PIM poderá sofrer queda com avanços de casos da covid-19

O aumento de casos de covid-19, impulsionado 93% pela variante Ômicron poderá afetar a produção do PIM no mês de janeiro
Emanuelle Pereira – Portal AM1*
Publicado em 21/01/2022 08:00
PIM poderá sofrer queda com avanços de casos da covid-19
Foto: Reprodução

MANAUS, AM – Com o aumento no número de casos de covid-19, impulsionados 93% pela variante Ômicron, pode acabar afetando a produção de motocicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM), no mês de janeiro.

A previsão de queda, foi feita pelo presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas Ciclomotores Motonetas Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Fermanian.

Segundo Fermanian, ainda não existem estimativas precisas com relação a possíveis perdas no PIM, mas ele afirma que, assim como aconteceu no início de 2021, esta nova onda de contágio faz com que aumentem os índices de ausências, em função do distanciamento social ou a proliferação da doença dos colaboradores.

“Isso já vem impactando a produção. Ainda não temos isso de forma mensurada, mas a possibilidade de termos uma queda na produção de motocicletas em janeiro é bastante grande”, disse Fermanian em coletiva online que apresentou os resultados de 2021 e perspectivas para 2022.

Fermanian completa ainda, que a entidade também não possui números referentes às abstenções de colaboradores causadas pela doença, mas que “os fabricantes estão dando sinais de isso já está acontecendo no retorno das férias coletivas”.

Desempenho em 2021

De acordo a Abraciclo, a indústria de motocicletas fechou 2021 com produção de 1,19 milhão de unidades, alta 24,2% na comparação com o ano anterior, quando foram fabricadas 961.986 unidades. O volume ficou 2% abaixo da expectativa da associação, que previa fabricar 1,22 milhão de motocicletas.

Marcos Fermanian disse que havia possibilidade de atingir a meta, mas lembrou que o setor enfrentou a segunda onda de covid-29 em Manaus, no início de 2021, quando deixaram de ser produzidas cerca de 100 mil motocicletas, e as restrições implantadas nas linhas de produção para evitar a disseminação da doença.

“O maior distanciamento entre as pessoas nos postos de trabalho, por exemplo, aumenta o tempo de fabricação”, afirmou. “E é importante ressaltar que todas as medidas estão mantidas, pois a prioridade é a saúde e segurança do colaborador” reiterou.

As vendas totalizaram 1.156.074 unidades, alta de 26,3% na comparação com 2020 (915.157 motocicletas). O número foi reflexo das dificuldades no PIM, para atingir a demanda devido às limitações nas linhas de produção. Segundo Fermanian, existe atualmente fila de espera de 30 dias para modelos de baixa cilindrada e scooters. “A tendência para os próximos meses é de normalização. Todas as associadas estão se esforçando para atender ao consumidor que espera, quer e precisa de uma motocicleta nova”, enfatizou o presidente da Abraciclo.

PIM pode sofrer queda com avanços de casos da covid-19
Linha de produção de motocicletas, no PIM. Foto: Reprodução

De acordo com o balanço, as exportações somaram 53.476 unidades, o que corresponde a aumento de 58,4% em relação a 2020 (33.750 unidades). De acordo com levantamento do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, que registra os embarques totais de cada mês, analisados pela Abraciclo, a Argentina foi o principal mercado, com 16.119 unidades exportadas e 28,7% do volume total negociado. Em segundo lugar, ficou a Colômbia (12.541 motocicletas e 22,4% das exportações), seguida pelos Estados Unidos (11.642 unidades e 20,8%).

O que dizem os senadores que apoiam à ZFM

Para o senador Omar Aziz (PSD), o PIM pode ser afetado por falta de recursos humanos, pois, muitas pessoas estão contraindo o vírus.

“Às vezes assintomáticos, mas estão cumprindo a quarentena então, o desfalque de vários segmentos é muito grande, não é diferente da indústria”, relatou. “Não só a ‘Abraciclo’, como qualquer outra indústria que dependa da mão de obra e pessoas que podem ser contaminadas”.

Aziz reafirma que isso também está ocorrendo na saúde: “o Brasil está com profissionais da área de saúde, médicos, enfermeiros, todas aquelas pessoas que estão trabalhando quase dois anos em uma tensão, no estresse altíssimo, estão também se contaminando, infelizmente”, pontuou.

