Edson Kambeba, Raquel Araújo, Aristides Neves e Lazita Martins (Foto: Arquivo pessoal)
Manaus (AM) – Parlamentares do Amazonas derrubaram o veto do presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) que impedia o aumento da conta de luz. O Portal AM1 ouviu a opinião da população a respeito dessa situação.
Um dos posicionamentos veio do ativista climático e socioambiental indígena Edson Kambeba.

(Foto: Arquivo pessoal)
“Foi uma decisão extremamente equivocada, que ignora a realidade de milhares de famílias, especialmente nas periferias, comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas do Amazonas”, criticou Edson. Para ele, os parlamentares “escolheram beneficiar grandes grupos econômicos e penalizar quem já vive lutando para sobreviver”.
Kambeba acredita que a decisão está atrelada a interesses econômicos e políticos.
“A pressão dos grandes empresários do setor elétrico falou mais alto do que o compromisso com o povo. É o jogo do lobby, do dinheiro e dos acordos que não consideram a vida da população.”
Sobre o impacto do possível reajuste tarifário, o ativista é direto: “O impacto é muito cruel. Isso significa menos comida na mesa, mais dificuldade para manter a educação dos filhos e até para garantir o acesso à própria energia, que deveria ser um direito básico”.
Para ele, os políticos estão completamente distantes da realidade da população. “Claramente não estão ouvindo. Estão desconectados da realidade do povo. O mínimo que esperamos é responsabilidade social e compromisso com quem os elegeu”.
Em um desabafo que sintetiza a indignação popular, Edson afirma:
“Essa decisão revela um problema muito maior: um modelo de política que não tem compromisso com o povo do Amazonas, que enxerga os mais pobres apenas como números na hora da eleição. Isso não é só sobre conta de luz, é sobre um sistema que normaliza explorar quem menos tem e enriquecer quem já é bilionário.
Nós, povos indígenas, ribeirinhos, trabalhadores urbanos e rurais, não podemos mais aceitar carregar nas costas os custos de um país governado para interesses privados. É hora de levantar a voz, se organizar e cobrar, porque quem vota também derruba político na urna.”
A estudante de Psicologia Raquel Araújo fala sobre essa decisão dos parlamentares e demonstra-se preocupada com o impacto do aumento de energia.

(Foto: Arquivo pessoal)
“Eu acho que essa decisão dos parlamentares foi bem complicada. Eu entendo que precisamos de energia, mas também precisamos pensar nas pessoas que vão pagar mais pela conta de luz. Será que não havia outra forma de resolver isso?”, questiona Raquel.
Ela também levanta dúvidas sobre os reais motivos por trás da decisão.
“Eu me pergunto o que realmente motivou essa decisão. Será que foi mesmo para melhorar o sistema elétrico ou havia outros interesses em jogo?”, aponta.
A jovem relata como um eventual reajuste pode afetar diretamente sua rotina.
“Eu sei que o aumento na conta de luz vai afetar muito o meu orçamento. Eu preciso pagar contas, comprar comida e cuidar da minha família. Eu não sei como vou fazer para pagar mais pela luz.”
Para Raquel, falta conexão entre os representantes políticos e a realidade da população:
“Eu sinto que os políticos precisam ouvir mais as pessoas. Nós somos os que vão pagar as contas e sofrer as consequências das decisões deles. Eu gostaria que eles pensassem mais em nós ao tomar decisões importantes.”
A estudante conclui com um apelo por sensatez e empatia:
“Eu estou muito preocupada com essa decisão dos parlamentares. Eu acho que precisamos pensar mais nas pessoas que vão ser afetadas por isso. Será que não podemos encontrar uma solução melhor para todos?”
Entre as vozes que se manifestaram está a do empreendedor Aristides Neves, que atuou por quatro décadas nos bastidores da política local e nacional. Com passagens como assessor de deputados, de governador e secretário municipal, ele denuncia o que classifica como um sistema corrompido por interesses privados.

(Foto: Arquivo pessoal)
“Os políticos não defendem as opiniões deles. Defendem as opiniões de quem banca suas campanhas”, afirma Aristides, ao criticar a base de sustentação financeira do sistema eleitoral brasileiro. “Eles ouvem seus patrocinadores: empresários e até mesmo traficantes, que hoje estão infiltrados na política.”
Para ele, a decisão de permitir o aumento na conta de energia é mais uma expressão de um modelo político desconectado das necessidades da população.
“Os políticos se elegem para defender os interesses de alguém. O dinheiro da campanha nunca é deles”, reforça.
Aristides vai além e aponta que esse tipo de prática compromete a soberania até nas mais altas esferas do poder.
“Até mesmo os presidentes defendem os interesses de outros países”, critica.
Segundo ele, medidas como essa podem resultar em mais inflação e agravar ainda mais a crise econômica enfrentada pela população.
Lazita Martins, moradora de uma comunidade rural e agricultora, expressou sua indignação com a decisão dos parlamentares do Amazonas e classificou como “absurdo” o possível reajuste.

