Waléria Martins (Foto: Divulgação)
Manaus (AM) – Uma paciente com câncer de mama com metástase relata ter enfrentado uma sequência de dificuldades durante o tratamento realizado na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), em Manaus. Desde março, Waléria Martins afirma ter passado pela progressão da doença durante um tratamento anterior, por um atendimento em que teria ouvido que não havia mais opções para seu caso e, mais recentemente, pela dificuldade de conseguir consulta para dar continuidade a um novo ciclo de medicação.
O episódio mais recente levou o caso à Justiça. Segundo Waléria, o retorno médico necessário para continuar o tratamento deveria ocorrer em 1º de outubro, mas, ao tentar realizar o agendamento, teria sido informada de que só havia disponibilidade para o dia 19.

Doença avançou no tratamento
Waléria conta que iniciou o tratamento em março deste ano. Segundo a paciente, durante aproximadamente três meses utilizando uma medicação anterior, a doença continuou avançando. O câncer, que atingia a mama e o pulmão, posteriormente chegou à coluna. Ela também relata um episódio que a marcou durante o acompanhamento. Segundo Waleria, uma médica teria dito que não havia mais o que fazer em seu caso. Posteriormente, no entanto, a profissional conseguiu prescrever uma nova medicação para continuidade do tratamento.
“A doença evoluiu. Do que era no seio e no pulmão, passou para a coluna. Eu já fiquei com medo. Inclusive, a médica chegou a dizer que não tinha mais o que fazer por mim, mas depois conseguiu passar esse medicamento que estou tomando agora”, relata.
Dificuldade
Com a mudança do tratamento, Waleria passou a utilizar uma medicação em ciclos de 21 dias. Para dar continuidade, segundo ela, precisava retornar ao médico para obter a prescrição e ter acesso ao medicamento.
Ao tentar marcar o retorno, porém, afirma ter sido informada de que não havia disponibilidade para a data indicada e que só conseguiria atendimento no dia 19 de outubro. A possibilidade de permanecer sem a medicação aumentou a preocupação da paciente.
“Passou pela minha cabeça: ‘vou ficar sem medicamento, a doença vai aumentar e eu vou morrer’. Foi isso que eu pensei. Eu já estou nessa luta e não é fácil”, conta.
Caso foi levado à Justiça
Diante da dificuldade para dar continuidade ao tratamento, o escritório Philippe Dantas e Advogados Associados, que acompanha Waléria, recorreu à Justiça. Segundo a advogada Luiza Anoeza, a defesa busca assegurar o atendimento e o acesso ao medicamento dentro do período necessário, diante da gravidade do quadro da paciente.
“A paciente tem câncer de mama com metástase em outras áreas do corpo. Ela precisa da consulta para seguir com a prescrição e ter acesso ao medicamento. O que buscamos é garantir que ela consiga continuar o tratamento dentro do período indicado”, explica.
A defesa também solicitou que, caso a rede pública não consiga oferecer o atendimento necessário em tempo adequado, o Estado custeie o tratamento pela rede particular. Segundo a advogada, o processo segue em tramitação e aguarda manifestação técnica do Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus).
Novos agendamentos
Após o ajuizamento da ação, Waléria recebeu novos agendamentos. Documentos encaminhados à paciente registram seguimento em mastologia para o dia 5 de outubro e atendimento de quimioterapia para o dia 6 de outubro.
Segundo Waléria, anteriormente ela havia sido informada de disponibilidade somente para o dia 19. “O que era para o dia 19 já adiantaram para agora”, afirma. Apesar dos novos agendamentos, a paciente diz esperar que consiga manter a regularidade da assistência durante as próximas etapas.
“Eu só quero que a FCecon me atenda, me dê os medicamentos que eu preciso e me ajude a continuar o meu tratamento. Eu só quero tomar o meu medicamento e ser curada”, afirma Waléria.
A FCecon foi procurada para esclarecer os episódios relatados, mas até o momento a Fundação não havia encaminhado posicionamento.
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