O senador relembra a importância da vacina para que essas pessoas que por ventura, possam se contaminar estando protegidas pela vacina tenham sintomas leves. Existe sim, essa possibilidade não só no setor do polo de duas rodas como em qualquer outro setor.

PIM pode sofrer queda com avanços de casos da covid-19
Foto: Pedro França/Agência Senado

O senador Plínio Valério (PSDB) torce para que não haja queda na produção no PIM. “A redução de pessoal no PIM, é uma coisa normal, pode ser que aconteça. Uma queda na produção é uma problemática falar sobre isso. Por que de repente hoje, o que vemos na produção de veículos, menos veículos produzidos e preços lá em cima” disse.

O senador disse, ainda, que é uma situação que ultrapassa à política, é uma questão de manter preços, caso isso não ocorra, a situação poderá ficar difícil diante das concorrentes que estão fora do Polo.

“Eu tenho medo que comece a afetar o preço e, coisa que afeta o preço na Zona Franca o que diferencia a gente do concorrente é o preço. Eu torço para que isso não aconteça, mas é uma questão que foge da nossa responsabilidade, foge do métier político”, afirma Valério.

PIM pode sofrer queda com avanços de casos da covid-19
Foto: Waldemar Barreto / Agência Senado

“É uma coisa entre as autoridades sanitárias e os empresários, infelizmente a gente só pode assistir”, o senador disse que segue a opinião das autoridades sanitárias, médicas e reforça ainda mais em relação ao Covid-19, mais do que nunca. “Como leigo no assunto, eu não me atrevo a dar opinião ou apresentar uma alternativa como solução”, finalizou.

CIEAM

Para o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Wilson Périco, a situação vem aumentando e os casos confirmados de covid-19 demandam afastamento de industriários no PIM.

“Isso pode comprometer a capacidade das empresas. As empresas estão com o protocolo bastante rígido para impedir que os funcionários com sintomas ou contaminados adentrem ao ressinto fabril”, disse Périco. “A diferença é que tem, aparentemente, o tempo de recuperação dos funcionários está sendo bastante curto. Em questão de cinco dias a grande maioria das pessoas já está apta a retornar o trabalho”, afirmou.

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Foto: Divulgação / Wilson Périco

Périco afirma que estão fazendo acompanhamento de tudo e torce para que isso passe logo.

Insumos da China

Segundo Nelson Azevedo, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM, o Polo Industrial pode sofrer impactos na produção devido o endurecimento de regras para importação de insumos vindos da China.

O conselheiro afirmou que as indústrias estão sentindo o aumento dos índices absenteísmo em seu quadro de funcionários. Azevedo diz que, a Mota Honda foi a única a informar sua redução nos níveis de produção por duas semanas. Mas, que a CIEAM sabem que outras estão gerenciando os altos indicies de afastamento devido a proliferação das doenças respiratórias, entre elas, covid-19 e Influenza.

“Torcemos para que essa onda se dissipe o mais rápido possível para que não tenhamos uma retração no volume de produção do PIM. Se as interrupções forem por curto prazo, as empresas podem se recuperar no decorrer dos próximos meses”, finalizou.

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Nota

“O avanço da variante Ômicron do Corona vírus está causando uma grande apreensão nos importadores de insumos da China, que possui uma estratégia muito rígida de “Covid zero”. Mesmo com 86% da população chinesa vacinada, parece que essa nova cepa consegue burlar a proteção vacinal e contaminar rapidamente outras pessoas.

Como todos sabem, a China é atualmente o grande fornecedor de insumos manufaturados e semimanufaturados para as indústrias do mundo inteiro. Com a testagem em massa da população e o confinamento de milhares ou milhões de pessoas até a ameaça se dissipar, está causando um temor de falta de componentes para as plantas fabris do ocidente, principalmente do ocidente cuja logística demanda um tempo maior de transporte.

Parece que as indústrias do Polo Industrial de Manaus ainda não sentiram abalos em seus fluxos de fornecimento, apenas alguns reflexos da falta global de itens pontuais que já se arrasta desde de 2020.

Caso a China continue com a rigidez da política de controle da disseminação dessa nova variante por tempo prolongado, é provável que o confinamento das pessoas e cidades afete a continuidade da produção das fábricas chinesas, causando a falta de componentes para as indústrias de todos os continentes”.

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