(Foto: Arquivo pessoal)
“Aqui na nossa comunidade a gente sofre com problema de energia. Tem dias que a gente passa o dia todo sem luz, e ela só volta de noite e isso quando volta”, relata.
Para Lazita, o aumento é uma afronta a quem já vive na precariedade.
“Nem todo mundo aqui tem condições de pagar uma conta de luz. Às vezes a gente luta para não faltar o alimento dos filhos, e ainda tem que escolher entre comer e pagar o talão.”
A agricultora conta que mesmo quando sua casa permanece fechada, por passar parte da semana no sítio, o valor da fatura continua elevado.
“Minha casa fica a semana fechada, e mesmo assim a conta vem alta. Já cheguei a me preocupar de ter dois talões acumulados e sem saber como pagar.”
Vivendo da agricultura, sem renda fixa, ela sente na pele o abandono e a falta de sensibilidade das autoridades.
“Eles não querem saber se a gente tem ou perde o dinheiro. Só querem aumentar. A gente já paga caro por uma luz que nem usa. Isso é errado.” Finalizou Lazita.
O Portal AM1 ouviu o economista Orígenes Martins, que destacou os impactos econômicos da alta no setor energético, criticou a instabilidade política e alertou para o risco de agravamento da inflação no país.

(Foto: Arquivo pessoal)
Segundo ele, o aumento nas tarifas de energia terá consequências diretas na economia e no cotidiano da população.
“Os impactos econômicos de um aumento na energia são, logicamente, negativos para qualquer população e região do Brasil. É algo muito ruim. Isso vai afetar o consumo, a renda e o custo de vida”, afirmou.
Martins explicou que é necessário entender as causas desse reajuste.
“A questão é saber até que ponto esse aumento é consequência do que está acontecendo no Congresso ou se vem de outros fatores internos e externos como parece ser o caso. Independente da origem, os impactos negativos virão, com certeza”.
Para o economista, o problema vai além da energia e passa pela condução da política econômica federal. Ele aponta a insistência do governo em manter altos gastos públicos como um dos principais entraves para a recuperação da economia:
“O centro do problema é a insistência do governo em não conter os gastos públicos. Você não pode tentar aumentar a arrecadação em cima do consumo, porque isso é inflacionário. A arrecadação deveria vir da produção. Mas o país está arrecadando mais e produzindo menos. Esse é o grande problema.”
O economista também fez um alerta sobre o avanço da inflação.
“Já estamos vendo um aumento da inflação, que está chegando a um limite bastante perigoso. O governo precisa entender que é urgente conter ou até mesmo congelar por um ano os gastos públicos”, afirmou.
Além disso, Martins criticou a falta de investimentos em fontes de energia limpa e destacou o potencial energético do Brasil.
“O Brasil é um país abençoado por Deus. Temos uma orla marítima imensa, com grande potencial para geração de energia eólica. Nossa maior parte do território é propícia à energia solar. E já temos hidrelétricas construídas. O problema está na decisão política de investir em infraestrutura para aproveitar isso.”
Ele também classificou como absurdo o fato de o Brasil continuar exportando petróleo cru e importando o mesmo produto como diesel, a preços mais altos.
“Pagamos três, quatro, até cinco vezes mais. Isso mostra como não aproveitamos nosso próprio potencial energético”, criticou.
Segundo Orígenes Martins, a instabilidade política também agrava o cenário, afetando empresas do setor elétrico e a confiança dos consumidores.
“As fornecedoras e distribuidoras acabam empatando, ficando no ‘zero a zero’. Porque essas decisões políticas, os vetos e as brigas entre Executivo e Legislativo, só aumentam a instabilidade econômica e a insegurança social o que alimenta a inflação.”
Por fim, o economista fez um alerta sobre quem mais sofre com os impactos da crise: a população.
“Quem sai perdendo é o povo. O governo tenta recuperar a credibilidade, mas não se faz isso penalizando a população. Não se recupera credibilidade fazendo o povo comer menos. E alguns, infelizmente, já nem conseguem mais comer”, finalizou.
Confira os parlamentares que derrubaram o veto do Presidente Lula
- Adail Filho
- Amom Mandel
- Capitão Alberto Neto
- Fausto Santos Jr.
- Pauderney Avelino
- Silas Câmara
- Eduardo Braga
- Omar Aziz
- Plínio Valério
Confira aqui:
Veto nº 3/2025 – Vetos – Congresso Nacional
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