Foto: (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Manaus (AM) – As pesquisas eleitorais podem influenciar a formação de palanques e as estratégias adotadas pelas campanhas, segundo avaliação do cientista político e professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Breno Leite. Para ele, candidatos que demonstram força nos levantamentos tendem a ter mais facilidade para construir alianças durante a disputa eleitoral.
De acordo com Breno, essa influência aparece principalmente na formação dos chamados palanques, com articulações entre candidatos que disputam diferentes cargos. Ele cita aproximações entre concorrentes à Presidência da República, ao Senado, à Câmara dos Deputados, ao governo e à Assembleia Legislativa.
“Tem uma coisa interessante em relação a essa primeira pergunta, que é em relação principalmente à formação dos palanques. Então, quando um candidato se coloca, ele tem demonstrado força eleitoral, normalmente ele tem mais facilidade na formação desses palanques”, afirmou.
Na avaliação do cientista político, a posição apresentada pelos levantamentos pode funcionar como uma sinalização para outros atores envolvidos na disputa. Com isso, candidatos que aparecem em situação considerada favorável podem receber apoio eleitoral e ter maior facilidade de articulação.
“Então, de algum modo, as pesquisas sinalizam os principais candidatos e com isso vem financiamento, vem apoio eleitoral, vem apoio de mídia muitas vezes, porque as pessoas vão se posicionar normalmente com o lado que tende a ser mais vitorioso, evitando qualquer tipo de conflito, de oposição àquele que pode vencer a eleição, etc.”, disse.
Breno Leite também avalia que os resultados das pesquisas interferem nas próprias estratégias eleitorais. Para ele, os levantamentos funcionam como uma referência para decisões relacionadas à permanência ou à saída de candidaturas e à definição de apoios.
“As pesquisas, elas são sinalizações não só para os candidatos, ou seja, a pesquisa mostra se um candidato de fato vai ter uma performance eleitoral positiva ou não, e é um posicionamento também do ponto de vista das estratégias, ou seja, o jogo de entra e sai das candidaturas, dos apoios também, se dá muito em função das pesquisas eleitorais”, declarou.
Segundo ele, os palanques também podem ser construídos a partir dessa percepção sobre a força das candidaturas. Breno afirma que existe um “relativo consenso” sobre a importância das pesquisas como instrumentos de sinalização dos possíveis candidatos vitoriosos.
“E os palanques que são feitos a partir daí, né? Então isso aí já há um relativo consenso em relação à importância das pesquisas na sinalização dos possíveis candidatos vitoriosos”, afirmou.
A avaliação apresentada pelo cientista político coloca as pesquisas como um elemento que ultrapassa a simples divulgação de percentuais de intenção de voto. Na análise dele, os resultados podem ser considerados pelas campanhas e por outros grupos envolvidos na disputa na definição de posicionamentos, alianças e apoios.
A influência dos levantamentos também alcança o comportamento do eleitor, segundo Breno. Para ele, esse efeito ocorre principalmente por meio da busca pelo chamado voto útil, quando o eleitor direciona sua escolha a uma candidatura que considera competitiva.
A avaliação sobre esse comportamento, porém, também se relaciona à formação das estratégias eleitorais, já que a percepção de competitividade de determinado candidato pode influenciar tanto a escolha do eleitor quanto a movimentação das próprias candidaturas e alianças.
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