(Foto: Divulgação/ PF e Reprodução /YouTube)
Manaus (AM) – A Polícia Federal apura se recursos associados ao banqueiro Daniel Vorcaro podem ter sido utilizados para financiar despesas e atividades do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A investigação busca esclarecer se valores inicialmente destinados à produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, tiveram outra destinação.
De acordo com os investigadores, três hipóteses estão sob análise: se os recursos foram efetivamente aplicados na produção audiovisual; se houve desvio de finalidade; ou se parte dos valores teria sido usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano. O ex-parlamentar vive no Texas desde março de 2025.
Nos bastidores do caso, também surgiram questionamentos sobre a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) em negociações relacionadas aos repasses. Ele aparece em mensagens divulgadas pelo site Intercept Brasil, nas quais cobra valores prometidos por Vorcaro para o financiamento do longa-metragem. Em um dos registros, há um áudio em que Flávio trata do patrocínio da produção.
Segundo a investigação, o contrato do filme previa cerca de R$ 124 milhões em aportes, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. Parte dessas transferências teria ocorrido por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, citada em relatórios do Coaf.
A Polícia Federal também analisa movimentações envolvendo o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e associado a aliados de Eduardo Bolsonaro. Há suspeitas de que parte dos recursos possa ter sido direcionada para ações de articulação política e lobby do ex-deputado junto ao governo do presidente Donald Trump.
O caso ganhou repercussão após o deputado Lindbergh Farias (PT) afirmar, em vídeo publicado nas redes sociais, que a produção cinematográfica teria sido usada como justificativa para transferências financeiras destinadas a apoiar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Ele mencionou a possibilidade de cerca de US$ 2 milhões terem sido enviados a um fundo no Texas ligado ao advogado do parlamentar.
A produtora GOUP Entertainment e o deputado Mário Frias (PL), que atua como produtor executivo do projeto, negam ter recebido recursos de Vorcaro para a cinebiografia. Eduardo Bolsonaro ainda não se manifestou sobre as investigações.
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