(Foto: Reprodução/ Redes Sociais)
Manaus (AM) – A suspensão do Passe Livre Estudantil provocou uma nova frente de pressão contra o Governo do Amazonas. Estudantes ocuparam a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), nesta quarta-feira (4), para protestar contra a interrupção das recargas e cobrar uma solução para o impasse que ameaça o deslocamento de alunos da rede pública estadual.
A mobilização ocorre em meio a relatos de estudantes que passaram a pagar as próprias passagens, depender de caronas e até faltar às aulas por não terem condições de arcar com o transporte. Na Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM), mais de 150 estudantes subscreveram um pedido coletivo relatando dificuldades para chegar às instituições de ensino após a suspensão do benefício.
O movimento também ampliou as cobranças para além da gratuidade no transporte. Entre as reivindicações estão a retomada do Passe Livre Universitário e a regularização da merenda escolar nas unidades de ensino da capital e do interior. As demandas expõem outros problemas que, segundo os representantes estudantis, afetam o acesso e a permanência dos alunos na educação pública.
Estudantes denunciam dificuldades para mobilização
O presidente da União dos Estudantes Secundaristas do Estado do Amazonas (UESA), Gabriel Tavares, afirmou que houve dificuldades para organizar a participação dos alunos no protesto. Segundo ele, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) teria orientado coordenadorias e diretores a fecharem escolas e impedirem a saída dos estudantes para a manifestação.
A denúncia levanta questionamentos sobre a postura da estrutura estadual de educação diante de uma mobilização motivada justamente pela suspensão de um benefício necessário à frequência escolar.
Impasse financeiro vira problema para estudantes
A suspensão das novas recargas foi anunciada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), que atribui a medida a pendências financeiras do Governo do Amazonas com o sistema de transporte coletivo.
O sindicato aponta uma dívida de R$ 279 milhões e afirma que as empresas não conseguem continuar custeando as passagens sem receber os valores devidos. O Governo do Amazonas, por outro lado, sustenta que os repasses referentes a 2026 estão regularizados e que as cobranças envolvem valores de 2025, atualmente discutidos na Justiça.
Enquanto as partes apresentam versões divergentes sobre os pagamentos, os estudantes enfrentam os efeitos concretos da disputa. A interrupção dos créditos transforma o deslocamento até a escola em uma despesa adicional para famílias que dependem da gratuidade.
A crise também chegou ao Judiciário. Na tarde desta quarta-feira (04), o juiz Ronnie Frank Torres Stone, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Manaus, determinou que o Sinetram restabeleça o sistema de recargas e o Passe Livre em toda a rede de transporte coletivo da capital no prazo de 24 horas.
A ordem atende a uma ação da Defensoria Pública e prevê multa diária de R$ 50 mil, limitada inicialmente a R$ 1 milhão, em caso de descumprimento.
O magistrado ressaltou que divergências financeiras ou burocráticas entre o sindicato, o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus não podem ser transferidas aos estudantes.
A decisão, porém, não encerra a disputa sobre os valores cobrados pelas empresas. Até que a situação seja efetivamente normalizada, permanece a cobrança dos estudantes por uma solução que impeça que o acesso à educação continue condicionado a um conflito financeiro entre instituições públicas e empresas privadas.
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