubos, péssimas condições de conservação e agora a risco de se aglomerar em função de ainda estarmos numa pandemia”.

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Com esses fatores, algumas pessoas deixam de lado o transporte público e passam a adotar novos métodos como alternativa. Para a economista, uma das soluções para economizar nas despesas é o uso de bicicletas.

Mesmo assim, a alternativa ainda pode ser considerada perigosa, uma vez que o trânsito em Manaus não dá suporte aos ciclistas. “Ainda temos pouca disponibilidade de vias que possibilitam segurança e tranquilidade para os ciclistas”, afirmou.

Uma possibilidade para reverter esse problema, segundo a economista, seria investir em ciclovias que favoreçam e incentivem os moradores ao uso da bicicleta. “Um espaço seguro, bem-sinalizado e que possa agregar externalidades positivas para a sociedade, meio ambiente e para a saúde da população”, pontuou.

Até lá, a população ainda é obrigada a ficar em paradas de ônibus mal construídas, vulneráveis à criminalidade e ainda lidar com problemas no transporte coletivo, além de se preocupar, todos os dias, com uma nova alta no preço dos combustíveis.

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