Polícia faz reconstituição da morte do engenheiro Flávio Rodrigues

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Polícia faz reconstituição da morte do engenheiro Flávio

A informação foi confirmada ao Amazonas1 pelo delegado Paulo Martins, que investiga o assassinato. Reconstituição está marcada para segunda-feira

Flávio Rodrigues foi assassinado na noite de 29 de setembro deste ano (Foto: Divulgação)

Há quase dois meses da morte do engenheiro da Ambev Flávio Rodrigues dos Santos, de 42 anos, a equipe da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) faz, na segunda-feira, 18, a reconstituição do crime, ainda cercado de mistérios. A informação foi confirmada ao Amazonas1 pelo delegado Paulo Martins, titular da DEHS, que investiga o assassinato.

O engenheiro foi encontrado morto com seis facadas pelo corpo e sinais de esganadura no início da tarde do dia 30 de setembro em um terreno baldio na Estrada do Tarumã, no bairro Tarumã, na zona Oeste de Manaus.

O delegado Paulo Martins, titular da DEHS, informou que a reconstituição do crime de Flávio é fundamental para conclusão do inquérito policial. “O objetivo é reproduzir a cena do crime e aos detalhes colhidos em depoimento durante o inquérito policial. Eu não posso adiantar como estão as investigações, mas essa reconstituição pode trazer algo novo para solucionar o caso”, disse o delegado Paulo Martins.

Conforme informações da perícia criminal, do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), a vítima apresentava ferimentos nas costas, abdômen e coxa, além de sinais de asfixia comprovada em laudo no Instituto Médico Legal (IML).

Engenheiro foi encontrado morto em um terreno baldio. (Reprodução)

O engenheiro estava desaparecido após participar de uma festa regada a bebidas e drogas na noite anterior do crime, na casa de Alejandro Molina Valeiko, filho da primeira-dama do município, Elizabeth Valeiko Ribeiro.

O fato aconteceu em um condomínio no bairro Tarumã, na zona Oeste da capital amazonense. O engenheiro teria sido agredido e esfaqueado seis vez durante uma festa “rave” na casa de Alejandro.

O crime

Após o fato, uma ligação foi feita ao sargento da Polícia Militar Eliseu da Paz de Souza, de 37 anos, lotado na Casa Militar da Prefeitura de Manaus e, segurança de Alejandro. Ele chegou ao condomínio acompanhado do ex-policial militar e lutador de MMA Mayc Vinícius Teixeira Parede, de 37 anos.

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Os dois homens chegaram ao local em um carro da Prefeitura Municipal de Manaus, modelo Toyota/Corolla, de cor prata, de placa PHY-8178. A entrada foi registrada por volta das 22h14.

O veículo da máquina pública deixou o local 18 minutos depois, com Mayc Vinícius sentado no banco de trás ao lado de um volume coberto.

Pronunciamento

Depois do episódio, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, declarou que dois homens encapuzados invadiram o condomínio e agrediram Alejandro com coronhadas na cabeça e outros convidados da festa.

Em seguida, os criminosos sequestraram Flávio por supostas dívidas com traficantes de drogas. Entretanto, as investigações contrariam a versão e apontaram que não houve invasão ao condomínio e, que os criminosos entraram com permissão do proprietário.

A primeira-dama do município, Elizabeth Valeiko, chegou a declarar que o filho não tinha participação no assassinato. Segundo ela, Alejandro Valeiko é dependente químico.

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“‘Meu filho não matou ninguém”. Ele é dependente químico e enfrento essa situação há dez anos”, declarou Elisabeth Valeiko, primeira-dama de Manaus.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, ainda fez uma postagem na rede social (Facebook), declarando que Flávio era o alvo dos criminosos. A postagem foi retirada dias depois.

Prisões

As investigações foram iniciadas pela equipe do 19° Distrito Integrado de Polícia (DIP), e resultaram nas prisões de José Edvandro Martins de Souza Junior, de 31 anos; Elielton Magno de Menezes Gomes Junior, de 22 anos; o chefe de cozinha da primeira-dama Vittório Del Gato, de nacionalidade italiana; Alejandro Molina Valeiko, de 29 anos, filho da primeira-dama do município Elizabeth Valeiko, além do sargento da PM Eliseu da Paz, e de Mayc Vinícius.

Investigações

Com as prisões, a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) assumiu o caso e passou ouvir depoimentos dos envolvidos.

No dia 30 de setembro, o cozinheiro Vitorio Del Gatto, que morava com Alejandro Valeiko, e  Igor Gomes Ferreira, proprietário do imóvel no condomínio Passaredo, declararam que Alejandro Valeiko como dependente químico e com problemas psiquiátricos.

Elielton Magno, um dos pivores do crime, foi preso pela equipe da DEHS, quando concedia uma entrevista para TV A Crítica. Em depoimento, ele negou participação no assassinato.

Eliseu e Mayc também prestaram depoimentos na DEHS. Mayc chegou a assumir o assassinato e segue preso no Centro de Detenção Provisória Masculino 2 (CDPM 2), no quilômetro 8 da BR-174. Os familiares de Mayc contestam o depoimento.

Alejandro Valeiko, um dos seis suspeitos na morte do engenheiro Flávio Rodrigues, estava em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos no Rio de Janeiro. Ele desembarcou no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes no dia 7 de outubro.

Acompanhado dos advogados Marco Aurélio de Lima Choy e Yuri Dantas, Alejandro se apresentou por volta das 12h32 na DEHS para prestar esclarecimentos sob o benefício de prisão domiciliar, preferida no último sábado, 5, pela desembargadora Joana Meireles, da 2ª Vara do Tribunal do Júri.

Entretanto, durante o interrogatório ao delegado Paulo Martins, titular da DEHS, que preside as investigações juntamente com a delegada Marília Campelo, adjunta da especializada, informou à imprensa que a prisão domiciliar foi revogada. A decisão foi assinada pelo desembargador José Hamilton Saraiva dos Santos.

Na decisão, o magistrado determinou que Alejandro Valeiko cumprisse a prisão temporária por 30 dias e separado dos demais presos para garantir sua integridade física e moral.

O desembargador ressaltou, ainda, que o laudo médico apresentado pelos advogados de defesa, que alega Alejandro sofrer problemas mentais devido ao uso de drogas, não impede a medida cautelar determinada.

Alejandro Molina Valeiko (Foto: Alailson Santos/PC-AM)

Alejandro foi submetido a exames de corpo de delito no IML e passou a noite na Central de Recebimento e Triagem (CRT) da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Porém, o filho da primeira-dama do município não dormiu no presídio e segue à disposição da Justiça em uma das celas do 19° DIP.

Até agora, os familiares e amigos do engenheiro, bem como a sociedade amazonense, ainda não tem respostas sobre o caso. O delegado Paulo Martins chegou comentar que apresentaria até o dia 4 de novembro o resultado das investigações e apontar autoria ou autores do crime, mas o prazo foi estendido para mais 30 dias.

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